sexta-feira, 7 de novembro de 2008

a educação dos nossos filhos # 2



Volto hoje a reflectir sobre mais um aspecto que me tira do sério, relativamente à educação dos nossos filhos.

Tenho cá para mim, que nem me acho nem mais nem menos inteligente do que os outros, que há muito se deixou de saber o significado da palavra "R-E-S-P-E-I-T-O". Tal e qual. Assim separadinha por tracinhos, para que se possa ler, claramente lido.

E não falo apenas do respeito por normas ou regras, que esse dará para outro post, falo mesmo daquele que implicitamente existia na relação com os nossos próprios pais ou qualquer outro adulto e na relação deles connosco. Carinhosamente apelidado de "respeitinho", estão a ver??

Bom, esse conceito, em forma normal ou diminutiva, surgia repetidamente em torno da nossa educação, formando uma espécie de ilha: se nos esticávamos demais, punhamos a pata na poça e levávamos um encharcado tal, que nos fazia dar meia volta e voltar para o centro e segurança da nossa redoma.

Progressivamente, no entanto, essa ilha parece ter dado lugar a um promontório, e esse promontório já terá sido promovido a cabo altaneiro, de onde os jovens de hoje olham com desdém para cá para baixo e o comum dos mortais se acanha com os impropérios que lhe chovem em cima.

Qualquer idoso é chamado de velho, com o sentido de coisa inútil e embaraçante de passos mais rápidos, os deficientes mentais são pancados, os professores gajos e as professoras gajas, boas, que apetecem comer ou filhas da outra que não valem um das Caldas, e os pais e as mães sem título, na melhor das hipóteses, tratados pelo nome próprio.

A evolução na altitude de atitudes está também directamente relacionada com os equipamentos digitais de última geração, que no diz respeito ao Respeito, ajudam à missa, diferenciando nuns míseros 20 anos, aquilo que demorou mais de um século a conquistar pelas gerações anteriores. Confusos? Eu explico:


Situação A - A moça, já com 16 anos feitos, respira fundo e ensaia, vezes sem conta, o pedido para, ao domingo à tarde, ir, com as irmãs, dar uma voltinha até ao café do quarteirão, aguardando a resposta, em silêncio, enquanto a mãe deita uns olhos compreensivos ao pai que, por sua vez, demonstra muitas dúvidas em aceder.

Situação B - O puto, acabadinho de sair dos quinze, entre duas músicas que houve no I-Pod, na sala de aula, resolve responder por SMS ao amigo refastelado na cadeira, duas filas atrás, que para ir à beach party dessa noite só precisa de passar por casa, onde os pais não estão, para pôr um bocado de gel no cabelo, até porque há muito que não dá satisfações a ninguém.

Pergunta difícil: qual destas situações revela a actualidade?

Não espero pela resposta e vou directa ao assunto. Eu nem me considero assim tão velha, pela minha palavra de honra que não me acho nem mais nem menos do que outros pais, quem me lê aqui no Bairro sabe que tenho uma filha de 17 anos mas nunca, mas nunca mesmo, lhe admiti qualquer coisa que se parecesse sequer com faltas de respeito fosse a quem fosse. Mais. Nem vou admitir, quer ela tenha 17, 30, ou 50, se lá chegar para a ouvir e, em caso de necessidade, que Deus me dê força para mesmo com osteoporose, artrose, reumatismo ou até Parkinson, lhe pregar um valente estalo nas trombas, porque Mãe dela, nunca deixarei de ser!


Nota: Pronto, já sei, não tarda vou ter uma tal de tarjeta de conteúdos impróprios, tipo lanterna vermelha no alpendre, a classificar esta minha humilde casa, por apelo a castigos físicos às criancinhas, mas não se preocupem, também já tenho um post preparado sobre isso...





17 comentários:

Tretoso Mor disse...

Si,

Onde é me inscrevo na "Associação Nacional dos Pais "castradores""?... LOL

Estou plenamente de acordo.

Uma coisa é gerir a relação com os filhos, com base no medo, outra coisa é com base no respeito.

E quanto a isso, também sou intransigente.

Tretices respeitosas para ti.

http://tretas-da-vida.blogs.sapo.pt/

Antonio saramago disse...

o único comentário que faço é que desde que os Pais saibam impor o Respeito, ou melhor , que saibam como o dar, não há filho que não o aceite, portanto, tudo parte da parte de cima e por isso tens toda a razão no que dizes e sempre se ouviu dizer.
Respeita , para seres respeitado.
O grande problema é que a maioria dos Pais de hoje são os primeiros a faltar ao respeito aos filhos e depois dá nas coisinhas ruins que vemos constantemente á nossa frente.
Não te arrependas de seres a MÃE que ÉS!!!!

Patti disse...

O menino que vai para a festa, deve ser a maioria. Mas ainda há muitos e bons exemplos de respeito e conheço alguns, felizmente.
Cabe-nos só a nós pais, sermos intervenientes na sua criação, porque é aí que falha tudo. E n me venham com a desculpa da falta de tempo.

de dentro pra fora.... disse...

Pois eu ainda sou á moda 'antiga'eu costumo dizer respeitinho é bom e eu gosto .., até eles já a dizem por mim, :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Ainda bem que escreveu este post Si!
Eu, que não sou pai mas já cumpri esse papel a tempo inteiro com duas sobrinhas,tenho alguma relutância em abordar o assunto, porque me acusam constantemente de não ter experiência. Penso que algusn preferiam mesmo chamar-me cota, mas não têm coragem.
Pois eu penso que a culpa da falta de respeito é mesmo dos paizinhos que se demitiram da sua função de educar e gostam de apontar a dedo os professores. Essses paizinhos que pensam que a escola é para dar a educação que não lhes dão em casa, deveriam ter pensado bem antes de decidirem ter filhos.
Como diz a Patti, não me venham com a "falta de tempo" ou " os tempos são outros".
O RESPEITO não tem época.Quem não sabe isso, paciência. Mas não insista em querer ter filhos, por favor. É que depois tenho de aturar as suas más criações e não me apetece mesmo nada!

Si disse...

Tretoso,
Ainda não há uma, mas 'bora lá recolher assinaturas??
Sócia nr. 1!!!!!
Prendinhas da treta

Si disse...

António,
A minha sensação, por acaso, é que cada vez mais se apregoa a necessidade de respeitar os filhos e se desautoriza os pais, mas isso só sou eu a pensar, não é??
Prendinhas

Si disse...

Patti,
Eu também conheço, felizmente, o que reforça, precisamente, a minha convicção de que quem investe na tarefa de educar, o tem de assumir a vida inteira, porque os bons exemplos acabam sempre por vir daí.
A falta de tempo, é obvio que não é desculpa, faltará, isso sim, paciência e muito espírito de sacrifício, que a isso, poucos são os que se sujeitam.

P.S. - Sinto a falta da Fada nesta discussão, não acha?? : ) : )

Si disse...

De dentro para fora,
Essa frase é intemporal! Pena é que seja tão pouco levada a sério...
Prendinhas

Patti disse...

A Fada deve estar a preparar-se para a manif e faz ela muito bem!

Si disse...

Carlos,
Seja-se ou não pai, mãe, tio ou tia, há uma coisa que me parece fundamental nisto tudo, que é apenas o BOM SENSO!
Desde quando é que é normal que, alguém responsável pela educação de uma criança, não lhe imponha limites, não lhe exija comportamentos sociais adequados, nem tão pouco distinga o mal nem o bem, nas consequências possíveis de determinadas atitudes?
É por isso que, como isto tem pano para mangas e é das coisas que me aperta o gasganete, vou continuar com estas refexões à 6ª feira, para se poder dormir bem sobre o assunto, durante o fim de semana. Combinado??

P.S. - E então esse dicionário?? Como é, sai ou não??

Si disse...

Patti,
É verdade!!
Manif que tem tudo a ver com o tema de hoje e que não seria precisa se cada um cumprisse o seu papel...
Prendinhas arejadas

Antonio saramago disse...

SI:Tem razão ao dizer que se tem de respeitar os filhos e sobre a desautorização destes para com os pais é um caso cada vez mais frequente, so que onde existe esta desautorização, a culpa é essencialmente dos progenitores que deixam tomar as rédeas de tal forma que quando querem já não conseguem impor o seu estatuto.

Si disse...

António,
Exactamente. E pior do que isso é que sempre que os filhos pisam o risco e os pais tentam pô-los na ordem, aqui d'el rei que se traumatizam as crianças...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Si: Ladies first!

Antonio saramago disse...

Não é maravilhoso ter-se uma familia onde todos se respeitam, onde todos sabem onde é o seu lugar e quando é a sua altura de se manifestar?
Vim só mais para desejar um feliz FDS, para si e para a familia.
Continue a orgulhar-se de ser a MÃE que é!

Vekiki disse...

Si, cá em casa existem 4 Filhos dos 17 aos 7 anos. Apesar de o 2º exemplo do seu post ser o mais comum, infelizmente, ainda há alguns exemplares do 1º. Cá em casa o respeitinho é muito cumprido por qualquer um deles. Nem sempre é fácil manter pulso forte, mas garanto-lhe que o consigo. Só até algo "temida" por alguns Amigos do meu Filho nº 2. Porque eles sabem que comigo "não há Pão p'ra malucos". Mas é assim que eu entendo a educação correcta.
Bjs
Bom fim de semana