sexta-feira, 14 de novembro de 2008

a educação dos nossos filhos # 3



Não acreditei naquilo que os meus ouvidos ouviram, naquilo que os meus olhos viram!!

Achei que não podia ser verdade, que só podiam estar a brincar, mas e daí, como é que era possível brincar com um assunto tão sério??

Noticiário das 20.00h da TVI, há uns dias atrás:

"Portugal tem, a partir de agora, legislação que proíbe os castigos corporais a crianças", juntando-se aos outros países que a ONU, orgulhosamente, exibe como defensores dos seus direitos.

Até aqui tudo bem, espancar, exercer sevícias e outras torturas com que pais, familiares directos ou mesmo estranhos, abusam de crianças inocentes, dando largas à imaginação demente das suas mentes tortuosas, é crime que todas as penas juntas não conseguem condenar.
Adiante.

"No sentido de proibir definitivamente toda a espécie de castigos que impliquem contacto físico, a lei protege agora, totalmente, todas as crianças, podendo condenar os infractores entre um a três anos de cadeia"

Como??

"Fulano não sei das quantas, psicólogo infantil, afirmou: Mesmo o simples estalo que os pais usam muitas vezes em situações de não violência, pode evoluir para situações de grande gravidade, se ao aplicá-lo, a criança se desiquilibrar, cair para trás e bater com a cabeça, o que, frequentemente conduz à morte"

O quê???

E continua:

"A expressão física do castigo nunca será necessária se houver uma relação franca e aberta entre pais e filhos e os primeiros exercerem devidamente a "Autoridade" em vez do "Autoritarismo"

Serei eu que estarei doida ou deixei de viver em Portugal para passar a viver na "Terra do Nunca"??????

Adenda: Não sou, nem nunca fui, adepta de castigos físicos violentos, nunca os sofri, nem muito menos os infligi à minha filha, que muito quero, ou a qualquer outra criança. Este post, na sequência de outros, sobre a reflexão que todos devemos fazer sobre a educação dos nossos filhos, pretende apenas demonstrar aquilo a que todos os dias assistimos (por exemplo, ontem, em Fafe...) e que ninguém tem coragem de assumir: em nome da liberdade de expressão, da liberdade social e da liberdade individual, retira-se autoridade, descredibilizam-se instituições, demitem-se responsabilidades a todos os que deveriam assumir, a tempo inteiro, a hercúlea tarefa que é EDUCAR seres humanos sãos e equilibrados, que representem condignamente o futuro deste país.

27 comentários:

Antonio saramago disse...

Eu também vi isso e fiquei a falar sózinho...
Agora se um Pai ou uma Mãe é vista a dar Palmadinhas de Ternura no rabinho do filhote, está com a (IN)Justiça á perna.
Isto é mesmo de bradar aos CÉUS!!!

Patti disse...

Si, penso que esta lei, existe para proteger as crianças dos tais excessos de poder físico, uma prática que se mantém, ao contrário do que se pensa.

De resto uma palmada no rabo nunca fez mal a nenhuma criança.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Quando ouvi a notícia, na RTP, tive a mesma reacção. E ontem, depois da cena dos ovos, pensei se não haveria por ai um psicólogo para entrevistar, que pudesse classificar o comportamento das criancinhas. Claro que iria justificar o comportamento dos selvagenzinhos com aqueles chavões habituais.
Pelo comportamento que observo em muitos jovens, começo a pensar que devem ser filhos de pedo-psicólogos , ou então frequentam os sesu consultórios.
Razão tinha o Daniel Sampaio quando escreveu o livro "Inventem-se novos pasi". Ou se calhar, não!
Olhe, Si, para aliviar, pase lá pelo meu Rochedo por volta da hoira do almoço. Penso que vai encontrar por lá motivos suficientes para uma boa gargalhada.
Bom fim de semana com conchinhas.

Ferreira-Pinto disse...

Em primeiro lugar, e se me permite, aconselho relativa calma em relação ao assunto; Portugal é sobejamente conhecido por ter leis excelentes (nem todas, nem todas) e não cumprir nenhuma!

Em segundo lugar, e fugindo lá da discussão entre a autoridade e o autoritarismo (embora sejam, de facto, posturas diferentes), tenho para mim, enquanto pai de duas belísimas filhas, que o primeiro grande recurso educativo (não confundir com instrução) é o exemplo que se dá em casa e os valores que se incutem.

Que me recorde, as gêmeas lá de casa terão em toda a sua vida (e vão 15 anos) levado duas ou três sapatadas no máximo e ainda o ano passado dizia a directora de turma que "pode a turma estar a fazer cair o mundo, mas ali aquelas duas mantêm-se impassíveis à espera que a aula possa prosseguir".

E apesar disso não são tótós, nem queques.
Sabem é que o grau de exigência em casa é aquele e que na escola, por exemplo, se espera que estudem, e até mais que alcançar brilhantes resultados mostrem esforço e trabalho.

Agora, e como é evidente, uma "palmada" ser crime é coisa que não lembra ao Diabo, mas lembrou a alguém ...

Si disse...

Patti,
Tal como disse no post, tudo o que esteja relacionado com abusos de poder físico ou psicológico (este até ainda mais difícil de diagnosticar), é crime que todas as penas não conseguem condenar.
Agora, tenha paciência, fazer dum simples tabefe um risco de morte iminente, como disse o tal senhor psicólogo infantil, tem tanto sentido como afirmar que, se houve um dia que a criança não levou para a escola o lanche da manhã, os pais estão a incorrer em crime de negligência que a condenará a morrer de fome!!

Patti disse...

Então e não se lembra do meu post sobre a psicóloga doida varrida, que dizia que se nos voltarmos para os miúdos com a frase "não me respondas dessa maneira”, estaremos a inibir a comunicação e a ensinar uma lição errada aos nossos filhos!

Está tudo doido.

Olhe aconselho-a a leitura deste blog e post, do jornalista Luís Castro, responsável por toda a informação da RTP, do qual sou amiga virtal, fã e comentadora desde que o abriu, quando esteve no Iraque, na linha da frente.

É um grande conversador e pode dizer-lhe que vai da minha aprte.

http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/43288.html

Si disse...

Lembro sim, claro que me lembro!!
E já lá fui, li o texto e, veja lá, deixei comentário e tudo....

Ai que estou tão saída da casca...deve ser do verão de s.martinho...só pode!!

Vekiki disse...

Vou aqui deixar o mesmo comentário que deixei nas Crónicas do Rochedo...
Ontem, quando viu as imagens que passaram no telejornal sobre a reunião na Escola D. Dinis, a minha filha perguntou:
-Mãe, está tudo rico para andar a comprar ovos para atirar a alguém? Não sabem que a comida não é para brincar, que os ovos estão caros e há gente a morrer à fome?
Hoje, quando chegou ao Liceu, havia Professores e Alunos fora do Liceu, Polícia de Intervenção e alunos a tentar fechar o portão. A meio da manhã liguei-lhe para saber novidades.
- Mãe eu estou em aulas desde que entrei às 08:30.
- Mas a Mãe da X diz que ela telefonou a dizer que não tinha aulas.
- Houve muita gente que se baldou...
A minha Filha NÃO é uma Santa, mas é o resultado de uma "política educacional familiar" que teima em não ir atrás de modas e de pseudo-traumatismo das criancinhas...
É bom olhar para ela, com 17 anos, e para os 3 rapazes que vieram a seguir, e ver que o meu trabalho diário - Mãe a tempo inteiro - não é em vão.
Tenho dito :-)

Filoxera disse...

Tmabém digo como tu: castigos e levantar o pó não fazem mal. Só castigos pesados ou violência é que não podem ser praticados.
De resto, há que demonstrar o que está certo e errado. Como diz o outro: nem tanto ao mar nem tanto à terra...
Beijos.

Gi disse...

Querida Si, tenho sido uma criminosa há 19 anos, será que devo deixar as minhas crianças baterem-me no rabiosque para me redimir?

Si disse...

António,
O pior é isso mesmo. Ficarmos a falar sózinhos, porque ninguém quer ouvir falar em disciplina, sem que esta logo seja confundida com repressões a liberdades dadas de bandeja e nunca conquistadas.

Si disse...

Carlos,
Li e tenho esse livro, entre mais alguns do Daniel Sampaio.
Comprei-o, precisamente para ver se a minha maneira de ver as coisas e o meu sentido de disciplina educativa estavam errados, de tão diferentes que me pareciam de outros pais. Se quer que lhe diga, já não me lembro muito bem do que li. Só me lembro é das preocupações, das advertências, e sim, das palmadas que dei à minha filha quando achei necessário. Lembro-me de todas, de todas as lágrimas que ela chorou, de todas as que eu chorei também, às escondidas, e de todos os abraços e beijos que lhe dei, quando achei que lhe devia pedir desculpa, se a palmada, instintiva, tivesse saído mais forte do que devia. E ninguém, mas ninguém mesmo, me pode dizer, a mim ou ao meu marido, que gosta mais dos seus filhos do que nós, da nossa.

Si disse...

Ferreira Pinto,
Em 1º lugar, bem vindo e obrigada por aceitar o convite que lhe fiz.
Em 2º lugar, concordo com tudo o que expôs, principalmente com o facto de serem leis que se fazem para não ser cumpridas. Embora o princípio me pareça preocupante, por todas as razões já expostas, mais preocupante me parece haver tanta diligência na aprovação destas novas normas e ninguém se digne a fazer cumprir leis tão antigas como aquelas que a nossa Constituição prevê, sobre o trabalho infantil, igualdade de oportunidades, saúde e educação gratuita e por aí fora, aprovadas, carimbadas e publicadas a negro e que não passam de realidades utópicas, não acha??

Si disse...

Vekiki,
Obrigada pela sua presença!
Faltam mais mães e pais assim!!
Beijinhos

Si disse...

Filoxera,
A noção que eu tenho é que só somos bons, mesmo, é no exagero.
E só era preciso era bom senso, tão simples como isso...
Digo eu, não sei...
Beijinhos e cá a espero mais vezes.

Si disse...

Gi,
É uma menina feia, mal comportada, tal como eu.
Algememo-nos as duas e sobracemos ao castigo justiceiro.

P.S. Só uma dúvidazinha...quem lhe parece que sejam mais equilibrados, os seus filhos ou aquelas avantesmas que atiravam tomates podres a quem passava e nem sequer sabiam diser porquê????

Si disse...

A Patti, aconselhou-me a ler o post "Bater nas Crianças é Crime", publicado no blog 'Cheiro a Pólvora', do Luís Castro, jornalista da RTP.

Muito simpaticamente, teve a gentileza de deixar um comentário no mail, uma vez que se viu impossibilitado de o publicar directamente.

Obrigado, Luís.

De Luís Castro a 14 de Novembro de 2008 às 16:08
Si,
concordo em absoluto com o que escreveu.
Mais: talvez por falta dessa "palmadita" na hora certa, tenhamos agora crianças que não respeitam os pais, os professores, os polícias, etc.
E o que me preocupa é que serão eles a tomar decisões no futuro.
Luís Castro

Miepeee disse...

Devo ser um E.T., em 7 anos de vida da B. so lhe dei uma palmada que me doeu mais do que a ela.
Mas se preciso for apanha mais 1 ou 2, pois se ha coisa que nao tolero sao faltas de educacao.
Beijinho.

Tretoso Mor disse...

Si,

Eu digo que prefiro que chorem elas agora, a chorar eu um dia.

Corroboro.

Tretices grandes para Si.

Vieira Calado disse...

O mundo actual está cheio de fundamentalistas e idiotas.

Estou de acordo consigo.

Bom fim de semana

Si disse...

Miepeee,
Nem todas as crianças são iguais, o respeito delas para com os pais e vice versa é que tem sempre que ser regido pela mesma bitola e com a mesma firmeza. A palmada só é dada quando é mesmo precisa e aí não abdico, tenha a A. a idade que tiver, que a mim também me dói mais do que a ela.....
Obrigada pela visita e domingo apareça, que tenho uma coisita que gostaria que visse, ok??
Beijinhos

Si disse...

Tretoso,
Exactamente. Sem tirar nem pôr. E para a semana vou falar de uns considerandos a que o seu comentário, curiosamente, dá o mote.
Prendinhas da treta

Si disse...

Vieira Calado,
Bem vindo.
Obrigada pelo comentário.
Bom fim de semana também para si.

Si disse...

De Luís Castro a 14 de Novembro de 2008 às 18:36

Voltarei.
Obrigado.
LC

.......

Esta foi a promessa que o Luís Castro deixou, relativamente a este meu nr. 1210/08 que identifica a minha porta no blogobairro. Quando e se ele por aqui passar, a porta estará sempre aberta, tal como a deixo sempre para os vizinhos mais próximos.

1/4 de Fada disse...

Ai, Si, esta questão da educação hoje está a dar-me dores de cabeça. Não ando numa fase lá muito boa para a comentar, porque sou professora e e a educação está de rastos no nosso país... a esse nível, acho que chegámos efectivamente à Terra do Nunca, e só gostaria de poder dizer até nunca mais, mas não posso, tenho 49 anos e vou ter de trabalhar até aos 65, por isso é bom que me encha de paciência e de muita coragem, porque maus tempos se avizinham.
Como mãe, partilho totalmente das suas opiniões, sou imensamente exigente e rigorosa. Tenho dois filhos adolescentes, com 17 anos, e mais diferentes um do outro não poderiam ser, apesar de educados exactamente da mesma maneira, ao segundo exacto, porque são gémeos. Enquanto ela raramente me deu "trabalhos", ele tem artes para me fazer perder a cabeça! Cada um à sua maneira são os meus melhores amigos e os meus grandes companheiros, mas não os poupo a ralhetes, sermões e até castigos, apesar da idade que têm.
Um dos grandes problemas do nosso país, e agora falo como mãe e como professora, é a total demissão do papel de educadores da esmagadora maioria dos pais. Educar é uma tarefa a tempo inteiro e muito difícil.
Os psicólogos e psiquiatras não têm ajudado, a maioria tem opiniões que eu, na minha modesta opinião, acho perfeitas idiotices. Tudo pode traumatizar as crianças, tudo é mal, tudo deixa marcas negativas para a vida toda! E os traumas das outras pessoas que têm que conviver com as pestezinhas?
Raramente bati nos meus filhos, para ser franca, não me lembro de o ter feito, apesar de saber que o fiz, mas eu não me lembro e eles também não, o que vem provar a ideia de que deve ter sido em situações de justiça, porque sabemos que são as injustiças que perduram mais na nossa memória.

Si disse...

Fada,
Vem mesmo a tempo, já que ma maioria das vezes, os últimos são os primeiros. Não me espanta absolutamente nada essa sua postura, pois apesar de não a conhecer pessoalmente, sabia, através dos comentários, da sua condição de mãe de gémeos e de professora.
Partilho consigo a tristeza que sente, por todas as razões aqui apontadas e ainda mais uma: os filhos que estamos a educar com princípios de honestidade e correcção, vão ter, no futuro, que competir, em pé de igualdade, com aqueles cujos pais só deram exemplos de mesquinhice e baixeza. E isso dói-me, muito, mas não há-se ser por isso que baixarei os braços, para continuar a mostrar aos mais novos e em especial à minha filha, o caminho mais acertado para viver em pleno a sua vida.
Um beijinho e obigada por fazer questão de não faltar a esta discussão.

BlueVelvet disse...

Si,
tenho dois filhos.
Ao mais velho dei-lhe uma vez uma palmada por cima da fralda, na primeira e única vez que resolveu atirar-se para o chão e espernear fazendo uma birra.
Foi só o susto, mas foi remédio santo. Até hoje.
No outro nunca toquei, porque não foi preciso.
Mas castiguei-os todas as vezes que achei necessário.
Doía-me mais a mim que a eles, mas não me arrependo e felizmente os resultados estão à vista.
Quanto a mim, o meu pai nunca me tocou com um dedo, mas a minha mãe, de vez em quando, lá saía uma palmada.
Ainda hoje ela diz que só se perderam as que caíram no chão.
Não consta que nem eu nem os meus filhos sejamos traumatizados de guerra!
Quanto a estas e outras coisas que se estão a passar neste País, há muito que me demiti.
Lamento, mas é verdade.
Beijinhos de mim para Si