domingo, 23 de novembro de 2008

ponto de (Si)tuação # 6


Querido Diário,

Estamos chegados a mais um Domingo, em que sinto necessidade de deixar nas tuas páginas o balanço de uma semana.

Ando muito sobrecarregada com trabalho e os posts agendados estão a chegar ao fim. Ainda por cima, tenho por aí uns desafios pendentes, uns textos com título mas ainda sem palavras e a exigência da família que reclama do tempo passado em frente ao portátil.

Mas o pior de tudo é que tenho tanto para dizer, tantos assuntos que debater, tantas letras para juntar e elas não me saiem, não consigo que elas me obedeçam e me deixem afirmar, criticar, indagar, responder, opinar, criar, inventar e até brincar com elas.

Ando de mau humor com elas e elas respondem-me torto, é o que é....

Estão a ser umas malcriadas, umas narizes no ar, a bater o pé de ciúmes por eu não lhes dar a atenção que devia. E bloqueiam-me a vista quando vislumbro um tema, fazem-se caras e difíceis e até os comentários me encurtam!

Estou danada.

Sinto-me injustiçada por esta manifesta vontade em me entrevar os pensamentos que vão fluindo, em que imagino belos textos tricotados à mão. Teimam em surgir em alturas que não posso tomar conta delas para logo desaparecerem da minha mente, escondendo-se em interstícios do meu cérebro que só com grande esforço consigo de lá arrancar.

Até pedi ajuda ao magnésio, que diligentemente se diponibilizou numa caixa de ampolas, sem açúcar nem nada, que se deixavam escorregar pela goela abaixo, escorreitas, apressadas em bater com força no fundo do estômago, fazer ressalto e ganhar impulso para chegar ao interior do cocuruto, tipo inundação, que chegasse aos cantinhos todos e as reunisse em rebanho.

Algumas deixaram-se flutuar, outras, manhosas, aproveitaram a onda para alterar o esconderijo e refinar o gozo de me deixar em branco, porque só com algumas não conseguia fazer nada. De que adiantava ter os ás, os bês ou os éfes, se depois me faltavam os tês, os ós, os pês e os érres??

Tentei falar-lhes, chamá-las à razão, explicar-lhes que o trabalho é sempre muito nesta época, que também não é justo deixar a família de lado para me encafuar no pc, inclusivamente lhes lembrei que o meu blog ainda é muito novinho e inexperiente e na sua inocência de criança não merece ser palco destas lutas e meças de forças. Supliquei, prometi arranjar uma plataforma de entendimento, mas estão irredutíveis.

As minhas letras entraram em greve.

E agora, Querido Diário??

O que é que eu faço??

Ajuda-me com uma resposta, sim??

Beijinhos,

Si

sábado, 22 de novembro de 2008

um 'must', como se diz por aí....


Exactamente!!


Um 'must', este vídeo que me mandaram por mail!!


Cliquem no link abaixo e divirtam-se, mas


POR AMOR DE DEUS, NÃO MAXIMIZEM O ÉCRAN!!!








Aguardo os vossos comentários para este momento de pura diversão!



BOM FIM DE SEMANA!!


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

a educação dos nossos filhos # 4


Muitas são as teorias que os pais assumem como verdades antes de, realmente, serem pais: que nunca deixarão os filhos fazer uma birra para comer, que nunca cederão às suas exigências menos razoáveis, que nunca se deixarão manipular, que sempre se basearão no diálogo e na abertura para resolver todo o tipo de problemas, tenham eles a idade que tiverem, e outras dissertações que tais.

Na prática, a maioria nunca as porá em prática, pelo menos o tempo suficiente para que surtam efeito, e nunca me esqueço do dia em que, muito sabiamente, a minha mãe, mãe de 4 filhos, me disse que 'era uma vez' um senhor que não tinha filhos e sete teorias e depois já tinha sete filhos e nenhuma teoria.

Também muitos são os livros escritos por psiquiatras, psicólogos, sociólogos e uma série de especialistas, que analisam de uma forma sistemática o comportamento dos pais e as consequências imediatas, a médio e a longo prazo nos comportamentos prováveis, quase certos e definitivamente assegurados dos filhos, e vice-versa.

Nas reflexões que tenho vindo a fazer sobre a educação dos nossos filhos, já emiti a minha opinião - que é apenas mais uma e vale o que vale - sobre a falta de respeito e a tal 'palmada' que até levámos em crianças e que em nada nos afectou negativamente.

Junto as duas, para hoje sublinhar a necessidade de haver diferenciação na postura entre pais e filhos, sendo que os primeiros podem continuar a ser os melhores amigos dos segundos, sem que seja preciso haver uma inversão, baralhação ou confusão nos papeis de cada um.
Deixarei aqui o que penso, que fiz e assumi com a minha filha, e que até agora resultou, mas que em nada também pressupõe que resulte nos filhos dos outros, porque cada um, pai, mãe e filhos, têm personalidades, educações, culturas, princípios e experiências de vida diferentes, que condicionam toda a vivência em conjunto.

Por isso, as minhas únicas teorias foram a do 'sim' e a do 'não'.
Desde que a linguagem oral /expressiva começou a ser compreendida pela minha filha, o que acontece com todos os bébés desde muito cedo, para tudo o que ela pretendia fazer e necessitava de aprovação ou advertência, usava sempre as mesmas palavras: 'sim' e 'não'.

À medida que foi crescendo, e as situações se tornaram mais complexas, achei cada vez mais importante manter a clareza do 'sim' e do 'não', ou de uma forma mais explícita, pus-me do lado da capacidade de compreensão dela e percebi que só muito, mas muito mais tarde, ela compreenderia o conceito do 'às vezes'.

E esse mais tarde, segundo estudos anatómicos que me surpreenderam entretanto, só viria depois da adolescência, quando determinada parte de um cérebro em constante crescimento, atingisse a maturação e se auto nivelasse após o bombardeio constante de hormonas em desalinho. Mas, na altura, eu nem sabia nada disto, claro. Foi intuitivo e institivo e apliquei esta regra com o mesmo rigor de uma tabela aritmética.

Fui muitas vezes confrontada por amigos, familiares e conhecidos que me indagavam porque é que eu não podia 'deixar a menina, 'tadinha, fazer não sei o quê, só daquela vez, que até não tinha importância nenhuma' . E de todas as vezes respondi o mesmo: porque para a próxima não o poderá fazer e não saberá porquê e dir-lhe-ei sempre não, em circunstâncias idênticas, até ao dia em que ela tenha idade suficiente para que ambas possamos assumir as consequências que possam advir de lhe dizer sim. Mais resumidamente: Quando se diz 'sim' a criança assume que para o mesmo comportamento a resposta será sempre 'sim', o mesmo acontecendo quando se diz 'não'. Acho que é simples. Digo eu, que de pedopsicologia nada entendo.

Como levei este conceito à letra, os epítetos de 'radical', 'má', 'incompreensiva' e 'inflexível', caíram-me em cima, chovendo críticas de todos os lados, e foram muitas as vezes em que quase soçobrei, ou pelo menos estremeci, quando me afirmavam redondamente que a rapariga, no mínimo, se ia revoltar e odiar a vida inteira. A única coisa que me fez continuar, foi vê-la, a cada dia, maior, mais inteligente e comunicativa, saudável psicológicamente e sobretudo, incapaz de recusar um carinho, um beijo, um mimo aos pais.
Verdade seja dita, que foi no mínimo discutível o que serviu este conceito, na chamada 'idade do armário' - muita parvalheira junta, muita infantilidade e maturidade, misturada e baralhada no tal batido de hormonas histéricas, porque todos os jovens passam, mais tarde ou mais cedo, sendo que, nas raparigas, esta idade crítica costuma corresponder aos 11-14 anos. E se paciência e diálogo são armas fundamentais, firmeza de comportamentos e de juízos, por parte dos pais, serão imprescindíveis - e aqui, faço um parêntesis, para reforçar que esta é apenas uma opinião, neste caso a minha, porque o blog é meu e eu digo aqui o que me apetecer.

Não foi fácil ultrapassar esta fase, principalmente porque os 'nãos' eram a maior parte das respostas, os 'sins' arrancados a ferros e o controlo e vigilância exigidos, do mais águia rapina que havia, sobrevoando atentamente as acções e caindo a pique, com as garras todas de fora, quando, vernaculamente falando, 'mijava fora do penico'.
Por isso, muito francamente, e para terminar esta reflexão, que já vai longa, direi que, pelo menos, nunca me arrependi de qualquer 'não' que lhe disse, os 'sins' sempre lhe souberam bem pelo esforço que fez para os conquistar e neste momento, 17 anos volvidos, tenho o orgulho de ter em casa uma rapariga que não é 'às vezes', mas sempre, educada, simpática, saudável, alegre e muito, mas muito, mas muito mesmo, mimalha e carinhosa com os pais, avós e restante família, a quem respeita criteriosamente.

Mas isto, claro, é uma mãe babada a falar, não é??





quinta-feira, 20 de novembro de 2008

outono à janela


em cascata caem as vermelhas,
cachoeira viva de mortas folhas
as amarelas, mais leves,
deixam-se levar,
voltear e valsear
pelo vento,
vigoroso elemento,
caprichoso, dengoso
que tanto gosta de as namorar
as verdes, resistentes, teimosas
agarram-se à vida para não voar
não antes do tempo,
mesmo que o vento
as teime em arrancar
inertes ficam as castanhas,
que estalam ao pisar,
morreram de velhas,
cobrem chão e telhas
despediram-se das novas
deram o lugar
como o outono ao inverno
quando ele chegar

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Adverti(Si)ng # 3


Esta imagem representa o que de melhor se poderá criar, em termos de publicidade exterior.
Mas não só.
É também a prova de que devemos sempre tirar o melhor partido das stuações imprevistas:
Já imaginaram o que seria se o miudo deste 'outdoor' , em vez de ter rebentado a chiclet, tivesse dado um espirro???

terça-feira, 18 de novembro de 2008

posso contar mais uma história?


Posso?

É mais uma daquelas histórias simples, que eu gosto de contar, devagar, com muitos detalhes e pormenores, e que nem sequer começa por "Era uma vez..."

Esta começa por uma lembrança, pincelada com saudade.

Lembro-me que parecia meio arrepiado, depois de bem lambido pela 'Cinza', e que a cada lambidela correspondia um tropeção, porque aquelas patas de 3 centímetros, apesar de serem quatro, mal se aguentavam em pé. Os olhitos pretos, arregalados, no meio daquele negrume de pelo, e um miar fininho, esganiçado, que num instante ficava rouco, à força de tanto reclamar a maminha da mãe ou pelo menos o seu aconchego e protecção.

Não era filho único, nem o único todo preto, mas distinguia-se dos outros por duas linhas de pelo menos farto, que lhe iam do bico exterior dos olhos, até ao bico exterior das orelhas. Davam-lhe um ar de reguila, manganão e tratante, e eu achei-lhe piada.

Sendo uma fase algo delicada na minha saúde, a A. uma adolescente em plena fase do armário, com o maridão a sair de madrugada e a só voltar tarde do trabalho, enfim, estavam reunidas todas as condições para aceder ao pedido choroso da filha, que a pé juntos jurava que ia tratar dele, limpar-lhe os cócós e os xixis, dar-lhe de comer, de beber e todas as outras promessas juntas que os cachopos fazem quando querem ter um animal em casa. O baptismo fez-se logo ali, a madrinha foi a dona da 'Cinza' e com uns pingos de água e tudo, crismou-se a criatura de 'Pipocas', que mudou de casa logo nessa noite, embrulhada num cobertor velhinho.

Da aldeia onde nasceu, veio para a cidade e para um apartamento, onde começou a crescer, a fazer asneiras inconfessáveis, principalmente em cortinas, que adorava trepar até ao varão, em edredões a que deliciosamente (para ele, claro!), puxava os fios, e a fazer desaparecer misteriosamente os 'tótós' da dona mais nova.

Quando não me fazia exasperar, era de rir. Bastava acenar-lhe com um deles, para se transformar num super-herói de saltos, acrobacias, correrias desenfreadas, esgadanhadelas em duas patas e demais piruetices, que, pouco a pouco já nem necessitavam da solidez do objecto e se desencadeavam logo que se pronunciava a palavra 'tótó'.

Além disso, sempre foi privilegiado: caminha própria bem almofadada, com manta incluída, WC coberto para lhe respeitar a privacidade, brinquedos próprios e comidinha de marca, indicada pela veterinária, que visitava regularmente por causa das vacinas, das bolas de pelo no estômago e das prevenções de bichezas parasíticas e da qual nunca gostou, especialmente a partir do dia em que entrou lá com duas pendurezas e saiu sem nenhuma. E depois, pronto, eu estava mais tempo em casa, e tornou-se um gato tipo papagaio pirata que até ia à rua de coleira com guizinho e trela vermelha e branca no pescoço, muito bem sentado nos meus ombros.

A única altura em que sossegava era depois do almoço. Dormia a sesta comigo, aos pés da cama e em cima dos meus pés, ou quando lhe dava a mimalhice com força, ocupava o travesseiro do lado e deixava-se cobrir. As posições em que eu e ele acordávamos eram dignas de fotografias, comigo agarrada a ele, ele esticadinho, esticadinho de preguiça, ou aninhado e enroscado no meu travesseiro, por cima da minha cabeça, que tremia com os ronrons fundos de gato satisfeito.


À noite, ao contrário dos gatos livres, ficava na cozinha e à ordem de 'caminha, até amanhã boa noite', repetida com o incentivo de umas festinhas mais prolongadas, lá saltava para a cama dele e sossegava até ao dia seguinte.

Apesar da partida que a veterinária lhe pregou, nunca foi um gato 'maricas'. Muito senhor do seu nariz, não gostava de colos nem de mimos para além da sua própria medida. Esquivava-se aos excessos e mesmo com as unhas aparadas, nunca deixou de as meter em carnes alheias se a coisa não lhe corria de feição. Exigente, também: nunca achou piada nenhuma ao bebedouro de inox, quando podia regalar-se com a água corrente que saia das torneiras do bidé, para as quais chamava a atenção com mios prolongados e olhares dengosos a pedir intervenção humana na arte de as rodar, e a comida, seca, só lhe servia estaladiça, porque ao fim de um dia no comedouro também já estava amolecida.

De vontades em vontades sastisfeitas, foi-se tornando um Senhor Gato, grande, pesado, com um pelo negro, negro, luzidio e macio, esperto, ladino e entendedor da maior parte da meia dúzia de ordens repetidas e exemplificadas, porque um gato é sempre um gato, independente, instintivo, caçador e perseguidor e que à falta de melhor, se entretinha tempos infinitos a jogar com bolinhas de papel de alumínio.

Por razões que agora não vêm ao caso, o 'Pipocas', 'Pipas' ou 'Bébé', deixou de poder estar lá em casa. E como não havia melhor sítio para o ter do que aquele onde nasceu, regressou de armas e bagagens à aldeia, onde chegou, maior que todas as suas irmãs e mãe, mas tão gordinho que não conseguia trepar a uma árvore, quando um dos seus colegas caninos resolvia arreliá-lo e pô-lo na ordem.

A pouco e pouco foi-se habituando ao espaço em que podia correr sem paredes, agilizando os músculos e os sentidos, e logo na 2ª semana, conseguiu a proeza de encurralar durante dois dias e matar ao 3º, uma cobra escondida no meio das pedras do muro.

Foi a prova de fogo a que passou com distinção. Era Gato por inteiro (sem pendurezas, mas pronto...), livre para dormir de dia, em cima da cama da primeira das suas donas, e escapulir-se ao início da noite para divagações, explorações e passeatas inerentes à sua natureza.

De uma delas não voltou. Tão simples como isso. A liberdade que a aldeia lhe trouxe, também o expôs a outros perigos, mas se ele pudesse falar, aposto que não a trocava por nada deste mundo....



Nota: Todas as fotos são minhas e, exceptuando a primeira, têm má qualidade, por terem sido captadas com uma web cam

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

olha, foi-se.....


'Cheap computer for you' - Brian Ferris

'Get your MBA now without college' - Roman Kurt

'Enlarge your penis and make her moan' - Charles Monroe

'Casino Euro Dice - 2.500,00$ grátis - de que está à espera?' - Cassandra Jones

'O maior site pornográfico português já está on-line' - Lindsay Samantha

'Cialis + Viagra + Xanax - the best drugs at the best price' - Donna Matriss

Estes, são alguns, muito, muito poucos, dos assuntos e respectivos remetentes de e-mails que, diariamente, me enchem a caixa do correio e que apelidaram de SPAMS, que deve ser abreviatura de qualquer coisa, na língua de Sua Majestade.

Não sou a única, dizem que até o Bill Gates recebe cerca de 3.000 mails diários desta natureza, o que em nada me conforta, porque sendo este senhor o responsável pela maior potência informática do planeta, o facto de não conseguir, no seu próprio 'personal computer' estancar esta hemorragia de porcaria, é porque o assunto é grave.

E 3.000 também deve ser uma espécie de número mágico, porque foi, mais ou menos, essa quantidade que eu tive de apagar, um por um, quando o raça do Outlook se recusou a trabalhar, afirmando que já estava de pança cheia de não sei quantos gigas. Os 'itens a receber' que lá estavam e que ele engoliu, antes que eu pudesse dizer 'tem calma que eu já te atendo', devem-lhe ter servido de alka seltzer. Só pode.

Chateei-me. Puxei as orelhas ao informático. Ralhei com o servidor, que, apesar de ter lá uns filtros, de nada serve para separar o trigo do joio e baralha-se todo, abrindo a porta livremente aos gajos que andam a querer seduzir os milhões de taradinhos que proliferam neste mundo, e fechando a porta, com rótulo de SPAM e tudo, aos inocentinhos que só me querem pedir um orçamentozito. Nada feito.

Bufei. Respinguei. Revoltei-me e à laia de estalo, preguei com um scan-disk aos ficheiros, à procura do backup dos itens engolidos, a ver se os surpreendia antes da digestão. Ah-ah, apanhei-os!! Ou não?? Eu jurava que ainda agora eles estavam aqui!! 'Tá bem que o título era em inglês, mas aí até me desenrasco, então e agora o que é que aconteceu??

'the folder is empty', que é como quem diz, 'a pasta tá vazia, palerma, devias ter feito um backup do backup'. Querem lá ver esta?? Eu não me fico, agarrem-me que eu vou-me a eles!!

Calma. Respiro fundo. Desconfiada que o primeiro estalo não assentou direito, sou mais subtil e clico no 'viruses scan', não vá o animal estar doente e eu a ser injusta. Um sarampo, uma varicela, sei lá, daquelas mazelas que nos põem de quatro... 'Report: Viruses Alert, Infection Detected!' - Ó, valha-me Deus!! Afinal é mesmo, já com infecção e tudo, será que depois do alka seltzer lhe posso dar antibiótico??

Agora já estou preocupadíssima. E ansiosa por saber que raio de maleita lhe pregaram, vou ver o 'report details'. CREDO!! Coitado do meu Outlook!! 'trojan horses' e 'worms' não lhe faltam no diagnóstico!! Cavalos de Tróia e vermes?? Agora percebo. Coitadinho, ele já não aguentava mais, com equinos vindos de tão longe, ainda por cima cheios de lombrigas, que nem um garrafão de cinco litros de óleo de rícino iriam conseguir pôr cá fora....

Desisti. Paz à sua alma. O meu Outlook foi desta para melhor.



Nota de rodapé: Este post foi agendado há uma semana, mas há coincidências fantásticas, não há, Patti?

domingo, 16 de novembro de 2008

ponto de (Si)tuação # 5


Querido Diário,

Hoje, tinha previsto continuar a contar-te as minhas primeiras incursões na blogosfera, em forma de comentário. Só que, olhei para a data e reparei: Hoje faz 5 semanas exactas que abri a porta desta minha casa para o Blogobairro!!
Mas não só, precisamente esta semana também, ganhei coragem, enchi o peito de ar e atrevi-me a deixar a segurança da minha janela e plantar meia dúzia de comentários noutros blogs, que já conhecia das caixas do Carlos, da Patti e da Velvet e que também já andava a espreitar em silêncio. Imagina tu que até houve um, a Borboleta, que me presenteou com um 'seguidor', que, segundo percebi, parece que é uma prova de que a sua dona tem interesse naquilo que se passa cá dentro e nas maluquices desta minha cabeça, que vou publicando!

E mais: tu sabes que há outros blogs, que eu não conheço, nem nunca tinha visto aqui no bairro, que me adicionaram às suas listas de leitura??? Estou admiradíssima! E não fora os meus sisos estarem inclusos, bem escondidinhos debaixo da gengiva, até eles se iriam ver, de tão aberta a minha boca de espanto!!

Olha, nem te digo, nem te conto, este corropio de gerir um blog, é mesmo gratificante, mesmo que tenha de agendar posts para a semana toda, com medo de falhar algum dia por causa da minha falta de tempo!

Portanto, hoje que se comemora um mês de aventura no blogoespaço, e já estou muito mais madura nestas andanças (!!!!), vou dar mais um passo, pequeno para o bairro, gigante para mim (onde é que eu já ouvi isto??) e colocar na 'marcação rápida' mais uns blogs, a juntar aos dos Padrinhos:


A partir de hoje, vão todos para aquela colunazinha do lado esquerdo, está bem?? (Sim, essa que toda a gente tem do lado direito, ainda não percebi como, porque continuo a não acertar com o raça da formatação dos textos e do próprio blog, mas isso há-de ser motivo para ganhar outra batalha....)

Espero que fiques bem durante esta próxima semana e que me desculpes se às vezes abuso das tuas páginas, como é meu costume; para te contentar, já comprei mais uma resma de folhas, que vou colar, uma a uma, no interior da tua lombada.

Entretanto, dá uma olhadela por aqueles blogs todos, sim? Estilo 'vigilante de bairro', que parece que há aí umas 'antas', que andam a arreliar o pessoal.....dá-lhes com força!!

Até prá semana,

Beijinhos,

Si.









sábado, 15 de novembro de 2008

doença e diagnóstico, dois em um


Check-up rápido:

Vejo?

Sinto?

Cheiro?

Saboreio?

Ouço?


Sim, sim, sim, sim, sim...


Então porque é que eu sustenho a respiração?


Porque é que me é difícil mexer as pernas e os braços?


Porque é que me sinto tão cansada?


Porque é que aqueles olhos azuis me parecem tão distantes?




Diagnóstico rápido:

Porque há já um mês que não vinha à piscina, e o morenaço de olhos azuis do nosso professor, me pôs de castigo, numa pista à parte, a fazer pernas e braços de crawl! Ufffffffff....






BOM FIM DE SEMANA!!





sexta-feira, 14 de novembro de 2008

a educação dos nossos filhos # 3



Não acreditei naquilo que os meus ouvidos ouviram, naquilo que os meus olhos viram!!

Achei que não podia ser verdade, que só podiam estar a brincar, mas e daí, como é que era possível brincar com um assunto tão sério??

Noticiário das 20.00h da TVI, há uns dias atrás:

"Portugal tem, a partir de agora, legislação que proíbe os castigos corporais a crianças", juntando-se aos outros países que a ONU, orgulhosamente, exibe como defensores dos seus direitos.

Até aqui tudo bem, espancar, exercer sevícias e outras torturas com que pais, familiares directos ou mesmo estranhos, abusam de crianças inocentes, dando largas à imaginação demente das suas mentes tortuosas, é crime que todas as penas juntas não conseguem condenar.
Adiante.

"No sentido de proibir definitivamente toda a espécie de castigos que impliquem contacto físico, a lei protege agora, totalmente, todas as crianças, podendo condenar os infractores entre um a três anos de cadeia"

Como??

"Fulano não sei das quantas, psicólogo infantil, afirmou: Mesmo o simples estalo que os pais usam muitas vezes em situações de não violência, pode evoluir para situações de grande gravidade, se ao aplicá-lo, a criança se desiquilibrar, cair para trás e bater com a cabeça, o que, frequentemente conduz à morte"

O quê???

E continua:

"A expressão física do castigo nunca será necessária se houver uma relação franca e aberta entre pais e filhos e os primeiros exercerem devidamente a "Autoridade" em vez do "Autoritarismo"

Serei eu que estarei doida ou deixei de viver em Portugal para passar a viver na "Terra do Nunca"??????

Adenda: Não sou, nem nunca fui, adepta de castigos físicos violentos, nunca os sofri, nem muito menos os infligi à minha filha, que muito quero, ou a qualquer outra criança. Este post, na sequência de outros, sobre a reflexão que todos devemos fazer sobre a educação dos nossos filhos, pretende apenas demonstrar aquilo a que todos os dias assistimos (por exemplo, ontem, em Fafe...) e que ninguém tem coragem de assumir: em nome da liberdade de expressão, da liberdade social e da liberdade individual, retira-se autoridade, descredibilizam-se instituições, demitem-se responsabilidades a todos os que deveriam assumir, a tempo inteiro, a hercúlea tarefa que é EDUCAR seres humanos sãos e equilibrados, que representem condignamente o futuro deste país.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

crónica de um tempo impossível # 3


Ai, minha rica menina! Já chegou! Que bom, que estava com tantas saudades suas! E cresceu tanto, criatura, lá vou eu ter que pôr umas baínhas abaixo! O riso franco da Joaquina, os braços gordos que a enlaçavam, o cheiro a acúcar queimado do creme de leite acabado de fazer e das compotas de uva e abóbora, confirmavam-lhe que tinha chegado a casa. Ao longe, a mãe, de chapéu de abas largas e avental sobre a saia de godés, acenava com a tesoura de poda na mão contrária à que segurava o monte de flores para enfeitar as jarras da casa. Os irmãos estavam para a cidade e o pai nem o viu, porque só lá mais para a tarde é que ele aparecia, de cachimbo na boca e andar militar, com que passava revista aos tractores e aos trabalhos nos lagares de azeite.

Guidinha! Filha! A menina está bem? Tem passado bem? E comer? Trouxe tudo o que precisava? Não deixou lá nada? É que a menina é tão cabeça no ar, credo, ai, mas dê um beijo à sua mãe, coisa linda, que eu sinto sempre tanto a sua falta, chegue-se cá, cuidado não se pique nas rosas, andei a apanhá-las para as pôr no seu quarto, fresquinhas, rosinhas para a minha menina, para a rosa do meu peito, que foi por eu gostar tanto de flores que lhe chamei Margarida, venha cá, meu amor! Beijinhos repenicados, abraços de inquietação e de saudade, distraíram-lhe os pensamentos por alguns minutos e foi com um sorriso aberto, agarrada pela cintura à mãe, que entrou no solar da quinta e subiu para o quarto.

Ainda sorria, quando a mãe pousou rapidamente as flores em cima do psiché, fechou a porta, espreitando primeiro para fora e se virou para ela, com um ar sofrido, mordendo o lábio, como quem quer falar, mas não tem coragem de começar. Senta-te, Margarida. Senta-te aí. Margarida sentou-se na cama, surpresa com o tratamento por tu. O que foi, mãe? Tenho que te falar duma coisa. O teu pai não queria que te dissesse nada, proibiu-me até, mas acho que já tens idade para saber destas coisas. Que coisas, mãe? De que é que está a falar? Da Sara, querida. A tua melhor amiga. Ela foi expulsa do Colégio, não foi? Sim, mas eu não sei porquê, a mãe sabe de alguma coisa?? Ela está bem? A mãe adoptou um postura mais direita, sentada ao lado da filha. Tu sabes que o teu pai aqui na região é muito conceituado, não sabes? E que foste para aquele Colégio porque o Reitor e ele andaram a estudar juntos, sempre se deram muito bem, e ambos são muito amigos do Regedor. Sei, Mãe, mas o que é que isso tem a ver com a Sara?? Ai, filha, o Regedor contou ao teu pai que parece que o pai dela conhece umas pessoas pouco recomendáveis.... A mãe baixou a voz num sussurro. Margarida, dizem que os pais da Sara são comunistas! São o quê, Mãe? O que é isso?? Ó filha, eu também não sei, só sei que isso não é coisa boa, porque a Polícia já lá foi a casa e tudo, e diz a Joaquina, que é prima de uma servente da farmácia da Vila, que tiraram de lá uma catrafada de papeis, levaram o pai para a esquadra e até agora não houve mais notícias dele. Quando o teu pai soube disto, tratou logo de avisar o Reitor, e olha, em boa hora a tiraram de lá, não fosse ainda ficares mal vista aqui na terra, por te dares com a moça. Ó Mãe, mas isso não é justo! - berrou ela - MARGARIDA! Não fale assim comigo! Não lhe admito que me levante a voz, nem que discuta as decisões do seu pai. Logo ele, que foi tão generoso e pagou até ao final do ano as propinas da sua amiga! O assunto acaba aqui. Conforme-se.


Margarida conformou-se. Sara também. E nem os ventos de Abril, que 10 anos depois sopraram, as voltaram a reunir.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

crónica de um tempo impossível # 2

A confiança crescera entre as duas amigas, sobretudo quando o silêncio descia e as luzes mortiças dos candeeiros exteriores entravam pelas frinchas das portadas, as mesmas que tinham aprendido a vedar com plasticina, quando optavam pela escuridão total em que os segredos se soltavam. De uma e de outra, as portadas já tinham segurado dúvidas, receios, curiosidades, paixões e descobertas, explorações que faziam, num desconhecido que ninguém confirmava ou desmentia. Estudavam juntas, almoçavam e jantavam juntas, passeavam juntas, durante os recreios e os dias de descanso e já não sabiam quem pensava primeiro o quê e porquê, quando, nos bilhetinhos trocados combinavam afazeres juntas ou numa conversa a duas completavam frases uma da outra.


Margarida também crescera. Não muito, porque a raça transmontana da família lhe deixara a herança de traços rudes, corpo entroncado e forte, cabelos pretos a sublinhar a cara cheia, olhos preto-azeitona e penugem nos antebraços. Habituada que estava ao rigor do frio, nos Invernos de neve, em que nem as lareiras todas acesas do seu solar ancestral conseguiam aquecer, aqueles ventos que entravam pelas portadas do quarto no Colégio eram brisas caprichosas, fonte de diversão para fazer esvoaçar os fios que tirava do ponto aberto no linho preso ao bastidor. A voz esganiçada de criança enrouquecera e o tom em que falava era sempre alto, a fazer lembrar a voz de comando do seu pai, quando orientava os trabalhos na quinta ou mandava os irmãos negociar o que a terra dava.

Sentou-se na cama, com o peito a arfar, tentando ordenar as ideias, naquela confusão de sentimentos que a agredia. Sara, expulsa. Sara, expulsa. Sara, expulsa. Martelava-lhe a cabeça, rodopiava-lhe na mente, fazia subir de novo o enjoo e a vertigem, tornava-lhe o aperto em nó cada vez mais fechado na boca do estômago. Deitou-se. Fechou os olhos com força. Pediu para desaparecer, mas ficou no mesmo sítio.

Amanheceu sem Margarida dormir nem um segundo. Por volta das 11 da noite, tinham batido de mansinho à porta, entrado sem fazer ruído e carregado quase tudo o que restava da presença de Sara naquele quarto. Para trás, ficara o terço de contas de rosa que a madrinha lhe trouxera de Fátima, abençoado pelo Papa Paulo VI, uma Bíblia Sagrada e uma imagem de Nossa Senhora com os Pastorinhos, que guardou debaixo do colchão, numa abertura do folhelho.

Nem sabe como é que esgotou os últimos dias antes das férias do Natal, perdida no meio de exercícios de estudo e de comportamento, a aparentar normalidade, para que ninguém se atrevesse a perguntar alguma coisa sobre Sara. Só sentiu foi alívio quando viu o carro do Sr. Jaime, o motorista e capataz da quinta, que a veio buscar, farta que estava daqueles olhares de interrogação, de condescedência ou de acusação, de algo que não compreendia, que desconhecia completamente. Ó Menina Guidinha, vá-se sentando, por favor, que eu tenho de ir ali dar um recado, sim? Recado? A quem, Sr. Jaime? É a mensalidade do Colégio que o seu paizinho mandou entregar ao Reitor, eu vou e venho num instantinho. E desapareceu pelo arco da porta principal.









Nota: Acaba amanhã!!!



terça-feira, 11 de novembro de 2008

crónica de um tempo impossível # 1


No Colégio de S. Gonçalo, a vida de Margarida corria feliz. Não tinha dificuldades nos estudos, fazia amigos com facilidade e mesmo a separação da família, imposta pelo internato, já não lhe custava tanto. Ao fim de 3 anos, já se tinha habituado a embalar os meses de Setembro a Junho, em caixas forradas e organizadas, meticulosamente identificadas e separadas por tamanhos, conteúdos, prioridades e necessidades e as malas da roupa fazia-as e desfazia-as com desvelo, numa quase obssessiva divisão, primeiro por estações, dentro das estações por espessuras de tecidos, dentro dos tecidos por cores, dentro das cores por acessórios a condizer, pulseiras, colares, aneis e fitas para o cabelo.



Os cadernos, com João de Deus na capa, eram todos côr de rosa, identificados e escritos a tinta azul-anil, numa caligrafia perfeita, sem erros nem borrões e nas aulas, sentava-se sempre na fila da frente, ao lado da rapariga que, desde o seu primeiro ano no colégio, também partilhava o mesmo quarto, algumas roupas e sobretudo as confidências.


Sara era exactamente 3 meses mais nova; no dia em que se despediram dos pais, pela primeira vez na vida, e entraram naquele que iria ser o seu refúgio e local de estudo dos próximos 6 anos, deixara-se cair nos braços de Margarida, consumida num choro convulsivo e incontrolável que só acabou de madrugada. Antes do sol nascer, decidiram que ficariam amigas para sempre e riram-se às gargalhadas das suas próprias figuras, uma tão alta de cabeleira farta e loira, tão aninhada no colo da outra, rechonchuda, morena e baixinha.


O primeiro período estava quase a acabar, quando o Professor Morais mandou sair a turma toda da sala e pediu a Margarida para ficar. Com uma voz grave e ar circunspecto, disse-lhe que Sara iria ser expulsa do colégio, por razões que não poderia revelar, e que contaria com a sua discreção na altura em que, a coberto da noite, fossem buscar as malas e os pertences de maior volume e se evitassem as perguntas e os olhares curiosos.


Atordoada e incrédula, respondeu a tudo que sim, os livros e os cadernos deixou-os esquecidos na sala e disparou a correr para o dormitório onde vomitou pequeno-almoço, lanche da manhã e almoço duma vez só.
Em casa, Sara sempre fora uma miúda tímida e desengonçada. Alta e magra demais, encolhia para a frente os ombros para disfarçar o peito grande que desde os 9 anos lhe tornava a silhueta desproporcional. Na escola pública, onde aprendeu as primeiras letras, aprendeu também que as crianças podem ser cruéis e, todos os dias, começou a ter crises de histeria que lhe subiam a febre, provocavam cãimbras na barriga e enjoos que a impediam de comer e a tornavam ainda mais magra. A conselho do médico de família, e com algum sacrifício dos pais, acabou por se matricular no Colégio de S. Gonçalo, só para raparigas, muito recomendado pelo pároco que a baptizara.
E foi lá que as suas formas se arredondaram, que o loiro do seu cabelo ganhou mais brilho e que o rosto magro ganhou alguma cor, sobretudo pelo ar fresco e sol que as aulas de Ginástica obrigavam a apanhar, no ringue das traseiras do edifício.






Nota: Continua amanhã!!







segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A quem possa interessar....


......informa-se que depois de analisados os resultados das sondagens ao Bairro, sobre a extensão de uma historieta que escrevi há uns tempos, resolvi dividir a mesma em 3 posts distintos, a publicar em 3 dias seguidos, já a partir de amanhã.


Aviso já, que, mesmo assim, são extensos, por isso, apelo à vossa paciência, no caso de, mesmo com este alerta, insistirem na sua leitura.


Quem estiver mesmo, mesmo com uma paciência digna de Dalai-Lama, poderá até comentar!


Certos da v/ melhor atenção para este assunto e sem mais de momento, apresento os meus melhores cumprimentos.

Assinado: Si


Nota: Ofício publicado de acordo com as normas previstas pelo Código Civil do Bairro, com selo branco e revisão da Exma. Sra. PresidentA.

agradece-se resposta, p.f.


Cheguei.

Não há lugar para estacionar.

Bolas, lá tenho que pôr o carro ali no meio das ervas.

Ok.

Travão de mão, engatar a 1ª, desligar a chave e tirá-la da ignição.

Carteira, mala de documentos, portátil, guarda-chuva, chaves do escritório e do gabinete. Não está frio, mas visto a parka porque não tenho mãos que cheguem.

Rais parta. Pareço uma burra de carga.

Pisca um olho e depois o outro.

Está imóvel e com cara de preguiça, o que para mim quer dizer cara de gozo.

Refastelado, abrigado, preto, gordo e livre.

Nem se mexeu, quando bati com a porta.

Continuou lá, a piscar um olho e depois o outro, debaixo do arbusto que não o deixa ficar molhado, com as patas em concha debaixo do corpo anafado, a mostrar a vidinha de gato.

E nós é que somos racionais??

domingo, 9 de novembro de 2008

Ponto de (Si)tuação # 4



Querido diário,

Tal como prometi, hoje continuo a registar nas tuas páginas as minhas primeiras incursões na blogosfera.

Depois de te ter mostrado o meu primeiro comentário num blog, por convite amigo, hoje ficas a saber quem é que teve realmente culpa de que eu viesse parar aqui ao bairro. Foi o Carlos, claro, que, sem saber quem eu era, caiu na asneira de me puxar pela língua, e logo sobre um assunto que me faz cócegas na minha estirpe de tripeira: O Porto.

Deixo-te aqui, então, a conversa que surgiu depois de ele publicar esta Crónica sobre a doença que a minha cidade sofre:

4 de Agosto de 2008 16:33
Cecília disse...
Comentar este post é arrancar palavras do coração para as colar completamente às do autor deste blog.... Lembrar o Porto como ele era e contemplar agora a morbidez daqueles prédios abandonados e tão degradados, faz mesmo doer a alma e pensar que, afinal, parece que os "Eucaliptos Vermelhos" criaram raízes mais fundas e mais a norte. Claro que nem tudo tem razões políticas, mas, de facto, sem os investimentos milionários que Lisboa está habituada a guardar só para si, também não me parece muito fácil fixar as pessoas, por mais que nas suas veias corra o sangue dos mui nobre, leais e invictos...


Carlos Barbosa de Oliveira disse...
cecília: Gotei dessa alusão aos "Eucalipto Vermelhos"...mas não é só a degradação dos edifícios que me deixa triste o Porto, é também a degradação da capacidade émpreendedora dos portuenses, da sua vontade indómita em partirem para a luta. Não podem ficar à espera que Lisboa lhes resolva os problemas ( cada governo é maistralista do que o antior, não há volta a dar-lhe...), têm que os enfrentar e revitaliar a cidade. Apesar de tudo, ainda tenho esperança.
4 de Agosto de 2008 17:35


Cecília disse...
Meu caro Carlos, permita-me usar um pouco do seu espaço para fazer um comentário mais alargado:A meu ver, a vontade indómita dos portuenses continua viva, bem como a sua capacidade empreendedora; apenas não se fixa no Porto-cidade, mas sim no Porto-arredores, dando largas ao crescimento de cidades como V.N.Gaia, Maia ou Matosinhos, onde, em prédios novos e acessíveis os negócios fervilham. Aqueles que vão para outras paragens (como os engenheiros da Feup que a Microsoft vem buscar), encontram oportunidades que neste país, e muito menos no norte conseguem atingir - porque quer queiram quer não, na capital os vencimentos e regalias são muito mais apetecíveis.É por isso que acredito que os edificios reabilitados, ou construídos de novo, chamassem os portuenses ao Porto e os empresários à baixa, tal como aconteceu na própria Lisboa.É por isso que as grandes imobiliárias espanholas também assim pensam e estão dispostas a investir nessa recuperação, auferindo benefícios que aos portugueses, portuenses ou não, não são dados.E é por isso que, com todos os defeitos, o La Féria até está a fazer um trabalho excelente num edifício que todas as noites enche com gente que gosta de ver o Rivoli a brilhar, e que de contrário, estaria votado ao abandono...Exaltemos a garra, o saber, o espírito dos portuenses, mas até o mais indómito dos guerreiros necessita de uma casa para onde voltar em tempo de descanso.....digo eu, não sei....
5 de Agosto de 2008 13:22

Carlos Barbosa de Oliveira disse...
Cecília: muito obrigado pelo seu excelente comentário. Dou-lhe razão em tudo o que escreve de maneira muito competente e sabedora. Até em relação ao La Féria, imagine! Mas diga-me uma coisa: não está de acordo que o Porto perdeu o "peso" e a influência que noutros tempos teve no País?Ontem à noite estive a ler umas revistas atrasadas e encontrei uma entrevista do Rui Moreira que dizia " Há uma portofobia no país". Eu sinto isso aqui em Lisboa, como já não sentia desde os meus tempos de Faculdade!Dou por mim a defender o Porto com unhas e dentes, como já não tinha necessidade de fazer há muitos anos. Parece-me que as pessoas estão a perder o respeito ao Porto ( cidade, entenda-se...) e gostava de perceber a razão. Terá a ver apenas com o futebol? Não acredito!Se a Cecília tiver paciência, gostava de continuar a conversar sobre isso consigo. Adoro o Porto ( ainda tenho aí casa e alguns amigos), custa-me ouvir o que ouço e parece-me que há um retrocesso inexplicável. Ou serei eu que, sem me aperceber, me tornei saudosista e estou a imaginar um Porto que nunca existiu?
5 de Agosto de 2008 14:50

Cecília disse...
Obrigada pelo cumprimento, mas não escreveria assim não fora o mesmo ensejo de ver esse Porto (que existiu mesmo!!) com a alegria e movimento de outrora, com gente atrevida e desbocada, lambuzada com as "tíbias" da Leitaria da Quinta do Paço, os "cacos" da Padaria Ribeiro ou mesmo o "tintol" e a sande de polvo do "Firmino".Quanto ao peso político, nem sequer me atreverei a tecer qualquer consideração, mas o respeito, esse, perde-se, efectivamente, quando se percorre o olhar por toda a Rua das Carmelitas e se vê apenas o edifício da Livraria Lello com aspecto limpo e conservado, quando depois das 8 da noite, nos Aliados e na Praça, não há viv'alma e os únicos passeantes são mesmo os sem abrigo, os toxicodependentes e as prostitutas, ou quando damos por ela que o "Vale Formoso", onde me levaram a ver cinema pela primeira vez, e que não tem a grandeza de um Coliseu, foi, sem protestos, entregue à Igreja Universal. Não me admiraria que a "portofobia" tivesse muito de clubística, até porque as ligações entre o poder e o futebol são sobejamente conhecidas e comentadas, mas continuo a pensar que aquele "eucalipto vermelho", por si tão bem identificado, ainda é mesmo o principal suspeito da desertificação: é que, mesmo sem perceber nada de política (nem quero!!!) não consigo esquecer, por exemplo, a diferença exorbitante entre as verbas disponibilizadas para a "Expo 98" e as do "Porto Capital da Cultura", as tais, que, apesar de fora do tempo, ainda conseguiram trazer à cidade a tal "Casa da Música" e algumas estações de metro.Embora queiram que nisso se acredite, o Porto não regrediu; está mais acessível do que nunca, por terra, mar e ar: auto estradas, vias rápidas, scuds, metro, um Porto de Leixões sempre activo e um Aeroporto de Sá Carneiro que mete qualquer Portela, Ota ou Alcochete num chinelo.Só lhe faltam mesmo as pessoas...faltam os tripeiros de GEMA, que escorraçados de uma cidade degradada, se tornaram nos "gaienses", nos "matosinhenses", nos "maiatos" de hoje e a quem o Porto, infelizmente, já nada diz, nem mesmo para o defender.........
5 de Agosto de 2008 19:54

Carlos Barbosa de Oliveira disse...
Cecília: Ai o que me foi lembrar! As tíbias da Quinta do Paço, hmmmm!Quanto a cacos e digestivos da Ribeiro,sempre que vou ao Porto venho carregado. Para mim e para amigos e colegas que, assim que sabem, fazem a lista. Que inclui fogaças da Primazia, petitfours da Ateneia e uma série de outras gulodices.Quanto à desertificação nocturna . li na mesma Visão de qu lhe falei, que existe agora uma "movida" que comça no Piolho, entra pelos Clérigos e ruas adjacentes, onde existem imensos bares abertos até de madrugada, e as pax inundam as ruas a beber à moda de Espanha) Desconhecia... Confirma?Pois, tal como cá, o Porto está a desertificar-se e é isso que mata uma cidade. Quanto aos apoios governamentais - e é também aí que eu invoco a falta de peso político do Porto- parece-me lastimável. Acrdito,porém, que o problema reside nos politicos portuenses que estão a olhar mais para a forma de progredirem em Lisboa, do que em defender os interesses da cidade. Tenho uma prima que exaspera com ssas atitudes. Ocupa um lugar de grande prestígio aí no Porto, há anos que insistem com ela para vir para Lisboa, mas ela mantém-se inabalável. Como la diz com frequência, " quer por o Porto no mapa e só estando aí é que o consegue. ( Não seise é uma indirecta para mim, tavez...) Sentimentos familiares à parte, penso que o Porto precisava de mais gente como ela.Mais uam vez, obrigado por esta conversa.
5 de Agosto de 2008 23:35

Cecília disse...
Em resposta à sua questão, também desconheço a nova rota nocturna. Para mim é uma novidade, embora tenha reparado em alguns, poucos, muito poucos, restaurantes, que lavaram a cara às paredes e às montras e apostaram num serviço de requinte. Poderá tratar-se de um negócio de Verão (o dos bares), mas oxalá não seja.Quanto às guerras políticas, a meu ver, estaremos sempre "presos por ter cão e presos por não ter" - os que amam a cidade não podem dizer "amén" a Lisboa, aos que não sentem nada por ela, tanto lhes faz, desde que nos seus bolsos caia algum....(e lá está o raio do "eucalipto vermelho" a fazer sombra....irra!!!)Por isso, caro Carlos, vá por mim: reúna a clarim as assinaturas para fazer candidatar a sua prima às próximas eleições autárquicas, porque, de outro modo, não vejo jeitos.
6 de Agosto de 2008 12:33

Carlos Barbosa de Oliveira disse...
Cecília: espero bem que não seja apenas no Verão, porque seria uma forma de revitalizar a baixa, importantíssima. Desde a última vitória do Drgaão que não vou à baixa à noite, mas quando aí voltar, vou lá ver.Em relação à minha prima, não há hipótese. É empresária e é por essa via que quer continuar. De qq modo, gostaria de ver uma mulher à frente da Câmara do Porto. Elisa Ferreira- minha amiga de infância- seria em minha opinião um bom nome.


Estás a ver , Querido Diário, o que o Sr. Carlos Barbosa de Oliveira foi fazer???


Bem, não te canso mais. Prá semana conto-te como é que conheci a Patti e a Velvet. Porta-te bem, sim??


Beijinhos,


Si


sábado, 8 de novembro de 2008

adverti(Si)ng # 2



Este anúncio foi publicado em 1919, aquando da imposição da Lei Seca nos Estados Unidos da América.




Pergunta difícil: Deixariam de beber?????
Bom Fim de Semana!!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

a educação dos nossos filhos # 2



Volto hoje a reflectir sobre mais um aspecto que me tira do sério, relativamente à educação dos nossos filhos.

Tenho cá para mim, que nem me acho nem mais nem menos inteligente do que os outros, que há muito se deixou de saber o significado da palavra "R-E-S-P-E-I-T-O". Tal e qual. Assim separadinha por tracinhos, para que se possa ler, claramente lido.

E não falo apenas do respeito por normas ou regras, que esse dará para outro post, falo mesmo daquele que implicitamente existia na relação com os nossos próprios pais ou qualquer outro adulto e na relação deles connosco. Carinhosamente apelidado de "respeitinho", estão a ver??

Bom, esse conceito, em forma normal ou diminutiva, surgia repetidamente em torno da nossa educação, formando uma espécie de ilha: se nos esticávamos demais, punhamos a pata na poça e levávamos um encharcado tal, que nos fazia dar meia volta e voltar para o centro e segurança da nossa redoma.

Progressivamente, no entanto, essa ilha parece ter dado lugar a um promontório, e esse promontório já terá sido promovido a cabo altaneiro, de onde os jovens de hoje olham com desdém para cá para baixo e o comum dos mortais se acanha com os impropérios que lhe chovem em cima.

Qualquer idoso é chamado de velho, com o sentido de coisa inútil e embaraçante de passos mais rápidos, os deficientes mentais são pancados, os professores gajos e as professoras gajas, boas, que apetecem comer ou filhas da outra que não valem um das Caldas, e os pais e as mães sem título, na melhor das hipóteses, tratados pelo nome próprio.

A evolução na altitude de atitudes está também directamente relacionada com os equipamentos digitais de última geração, que no diz respeito ao Respeito, ajudam à missa, diferenciando nuns míseros 20 anos, aquilo que demorou mais de um século a conquistar pelas gerações anteriores. Confusos? Eu explico:


Situação A - A moça, já com 16 anos feitos, respira fundo e ensaia, vezes sem conta, o pedido para, ao domingo à tarde, ir, com as irmãs, dar uma voltinha até ao café do quarteirão, aguardando a resposta, em silêncio, enquanto a mãe deita uns olhos compreensivos ao pai que, por sua vez, demonstra muitas dúvidas em aceder.

Situação B - O puto, acabadinho de sair dos quinze, entre duas músicas que houve no I-Pod, na sala de aula, resolve responder por SMS ao amigo refastelado na cadeira, duas filas atrás, que para ir à beach party dessa noite só precisa de passar por casa, onde os pais não estão, para pôr um bocado de gel no cabelo, até porque há muito que não dá satisfações a ninguém.

Pergunta difícil: qual destas situações revela a actualidade?

Não espero pela resposta e vou directa ao assunto. Eu nem me considero assim tão velha, pela minha palavra de honra que não me acho nem mais nem menos do que outros pais, quem me lê aqui no Bairro sabe que tenho uma filha de 17 anos mas nunca, mas nunca mesmo, lhe admiti qualquer coisa que se parecesse sequer com faltas de respeito fosse a quem fosse. Mais. Nem vou admitir, quer ela tenha 17, 30, ou 50, se lá chegar para a ouvir e, em caso de necessidade, que Deus me dê força para mesmo com osteoporose, artrose, reumatismo ou até Parkinson, lhe pregar um valente estalo nas trombas, porque Mãe dela, nunca deixarei de ser!


Nota: Pronto, já sei, não tarda vou ter uma tal de tarjeta de conteúdos impróprios, tipo lanterna vermelha no alpendre, a classificar esta minha humilde casa, por apelo a castigos físicos às criancinhas, mas não se preocupem, também já tenho um post preparado sobre isso...





quinta-feira, 6 de novembro de 2008

hino aos ARES de outono



Cara Vizinhança,
Deitei-me esta madrugada, já passava das 4 horas, num esforço complexo de composição musical, inspirado pelas actividades rotineiras de um dia de outono, numa casa daqui do Bairro, que alberga uma figura de relevo na blogoclasse política.Sentada ao piano, acompanhada à guitarra e de pauta na mão, escrevi esta letra que deve ser trauteada com a melodia, que eu também escrevi, e que foi abusivamente apropriada por um senhor.., ai ...., como é que ele se chama???......Godunha?....não.....Gordinho??....também não.... ai, ajudem-me.....o quê??? ahhhh, sim, pois, Godinho, Sérgio Godinho, é isso...(eu lá consigo fixar o nome do raça do homem?? ninguém sabe quem ele é, humpf!)

Afinem-se os contraltos, aqueçam-se os tenores, perfilem-se os barítonos e um, dois e três e quatro, todos em conjunto:



Com um friozinho nos ossos



E a cara corada



Fechaste a porta ao ar



Trazias a chavena de chá



Passeando de cá para lá



A arrefecer para não te queimar



Conheço tão bem esses ossos



E nunca me enganam



O que é que aconteceu diz lá



É que hoje moeu-me a artrose



E coisa mais dolorosa no mundo não há



É que hoje moeu-me a artrose



E coisa mais dolorosa no mundo não há



Com um friozinho nos ossos



Metemos o carro



Na garagem do nosso T2



Ou seja fizemos hipotecas



Trocámos torradeiras



Torrámos pão duro os dois



Trocámos de roupa



Trocámos pantufas



Trocámos de mantas, a azul p'la marron



E com um friozinho nos ossos



Trocámos samarras



Que estar bem quente é tão bom



E com um friozinho nos ossos



Trocámos samarras



Que estar bem quente é tão bom



E o que é que foi que ele disse?



E o que é que foi que ele disse?



Hoje vou ficar rouco



Hoje vou ficar rouco



Hoje vou ficar rouco ( + 5 vezes)



Passa aí mais um bocadinho



Que a chaleira já tem pouco



Este frio é tanto



Este frio é tanto



Este frio é tanto ( + 5 vezes)



Portanto



Vou ficar rouco.
Adenda, que nada tem a ver com o post supra, mas que dá jeito:
Caros Vizinhos,
Para já, para já, agradeço os comentários feitos a esta inspiração insidiosa e brincalhona que me fez alterar a letra da autoria de um grande músico português, ao ritmo a que me batiam os dentes de frio.

Depois, e em rescaldo de eleições americanas, peço-vos AJUDA numa sondagem à boca das urnas para um assunto cá para casa. É que há tempos, escrevi uma historieta que gostava de publicar aqui, só que, para respeitar o máximo de palavras que normalmente uma pessoa tem de paciência para ler, neste formato, a coisa dá, no mínimo, para 3 posts....

Pergunta difícil: Preferem tudo de uma vez ou corto aos bocadinhos???

As vossas opiniões serão muito muito bem vindas e a ajuda preciosíssima!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Big Johnny


Vai-se chamar João.

E nem tinha nada a ver com o Santo, porque a ter, teria de ser António, que se comemora no dia em que nasceu, naquele ano de 1984.

João Pedro.

Já estava decidido o nome, quando espreitou o mundo pela primeira vez, num berro que lhe encheu os pulmões de ar e acompanhou o choro da mãe, feliz pelo nascimento do seu primeiro filho.

Sempre foi anafadinho, rechonchudo, com ar traquina, que o cabelo claro e espetado reforçava. Dos netos o segundo, de rapazes o primeiro, conquistando, por isso, um lugar um bocadinho mais especial no coração dos avós paternos que, ainda por cima, viviam muito perto e se ofereceram para o criar.

Cresceu rápido, saudável e maciço, embora com tendência para um certo excesso de peso, que o divórcio dos pais também não ajudou a corrigir, quando comia um pouco a mais, quem sabe para compensar a tristeza de não os ter juntos.

Não gostava de sopa, não gostava de peixe, dispensava a fruta, mas era capaz de beber um litro de leite, directamente do pacote, e fazer desaparecer num ápice metade da bola de queijo flamengo que, mesmo sabendo da sua gula, a avó lhe comprava e deixava à disposição, no frigorífico, só para ele.

Porque era o neto e para os netos, sem distinção, só servia o melhor, como antes, para os filhos, só o melhor sempre servira.

Apesar do tamanho, João tinha um falar doce, uma conversa meiga e paciente, uns ouvidos atentos às histórias tantas vezes repetidas nas tardes que sempre preferiu passar à beira da avó, enquanto o avô dormia a sesta no quarto ao lado, até porque a escola não era o seu forte e também não gostava de estudar. Chumbou duas ou três vezes, mas nem por isso era posto de parte pelos colegas que avançavam no plano curricular e muito menos pelos mais novos, que se sentiam protegidos por aquele grandalhão loiro, de cabelo cortado à escovinha.

Começaram a chamar-lhe "Big Johnny".

Contavam-lhe segredos, faziam-lhe confidências, pediam-lhe conselhos, colavam-se àquela personalidade afável, calma e ternurenta e partilhavam com ele o gosto pelos graffitis.

A família nunca entendeu muito bem que espécie de passatempo era aquele, que usava sprays de lata para cobrir paredes alheias, nem o Big Johnny também nunca se preocupou muito em explicá-la. Gostava e pronto. Mas, e por princípio, nunca usava espaços novos para lhe fazer de telas, nem tão pouco usava os seus materiais para vandalizar com assinaturas e dizeres incompreensíveis, portões, montras ou paragens de autocarro. Preferia paredes velhas, abandonadas e degradadas, que trazia à vida com os desenhos coloridos que lhe saíam dos esguichos das latas.

Aquela, já ele andava a namorar há algum tempo. Era perto da escola, numa perpendicular estreita à Torrinha, fachada de um prédio em ruínas, antiga fábrica destinada à demolição. Num furo do horário escolar, juntou os compinchas da arte e meteu pés a caminho e mãos à obra.

Depois disso, ninguém sabe muito bem o que se passou. Só que, por razões que nunca se virão a conhecer, subiu à cornija da parede e as telhas envelhecidas cederam ao seu peso, abrindo o caminho para uma queda vertical de nove metros, onde a cabeça chegou primeiro do que os pés.

Foi no dia 28 de Maio de 2003.

O dia em perdi o meu sobrinho mais velho.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

(Si)tuações


A casa estava em silêncio.

A noite cobria os pecados e aumentava o desejo.

Um toque, uma carícia, um beijo,

dois corpos que se uniram em consenso.

O homem sobre a mulher, num abraço sentido,

uma porta que se abre, sem ruído,

passos indeléveis, de criança estremunhada,

que observa, sorrindo, a meiguice trocada

e decide, já em vôo:






MOCHE À MÃÃÃÃEEEE!!!!!








domingo, 2 de novembro de 2008

Ponto de (Si)tuação # 3


Querido Diário,
Três semanas depois de ter vindo morar para esta casa, comecei a pensar se não seria engraçado, e enquanto a memória não me falha, registar nestas tuas folhas brancas, os primeiros passos que dei, do lado de cá da blogosfera.


Tudo começou com o convite que o Victor me lançou para comentar no blog que ele lançou. Sou sua amiga há muitos anos e, sabendo o período difícil que está atravessar, não me importei nada de lhe fazer a vontade, muito pelo contrário, até porque ambos partilhamos o gosto pela escrita e já não seria a primeira vez que líamos e criticávamos rabiscos com que um ou outro se lembrava de sujar uma folha de papel. Além disso, ele sempre demonstrou um sentido crítico muito apurado e cheio de sentido de humor, pelo que, logo vi que dali iam sair coisas interessantes.


O "Gosto de Ti Assim", foi o primeiro blog que visitei na vida e sem instruções de como funcionar com aquilo (e o "aquilo" era mesmo só deixar o prometido comentário!!), andei às aranhas e finalmente consegui. À laia de "desgarrada", em vez de deixar uma ou duas frases de concordância, discordância ou indiferença, espalhei a todo o comprido da caixa um possível seguimento ou justificação para o post que ele escrevera, de tal forma que, quando, orgulhosamente, o mostrei à A., um reprovador "Ó Mãe, isso não é um comentário, isso são praí 10 ou 15", saiu-lhe pela boca fora e eu fiquei estarrecida.


Só que o mal já estava feito e publicado, e não havia volta a dar-lhe, por isso, encolhi os ombros e disse para mim que o dono do blog até não haveria de se importar muito, que o texto até estava engraçadito e que me tinha dado um gozo valente escrevê-lo.

É esse texto que eu te vou aqui deixar, lembrando o 1º comentário que fiz num blog, a propósito de um post intitulado "O Tuningueiro":

Depois de alguma pesquisa, acho que descobri o ramo darwinista dos ascendentes dos "tuningueiros".No nosso tempo (sim, porque já lá vai algum), tinham um nome diferente: Pertenciam àquela sub-espécie de "Tonis" e "Zézés", cuja actividade económica principal residia na venda de azeite; aos molhos, aos kilos, às paletes!!Se há grandes diferenças, as semelhanças, são, no entanto, bem evidentes:Cada folículo capilar, rigorosamente empastado com "brilhantina" sebosa, mas com patilhas cabeludas e negras de "Restaurador Olex"; as camisolas justas, sim, mas com grandes colarinhos de fora, à "aviador"; correntes também: de ouro, grossas, penduradas ao pescoço, emergindo pelo meio dos fartos cabelos do peito, onde, ainda se vislumbrava a tatuagem azul, em forma de coração, com a inscrição "Amor de Mãe". As calças só eram diferentes na largura: se os "tuningueiros" as preferem de ganga e justas, os seus antepassados gostavam de "terylene" e largueza: especialmente nos fundilhos, à boca de sino; e daqui espreitavam os sapatos. Não botas à cowboy, mas, mesmo assim, sem dispensar o formato bicudinho, polidinho, envernizadinho, e com um tudo nada de tacão.Dos apêndices articulados que lhes pendiam do final dos braços, uma característica marcante: a unha do dedo mindinho, descomunal e amarela, multifacetada na utilização: limpa cerume, limpa sarro de outras unhas, indispensável para desembaraçar da sopa os pelos do bigode.Finalmente, encandeado pelas lentes espelhadas dos "Rayban" da FIC (Feira Internacional de Custóias), qual ADN mitocondrial, que liga estas duas espécies, surge o antecessor de todos os equipamentos "tuningueiros": o rádio de plástico, encardido nas ranhuras, a pilhas não alcalinas nem recarregáveis, colado ao apêndice auditivo, enquanto berra um faduncho do Marceneiro.É altura para citar o velho mestre: mudam-se os tempos.......
12 de Julho de 2008 0:40


Então, que dizes, Querido Diário?? Não tenho mesmo emenda, pois não??
Beijinhos,

Si

P.S. - Só para terminar, esqueci-me de te dizer, que lá no blog do Victor tinha assim uns títulos, do lado direito, sublinhados por baixo. Um deles dizia "Crónicas do Rochedo" e não é que dava para clicar e tudo.....???

sábado, 1 de novembro de 2008

faltam 3 dias!!


Faltam exactamente 3 dias para um grande acontecimento mundial.


Não que as eleições americanas me afectem particularmente ou pessoalmente, mas, neste mundo doido, vou ter que me juntar aos milhões que escorrem baba pelos cantos da boca em frente ao televisor, esperando nervosamente o resultado, relativamente ao novo ocupante da Casa Branca, sob pena de me acusarem de insensível, distraída, aérea e inconsequente, pela importância desmedida que no futuro isto possa ter.


McCain ou Obama??


Huuuummm...se me aparecesse um daqueles génios que concedem 3 desejos por lhe termos esfregado nas costas, mas os desejos estivessem condicionados a este assunto, provavelmente pediria o seguinte, dada a minha impressionante bagagem em macro-economia: 1- que ganhasse o Senhor que fizesse com que o dólar baixasse o mais possível em relação ao euro, de maneira a eu poder voltar a passar lá umas férias mais ou menos baratas e em sítios giros. 2 - o Senhor que fosse para lá também deveria fazer todos os esforços para manter serenas as suas finanças e não fazer muitas aldrabices no mercado, para ver se a Europa não mexia muito nas taxas de juro, ou melhor ainda, que as mexesse para baixo, para ver se me sobra mais dinheiro ao fim do mês para ir jantar fora, comprar sapatos, roupas da nova colecção e outras necessidades imperiosas; e por último, 3 - que o próximo Presidente dos Estados Unidos da América seja um Senhor porreiro, pá, que não se meta em assuntos que não lhe dizem respeito nem arranje mais dores de cabeça ao planeta com guerras frias, quentes, mornas e intermináveis e deixe as torneirinhas do petróleo quietinhas, para não irritar os picheleiros indecisos que ora as deixam a jorrar em torrente ora lhes cortam o fluxo que sai às pinguinhas. (PICHELEIROS, sim, porquê?? Aqui no Norte é a mesma coisa que CANALIZADORES, ora essa!!)


Dado que tenho o terrível vício de roer as cutículas e os cantos dos dedos para não enfiar o dente nas unhas arranjadas, eis que encontro, no entretanto dos resultados finais, um passatempo que partilho convosco.


Cliquem no link abaixo e divirtam-se, fazendo malabarices com o rato do pc, enquanto se vingam daquele que, com toda a certeza, não irá ocupar o lugar em Washington.











Bom fim de Semana!!!