sexta-feira, 13 de novembro de 2009

maravilhas do meu Porto # 2

Fotos minhas, Porto 2009

Já são raras as vezes que a Baixa do Porto se me oferece assim com tanto encanto, a fervilhar de gente, tripeiros de gema, que falam alto e gesticulam, espalhando em redor o sotaque carregado de sons orgulhosamente característicos, que um dia me ensinaram a não pronunciar. E então, abro os ouvidos e deixo-me espraiar naquela graça das consoantes trocadas, das palavras acentuadas a meio, de ãos transformados em oums e terminados em -he ou -hem surdos, tão inconfundivelmente genuínos como quem os solta, Ó Bánessa, olha-me que o galoum-he 'tá muito quelaro, filha, bota-me aí mais um bocado de café-hem, e penso no desdém com que se olha para esta e outras falas, tão poucos que nós somos e tão ricos e diversos, nestes pouco mais de 700 quilómetros de rectângulo à beira mar plantado.
Conto mentalmente quantos conseguirei identificar, e concluo que, do minhoto ao algarvio, do açoriano ao madeirense, passando pelo transmontano e pelo alentejano, não há região que não tenha o seu próprio linguajar musicado ao ritmo das suas tradições e raízes, mas temo pelo dia em que eles se percam e com eles a nossa própria identidade.
Termino o meu moléte prensado com queijo e chamo, sorrindo, pela Bánessa, a quem nem me incomodei de pôr o e assumo o meu bairrismo incontido, clamando pela especialidade da casa: Traga-me 4 pastéis de carne, pra lebár, se fáxabore!



18 comentários:

salvoconduto disse...

O binte, o binte! Eu andaba sempre a correr atrás do binte! Não perdoo a quem acabou com ele.

paulofski disse...

E faxabôre de serbir esses pasteis bem quentinhos carago ou ainda bamos ter muito que conbersare.

Que benhaum de lá esses mouros bisitare o nuosso Puorto mas têm de fazêre aqui o testee quero bêre esse resultado, carago!

Sónia Costa disse...

Cum caraças, pastéis de carne. Que bouns que soum...
Não sou do Porto, mas sou de perto.

Luísa disse...

Tenho de voltar ao Porto, Si, com urgência. Apesar de o visitar regularmente, regresso sempre com a sensação de que o fiz de fugida e deixei quase tudo por ver. :-)
P.S.: O meu avô monárquico e farmacêutico assentou arraiais no Porto e o meu Pai foi aí que nasceu.

Gi disse...

Eu tãobenhe bou nessa, se fáxabôre.

Ora e dga-me cá onde se apanhom as vácinas para a gripá.

Se podíamos passar sem as pronúncias que dão cor à língua, é claro que podíamos, mas não seria a mesma coisa. :)

Gi disse...

Fiz o teste que o Paulofski aqui pôs e deu-me:

Tripeiro nato
Você é um homem/mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-lo com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros a volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovado com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser o rei/rainha da noite de S. João


Tenho a dizer que este teste é tão óbvio que só poderia ser feito por alguém do Porto, balhamedeus!

Só não percebi o que queria dizer exútico e núdoa, mas pronto! :D

CPrice disse...

Gostei tanto da sua cidade, Si. :) Visitei com detalhes de "malvadez" com a princesa há três anos em que vimos tudo, tirámos fotografias a tudo, encantámo-nos com a simpatia das gentes da Ribeira e com a imponência dos edificios da Baixa, andámos quilómetros a pé e comemos lindamente. Eu já conhecia em visitas com os Pais mas quis apresentar-lha :))
E desde então, sempre que olhamos o album desejamos voltar*

Gostei imenso de ler este seu apontamento
Beijinho

paulofski disse...

O bigiinha, aqui naum se trocaum apenas os bês pelos bês, óbiu!

Andreia disse...

Nunca fui ao Porto uma falha imperdoável que tento reparar antes do Natal!

Pitanga Doce disse...

Se assim é aí, imaginas aqui que há milhares de sotaques! Quando estive em Lisboa com a sobrinha ela divertia-se comigo porque eu ia a dizer de onde eram os brasileiros que escutávamos falar nos restaurantes, supermercados e até no Elevador de Santa Justa.

Almoçamos num lugar chamado Casa da China e havia lá uma menina a servir á mesa e por fim eu lhe perguntei: "Você é do Ceará, não é?" E ela: "Sou sim. Como a senhora descobriu?" hehehehe

E bibóó Puorto, carago!

de dentro pra fora.... disse...

Olha ela também gosta de ir a Paulista...ao tempo que lá não bou

Lúcia disse...

Adoro o Porto. A luz, a cidade, as ruas, os cheiros... nem sempre foi assim. Vou lá muitas vezes, até porque estou bem perto, e nunca acho rotineiro. E consigo ver sempre coisas novas!

fugidia disse...

Pois vou ai, de novo, amanhã, para um casamento (em que, creio, vai chover «a potes» - mas boda molhada, boda abençoada... dizem): já lhe disse que os cinco irmãos mais velhos nasceram e vivem no Porto, Si?
Pois é, e não se imaginam a viver em Lisboa :-D

Um excelente fim-de-semana :-)

Filoxera disse...

Hmmm...!
Bom apetite!

Dulce Braga disse...

Saudade da sua cidade!:)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Atão eu cum tanto trabalho a fazer o Dicionário lá no Rochedo para que a nosa língua tripeira num se perca e a bizinha bem-me dizer que bai acabar? Num pode ser, canudo!

Turmalina disse...

Adoro o sotaque da língua do B.
É cantado e é sonoro...acho graça...
Aqui a língua é bem trabalhada e no interior paulista muitas vezes esticada em casos como Porrrta, Porteeeeira, Ceeerto.
Na verdade adoro os sotaques.
Adoro a forma como falam em Pernambuco e na Bahia.
No Sul também cantam ao falar.
Gosto das diferenças...e dos pásteis..r.sss...

Si disse...

Turmalina,
Seja bem vinda.
Os sotaques são, para mim, a beleza maior de qualquer língua, ainda por cima, não sei porquê, mas tenho um ouvido apuradíssimo para eles e apanho-os a todos em dois tempos!