domingo, 22 de março de 2009

confissões de domingo



Confesso que não tenho tido grande disponibilidade para blogosferar.

Confesso que me têm passado ao lado grandes textos que gostaria de ter comentado, onde gostaria de ter marcado presença porque me fazem sorrir, reflectir ou emocionar, logo eu, que não gosto de perder a oportunidade de dar opiniões sobre qualquer coisa.

Confesso que tenho lido na diagonal alguns outros, que em simples frases, originais ou citadas, me tocam no momento certo, sem, porém ter tempo para as disfrutar.

Confesso que me surgem imensas ideias, à velocidade do pensamento fugaz, para logo se irem, sem ter tempo de as apontar.

Confesso que escrever e ler o que os outros escrevem, me faz falta e me alivia a consciência de não conseguir abrir as páginas de um livro sem acabar por adormecer, sem me distrair com o som de qualquer coisa, sem ler vezes sem conta a mesma frase, logo eu que há tão pouco tempo (será que foi há assim tão pouco???) lia tudo o que me aparecia à frente, mastigando letras como se de cérélac se tratasse.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, dirão, a velocidade a que hoje vivemos não se compadece com paragens, mordomia de quem tem o tempo por sua conta, de quem tem sempre tempo para parar.

Hoje, dou comigo, afinal, parada, a perder-me pelos olhos rasgados em rectângulo de uma janela que nos permite ver e alterar o mundo, fazer guerras e tratados de paz, resgatar espiões e contra-espiões, guiar no espaço satélites pelo meio de espirais de furacão, traçar trajectos de ondas gigantes ou espreitar o fluxo de energia do interior de um átomo. E saber o que se quiser. E procurar e encontrar o que procuramos e muito do que nunca quisemos saber. Assim. Parados. Mexendo apenas os dedos e arregalando as pálpebras para caber tanta informação, fazendo o nosso trabalho de todos os dias, sem parar, falando em silêncio com amigos perfeitamente desconhecidos, que julgamos conhecer pelos seus desabafos e opiniões que se transformam em letras, lidas pelos nossas pálpebras arregaladas.

E trocam-se emoções. E sentimos falta delas. E vivemos as alegrias e as tristezas de quem as partilha connosco. E preocupamo-nos. E interrogamo-nos sobre questões que não são nossas, de tão pertinentes e buscamos respostas para perguntas que ainda não tínhamos feito.

Estranho mundo este em que o silêncio diz tanto.


Este post é dedicado a todos os bloggers que visito e comento diariamente, aos que leio sem deixar rasto e àqueles que, desde há algum tempo tenho vindo a conhecer e a acrescentar aos meus links. A todos, agradeço a partilha.

28 comentários:

Devaneante disse...

Eu é que agradeço, pois é sempre um prazer passar por aqui.

BlueVelvet disse...

Não sei se foi a esta caixa de comentários que fui intimada.
Se não foi, passei a ser, primeiro porque ainda não tinha visto o novo layout que está mesmo a sua cara, lindíssimo, e segundo por todo o texto, mas sobretudo pela última frase:"Estranho mundo este em que o silêncio diz tanto".
Estamos entendidas, não é?
Beijinhos de mim para Si

Miepeee disse...

Andamos todos a sofrer do mesmo, na se preocupe que esta mais que absolvida :)
Beijinho daqui ate ai.

P.S.: Gosto da nova decoracao, viva a Primavera :)

Si disse...

Vizinhança: Inauguro hoje este layout, numa nova fase deste projecto, em que já não basta uma pequenina caixa para significar o que aqui deixo de mim e trazer o que colhi.
A palma desta mão estará sempre aberta, para que as palavras se soltem: as minhas e as vossas; sem amarras e sem esforço.

Pitanga Doce disse...

Querida Si, este teu último parágrafo:

"E trocam-se emoções. E sentimos falta delas. E vivemos as alegrias e as tristezas de quem as partilha connosco. E preocupamo-nos. E interrogamo-nos sobre questões que não são nossas, de tão pertinentes e buscamos respostas para perguntas que ainda não tínhamos feito".

retrata exatamente o que é ou o que deveria ser um espaço como este que dispomos aqui. Quando escrevemos a sério (ainda que às vezes a rir), quando encontramos pessoas que muito além mar (o que é o meu caso) se identificam com as nossas angústias, ou vivem situações que jamais pensamos em viver e nos põem em posição de avaliadores da vida, elas passam a fazer parte do nosso dia a dia e nos acrescentam e queremos dividir nossas alegrias.

Há dias menos bons para todos, mas muitas vezes, quando entro aqui ou em outro espaço de amigos como tu, o dia parece que fica mais leve. É como se entrássemos, não num mundo de fantasia, mas de como gostaríamos que fosse. Nós nos importamos com quem nem conhecemos e aprendemos lições.

É para isso que deve existir um blog e comentários e desabafos. Não para intervenções maldosas que por vezes vemos por aí, mas para confissões como estas que foram feitas aqui, que espero ter alcançado e compreendido perfeitamente.

"Estranho mundo este em que o silêncio diz tanto".

bom domingo Si e desculpa se "falei" demais.

beijos da Pitanga

Si disse...

Pitanga,
Falar demais nunca acontece.
Já disse que, aqui, as palavras não têm amarras.
Dão-se e recebem-se, não importa a quantidade.
Obrigada e beijinhos.

Violeta disse...

confesso que gostei de vir aqui.
bom domingo

ana v. disse...

Eu também tenho saudades do tempo em que a minha capacidade de concentração me permitia ler com música, com barulho, com gente à minha volta. Agora preciso de silêncio e calma, ou fico a ler o mesmo parágrafo vezes sem conta. leio muito mais devagar, hoje em dia. Mas olhe, Si: também já levo a vida com muito mais calma, mais alguma sabedoria, e incomparavelmente mais prazer em coisas que me passavam completamente ao lado. Nem tudo é mau no tempo a passar...
Um beijinho

Si disse...

Violeta,
Bem vinda!!
Volte sempre que quiser!
Beijinhos

Si disse...

Ana,
Eu gosto que o tempo passe, gosto de beber o que a vida me ensina e encontrar naturalmente as respostas para as perguntas que todos temos.
Só tenho pena é que o tempo não chegue e me fuja, para conseguir fazer tudo o que gosto, precisamente porque, cada vez mais, gosto de fazer mais coisas!! ; )

de dentro pra fora.... disse...

Isto de ter um blog é um bichinho que cresce cá dentro e de que sentimos a falta(já não sou só eu) quando por uma ou outra razão não podemos por cá andar seja para escrever ou simplesmente para ler, o que os nossos vizinhos e amigos escrevem. Se calhar é por se dizer tanto mesmo que em silêncio que gosto de por cá andar, e ouvir tudo me vão falando aos olhos.

Um bom fim se semana, é sempre agradavél passar em sua casa, então agora sabendo que há uma mão que nos acolhe melhor ainda...a minha também esta assim aberta, para quem a quiser sentir.

Beijinhos

Vekiki disse...

Em primeiro lugar adorei este novo aspecto da sua CaSinha. Confesso que me é muito mais agradável do que a anterior ;). Depois, este texto é tão verdadeiro. Eu também sinto o mesmo. Quando se passa um dia inteiro sem que me sente aqui a saber notícias dos meus Amigos bloggers, já me falta qualquer coisa. Já os considero todos como parte da minha vida e não gosto de ficar sem notícias...obrigada por me considerar também parte da sua Família virtual.
Um grande beijinho
Bom Domingo!!!

Si disse...

De Dentro,
É o silêncio mesmo que nos contagia...
Obrigada.

Si disse...

Vera,
O seu espaço é um onde muitas vezes passo em silêncio. Leio-o todos os dias, mas os pensamentos e as palavras que se soltam por lá, deixam-me muitas vezes sem palavras para comentar, pela reflexão que exigem.
E não é favor nenhum considerá-la desta família virtual. Pelo contrário.
Beijinhos

salvoconduto disse...

Uf, estava a ver que hoje não chegava cá! E até que valeu a pena, encontrei aqui uma mão aberta! Vir aqui também é um privilégio.

Boa semana.

Patti disse...

E como eu disse no meu post de aniversário: “As razões que nos prendem aos textos, aos temas, aos amigos, às visitas, aos comentários, às trocas e emoções são muitas, imensas e tão diferentes para todos nós.
Mas uma é igual, a partilha. A partilha de algo muito nosso, que no 'papel' flui muito mais naturalmente do que no nosso dia-a-dia. (…) Dividimos partes de nós, algumas íntimas até, com pessoas que nunca vimos, não sabemos quem são, não conhecemos de parte nenhuma. E depois, surpresa das surpresas, entendem-nos, identificam-se, comovem-se, falam e riem connosco”!

Ora a falta de tempo para blogesferar, não é assim?
Penso que isso quando acontece nos primeiros meses de um blog, sentimo-nos mais, porque ainda há muita coisa nova para explorar, descobrir e partilhar. Também escrevi posts deste género nos primeiros meses.
São os primeiros tempos, a novidade, a identificação, a empatia, o falarem connosco e nós com alguém. No seu caso, vejo que mais, porque o trabalho a preenche imenso e o blog é um escape muito relaxante.
Comigo foi tal e qual, postava todos os dias, sem falhar e passeava por aqui de fio a pavio. E isto torna-se realmente um vício; é instantâneo e muito difícil de controlar, visto todos nós termos um pc na frente, seja em casa ou no trabalho. Não vivemos sem ele.
Este mundo dos blogs é sem dúvida fantástico, eu gosto muito, mas também me apercebi que me roubou outras coisas. Descaradamente.
O meu tempo de leitura, principalmente.
Porque os dez minutos em que eu dizia que vinho ao teclado, depressa de se transformavam em uma hora ou mais. E deixava de ver uma série da Fox, ou de ler mais e principalmente de escrever.
E mostrou-me outra coisa, que é muito difícil postar todos os dias, de uma forma que me agrade sempre.
E foi quando eu disse: alto lá! Eu quero postar, mas nunca o farei só por fazer.
Assim como não comento só por comentar e nunca leio os outros só para marcar visita e ganhar um comment.

Encontro-me numa nova fase, mais consciente a meu ver e mais realista. É a evolução das coisas, senão para mim pouca coisa faz sentido. O que procurava há uns meses e o que recebia já não é o mesmo que procuro agora. Senão estagno.
Agora estou mais calma, menos ansiosa com os posts, mais preocupada em descobrir a escrita que não sabia que tinha e que me dá grande prazer, mesmo que depois passe lá alguém e leia o post na diagonal.
Isso foi o que de melhor os blogs me deram, a descoberta. E estou muito mais selectiva naqueles que escolho ler, mesmo que não comente.
Continuo a ler, escrever, pensar, a fazer tudo no meio de barulho e confusão, sempre me abstraí disso.
Mas numa coisa estou como a Ana Vidal, leio muito mais devagar, por opção e aprendo tanto…

Acho que são coisas de sagitário Si, impaciência, renovação, invenção e nunca, mas nunca prisão, monotonia e obrigação.


E quem a mandou puxar-me pela língua? Já não leva a Kelly bag!

Lindo o layout novo.

Si disse...

Patti,
A nova fase deste projecto passa exactamente por aí.
As palavras que por aqui se deixarem não terão mais amarras e cá chegarão sem esforço.
O exercício reflexivo de lidar com elas, assim o definiu, a refreaer a imapciência sagitariana...
Beijinhos

Luísa disse...

Si, eu já ando por estas paragens há quase quatro anos, mas continuo com o mesmo entusiasmo. Às vezes, preciso de um intervalo, porque tenho algumas «brancas» imaginativas. Mas continuo, pelas razões que tão bem descreve nos três últimos parágrafos, que são também as minhas razões. A «virtualidade» do meio não me apoquenta, porque sei bem que são pessoas reais com que me estou (embora de uma forma nova, moderna, à século XXI) a «corresponder», a trocar ideias, a confiar segredos e emoções e a criar afinidades intelectuais. E gosto muito da companhia que me fazem durante algumas horinhas por dia.
Eu é que agradeço a partilha, Si. :-)

once disse...

gosto deste novo ar, Si .. mais acolhedor foi o que imediatamente pensei :)
Quanto à partilha, sou recente neste círculo que vou descobrindo diariamente (ainda que em horário puramente laboral e daí não ter vindo ontem) :) mas tenho para mim a teoria que "em gostando" do que leio, sentindo a sintonia necessária para reler .. fico leitora. :)

Obrigada por esta confissão.
É estranho sim o mundo em que o silêncio nos diz algo, mas é válido, enquanto a mensagem passar.

Votos de uma boa semana *

Gi disse...

O blogue está tããzãããõ lindo! :D

Antonio saramago disse...

Confesso, que a minha vontade é como a de um BURRO para roer ferro!!

Fenix disse...

Obrigada amiga!
Os teus textos são sempre excelentes e eu confesso exactamente os mesmos pecados que tu!
Passo por aqui imensas vezes sem deixar rasto...
Não é justo, porque gosto sempre do que leio, porque me faz bem e sinto a falta destes espaços e destas palavras. Tal como dizes.
Como uma pequena demonstração do meu gosto pelo que por aqui leio e sinto venho dizer-te que tens presentes aqui.

Beijinhos
São

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Parece que a crise, além de outras coisas, também nos está a tirar o tempo. Padeço do mesmo mal e detesto, mas como diz o povão, "quem não trabuca, não manduca".

Luis Eme disse...

estranho mesmo, Si...

Filoxera disse...

Este silêncio é de ouro. É o silêncio comunicante. Acabamos por nos identificar com este ou aquele, por admirar esta ou aquela, por rir do que alguém escreve, por nos emocionarmos.
Beijinhos.

Fatima disse...

Este mundo virtual tem muito que se lhe diga!

http://simecqcultura.blogspot.com/

Dulce disse...

Si, um excelente texto, um apanhado de tudo o que se passa (suponho) com grande parte dos "blogueiros"...
Em muitas partes de seu texto vejo refletida minha imagem, exatamente como me sinto, penso...
Beijos

Dulce disse...

Si, falava de como gostei de seu texto, de como me vi nele, mas acho que na hora de enviar dei um comando esquerdo (rs) e o perdi.
Mas repito que gostei muito pois reflete talvez o que sente a maior parte dos habitantes da blogosfera.
Beijos e obrigada.