quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

amizades, de A. a Z.


Já duram quase há uma vida inteira. Há gente que morre antes disso, mas nós não. Crescemos, apenas. A altura em que a enfrentaremos demorará a chegar, espero eu, e aí ainda teremos forças para nos despedirmos, porque, como sempre, estamos presentes nos momentos mais importantes das vidas uns dos outros. Não importa a distância, o número de vezes que nos falamos durante o ano, as marés revoltas que enfrentamos, ou as pessoas que conhecemos no entretanto. Somos e pronto. Os da companhia, os da conversa, os das calinadas, os da maluquice, os da choradeira, os piegas, os do riso às gargalhadas, tão altas que toda a gente olha para nós, os da serenidade, os do respeito, os do desabafo, os do chama-me quando for e sempre que for preciso, porque eu estou lá. Sempre.
Ainda se lembram? Claro. Como poderíamos esquecer? Como poderíamos não lembrar que éramos mais novos que os nossos filhos quando nos conhecemos? Como poderíamos não ter presente, na memória de longo prazo, o que vivemos nessa altura, já todos juntos, como namorados, depois indo aos casamentos uns dos outros, que fizemos questão de tornar inesquecíveis, depois pais, com a filharada toda atrás e que entretanto passou para a frente, tão amigos entre eles como nós, a caminhar rapidamente para o abrir das asas? E as diferenças entre nós, na nossa pele, nos nossos cabelos, nas nossas medidas, que não as vemos de tão continuamente juntos, de há tanto tempo estarmos ligados uns aos outros, que até demos tempo a que se completasse um ciclo inteiro nas tendências da moda, com as nossas crias a vestirem-se como nós na idade deles? Já viram que agora, como na altura, se vestem calças de ganga muito justas, os leggings estão na berra e as ombreiras a crescer? Até dá vontade de rir, algo que fazemos muito, sempre que nos juntamos. Será que estamos velhos? Não, não creio, mais crescidos sim, mais maduros também, mas sobretudo, mais amigos do que nunca, cada vez mais certos desta amizade que nos liga há quase 30 anos.
De A. a Z.




16 comentários:

salvoconduto disse...

O problema são mesmo os anos, alguns deles vão desaparecendo.

Miepeee disse...

Fantisco conservar amizades assim. Nao tenho amigos de infancia :(
Beijinho.

pedro oliveira disse...

Tenho saudades de alguns amigos,daqueles que nos marcam e que estão longe ou infelizmente já partiram.

Gi disse...

São tão boas estas amizades; também as tenho! Perdi todas as da infância (menos 2), devido à guerra.
Perdi uma da adolescência (porque morreu precocemente), mas ainda me restam algumas, que se contam pelos dedos de uma mão.

Patti disse...

Eu tenho duas amigas íntimas desde os 4 anos e outras duas desde os 9. Falamos praticamente todos os dias, como irmãs.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Infelizmente, as voltas da vida separaram-me cedo da maioria dos meus amigos de infância. Espalhámo-nos pelo mundo e os que ficaram em Portugal vivem aí no Porto.
É com alegria que os reencontro quando vou ao Porto com tempo ( como vai acontecer na próxima semana) e recordámos tempos idos. A verdade, porém, é que vivemos em mundos diferentes, porque tivemos diferentes percursos e construímos diferentes histórias de vida.
Mesmo assim, foi extraordinário ter reencontrado dois deles através da blogosfera!

Antonio saramago disse...

A Vida são dois dias não é? E dá muitas voltas também, cada um tem de fazer a sua vida, muitas vezes deixando para tráz uma outra vida que foi vivida com muita alegria e amizades e vai-se começar do nada sem se saber se voltamos a ter amigos como os que deixámos para tráz, mas haverá sempre um dia de regresso, haverá sempre um reencontro, não com todos, mas com alguns e aí nos regosijamos e lamentamos.
Enfim! A porca da nossa vida é isto mesmo!!!

paulofski disse...

Aquelas amizades de infância amigos de rua, companheiros de aventuras e conquistas que a memória preserva e não permite que os esqueçamos. Já separados pelo tempo e pela vida, felizmente ainda nos vamos comunicando, e justificamos uns aos outros a ausência nos aniversários dos filhos que nos têm permitido o reencontro.

Si disse...

Vizinhança,
Estas amizades são ultra especiais até nos nomes. Dois casais, com nomes exactamente iguais, eles os A's, elas as Z's.
Sou uma privilegiada!

1/4 de Fada disse...

E às vezes estas amizades são mais importantes que a própria família! Conheci uma das minhas melhores amigas aos 8 anos e a outra aos 15 - uma delas é como se fosse minha irmã.

Borboleta disse...

Ainda bem que vejo que existem pessoas que conseguem ter essas amizades!

Infelizmente eu não tenho...saltei muitas vezes de escolas e todas em locais bem diferentes (coisas da vida) isso dificultou as coisas, no entanto mantenho amizades que não enchem uma mão de pessoas do meu 9º ano (se não me falha a memória 14/15 anos).

Fico feliz por mantê-las e principalmente por ter essas amizades!

sol disse...

Parabéns por este lindo texto.
Verdade, hoje os jovens estão a usar o que nós usamos com muito orgulho na adolescência.
E as amizades, mesmo que longe de nós, sendo verdadeiras, lembramo-nos sempre delas.
Beijinho
cantinhodacasa

Filoxera disse...

Lindo! Comovente...
Um beijo.

BlueVelvet disse...

São lindas estas amizades.
Não tenho muitas, mas as que tenho, somos amigos até debaixo de água.
E uma é como minha irmã.
Belíssimo texto.
Beijinhos de mim para Si

Ka disse...

Ainda hoje tive a almoçar com duas das pessoas que melhor me conhecem :)

Estou uns anitos atrás mas ainda hoje constatamos as 3 que falamos já às dezenas de anos atrás e de repente nos apercebemos da longevidade da nossa amizade :)

Beijocas

Fatima disse...

Si também eu tenho amigos de há muitos anos. Há mais de 30.
É tão saboroso!
Curioso que há 30 anos que passamos o fim de ano todos juntos.

http://simecqcultura.blogspot.com/