domingo, 18 de janeiro de 2009

ponto da situação # 14

Querido Diário,

Faz por esta altura 1 ano que estive em Londres. Nunca tinha visitado a capital inglesa e aproveitando uma promoção fabulosa da Ryanair, agarrei no maridinho e, por 2 cêntimos, para cada um, comprei as passagens aéreas, ida e volta - só as passagens, porque de taxas de aeroporto foram logo 60 e tal EUROS, mas isso agora não vem ao caso - rumando à terra de Sua Magestade, numa visita relâmpago de 2 dias, porque os outros dois foram para as viagens.
O Hotel escolhido, situado num belíssimo bairro victoriano, ficava a escassos metros do Hyde Park, onde estava prometido cumprir-se o ritual de uma corridita ao Domingo de manhã e, no entretanto, fomos visitando o circuito turístico habitual.
Londres é, de facto, uma cidade bonita, de monumentos imponentes e conservados, que se destacam, orgulhosos, dos prédios de tijolo 'burro' que proliferam após a reconstrução que apagou as marcas da destruição inflingida pelos bombardeiros nazis. O rio Thames espalha a todo o comprimento um espelho de águas caprichosas e lamacentas, onde repousam as bases de 12 pontes, como a Millennium ou a Tower Bridge, todas possíveis de apreciar em poucos minutos num mini-cruzeiro, que também nos aproxima mais de estruturas tão diferentes como um vaso de guerra da II Guerra Mundial ou o gigantesco London Eye, uma roda de 100 metros de altura, que leva cerca de 45 minutos a completar cada volta.
Em Londres, tudo é excessivamente caro. Na minha opinião, estupidamente caro, se tomarmos como bitola as 2 libras e meia que exigiam por cada meia hora (exacta, contada pelo Big Ben) de assento nas cadeiras do Parque, junto ao 'Speaker's Corner' , local de livre concentração para ouvir discursos de uns quantos 'iluminados', que falam sobre qualquer coisa, desde que a moeda caia no sítio certo.
Mas este quadro não ficaria completo sem uma última pincelada referente à 'Queensway' e à sua amálgama cultural cuja grandeza é inversamente proporcional ao tamanho da rua: em pouco mais de um quilómetro, esta curiosa artéria londrina, consegue oferecer todo o tipo de restaurantes e de comércio de todo o tipo de artigos, colocados à nossa disposição por todo o tipo de pessoas das mais variadas raças, credos ou religiões. Mais interessante ainda, em Queensway não se consegue ouvir falar inglês pela rua...parece que naquela milha se despejou o conteúdo aproximado de uma versão homo sapiens da Arca de Noé, tão a ver? Muçulmanas trajadas a rigor, que seguem os maridos dois passos atrás enfiadas em burkas de tecidos lisos, negras equatoriais de panos garridos, traçados no corpo e na cabeça, bamboleando os quadris numa cadência dormente para a criança que transportam às costas, indianos sikh de turbantes perfeitos e barbas longas, acompanhados das mulheres da mesma casta e saris a condizer, ou ainda asiáticos, que trabalham em montras faceadas à rua, exibindo a sua destreza no desmanche de vários patos gordurosíssimos ou que surgem repentinamente à superfície dos passeios, vindo das profundezas das cozinhas subterrâneas.
É claro que ainda vi muito mais de Londres, naqueles aspectos turísticos de que toda a gente fala, quando se vai a este reduto de uma das monarquias mais poderosas da Europa, mas, sabes, Querido Diário?
O resto, hei-de contá-lo mais para a frente, agora quero poupar as tuas páginas para dar voz a outras letras. Mas o prometido é devido, e um dia volto ao assunto, sim??
Até Domingo, Querido Diário!!
Beijinhos,
Si
(Hiperligações: fotos da net - na altura ainda não tinha 1 blog para me eximir com a câmara....)

5 comentários:

João C. Santos disse...

são poucas as vezes que retomo o assunto...

Miepeee disse...

Sera que li bem? 2 centimos?? Onde e que a Si anda a ver essas coisas?
Ainda nao conheco Londres, quem sabe este ou para o proximo ano.
Um beijinho e resto de um bom domingo.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Tem piada que já fiquei uma vez nesse hotel!
Como sabe, vivi bastante tempo na Queensway ( já falámos do assunto)e subscrevo o que escreve, embora nos anos 70 fosse mais picaresca.

Gi disse...

Aposto que demorou 24 horas para chegar a Londres!
Deu a volta ao Mundo, ou quase...

Si disse...

Miepeee e Gi,
As viagens custaram mesmo 1 cêntimo cada, o que, ida e volta, dá 2 cêntimos por cabeça.
As taxas de aeroporto é que foram os tais 60 e tal euros para cada um, mas, mesmo assim, valeu a pena.
Descobri esta promoção nos sites de viagens que ando sempre a cuscar e que fazem busca por todas as companhias aéreas para encontrar os voos mais baratos.
Não demos a volta ao mundo, foram directos do Porto, para um aeroporto secundário de Londres (claro!) só que os horários é que foram muito tardios para a ida e muito cedo para a vinda, daí não os podermos aproveitar para a estadia.
Para quem tiver um pouco de paciência e, sobretudo, puder fazer as coisas com bastante antecipação, conseguem-se oportunidades muito boas, por isso, toca a cuscar!