sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

em tempo de crise

Fernando Pessoa
(Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)


Nota: Fernando Pessoa escreveu este poema, no chamado 'período de crise' da sua criação literária. Aqui fica o registo do resultado das suas reflexões, num tempo em que não é só a criação literária que está em causa, mas que necessita do mesmo tipo de afirmações.
Como diria uma vizinha.... 'bora lá???

17 comentários:

BlueVelvet disse...

Gosto muito deste poema embora ache que já tenho castelos que cheguem.
Agora apetecia-me mais começar a coleccionar barcos.
Contudo, lamento informar que segundo os entendidos em Pessoa, este poema, embora sendo-lhe atribuído não é dele e desconhece-se o autor, parecendo ter influências de Kipling e Neruda, mas desconhecido assim mesmo.
Acha que a Patti me nomeia Vice??
Beijinhos de mim para Si

Sónia disse...

Deixar de ser vítima dos problemas. Era isso que muita gente devia fazer.

pedro oliveira disse...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência." Esta é a mais pura das verdades.


p.s: Cara vizinha peço-te que divulgues este evento no teu cantinho e pelos teus contactos:
http://vilaforte.blogs.sapo.pt/88110.html

Devaneante disse...

Falta muito neste mundo quem queira construir castelos... e não será por falta de pedras!

Devaneante disse...

PS: Não pude deixar de reparar na coincidência:

http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/01/mensagem-da-minha-amiga-maria.html

Si disse...

Velvet,
Os entendidos em Fernando Pessoa não impedem que este poema seja tão considerado da sua autoria que até é objecto de estudo e análise na disciplina de Português do 12º ano...
De qualquer forma, quem quer que seja o seu autor, revela uma forma de pensar que a todos deve servir de exemplo, principalmente nos tempos que correm.

Patti disse...

Sou de letras, sempre fui e sempre vou ser. Números não são comigo.

Ando a reler a poesia desse senhor e dos seus heterónimos. Uma edição do Campo das Letras, de poesias escolhidas pelo Eugénio de Andrade, do Fernando Pessoa.

O meu preferido continua a ser, vinte e tal anos depois, o homem mais simples, Alberto Caeiro. Aquele "Guardador de Rebanhos" é qualquer coisa de único.

Quando relia alguns Poemas Inconjuntos do F.P., dei de caras com o último poema da sua vida, que foi ditado pelo poeta no dia em que morreu e fiquei tão irritada por me ter esquecido, estes anos todos, que ele tinha ainda 'escrito' aquelas quatro maravilhosas linhas.

Só se escreve assim uma vez.

Si disse...

Devaneante,
Foi de facto uma coincidência, dado o facto de não conhecer o blog indicado no link e ser apenas a 3ª vez, desde que tenho este blog, que publico textos que não são da minha autoria.
De qualquer forma, agradeço o reparo, que me deu a conhecer outro espaço e outro autor que se preocupa em deixar mensagens positivas no seu blog. Todos somos poucos.
Volte sempre.

Si disse...

Patti,
Fernando Pessoa foi-me 'apresentado' quando fiz o 12º ano e adorei toda a sua poesia, desde a 'Mensagem' até cada um dos heterónimos. Sempre pensei nele como uma pessoa fora do comum, capaz de definir outros 'eus' com uma clareza impressionante. Agora está a ser a vez da minha filha se encontrar com as letras dele e está a ter a mesma reacção.
Alberto Caeiro, o Mestre, também foi sempre o meu preferido.

P.S. Esse poema de que fala, o último, essas 4 linhas, não conheço, ou pelo menos não me lembro. Não quer partilhá-las aqui??
Agradecia imenso!

Patti disse...

Transcrito tal e qual como vem no livro:

LAST POEM
(ditado pelo poeta no dia da sua morte)

"É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada."

Fenix disse...

Gosto muito deste texto e da lição que dele se extrai.
Também já o tinha lido e comentado no blogue que o Devaneante referecia, mas como concordo que todos somos poucos para lutar por esta causa, venho aqui juntar a minha voz e a minha concordância.

Também nesta linha, do apelo à vida, publiquei hoje Sacudindo a terra...
.
Este não é um pensamento meu, mas podia ser.

Porque eu penso assim..., como se pode ler no meu texto A uma Pessoa Linda…
.

Temos que olhar o lado bom das pessoas e das coisas e "agarrarmo-nos" a isso para ultrapassar as coisas menos-boas.

Parabéns pela colocação do texto!
Abraço
Fenix

Gi disse...

Pronto. Já cá estou.
Fui um bocado às bolhas da Patti para me acalmar de não poder aqui entrar.
Já estava em crise.
Há uns que teimam, em tempos de crise, em construir castelos de cartas.

paulofski disse...

Não sou muito entendido em Pessoa, nem em nada mais, no entanto as suas reflexões são um lema a seguir por muito boa gente.

Bom fi-de-semana

1/4 de Fada disse...

Mais coincidências interessantes, Si :) Conhecia este poema, durante bastante tempo pensei que fosse eradamente atribuído a Pessoa e também foi agora através dos meus filhos que descobri que é estudado no 12º ano. Já aquele de que a Patti fala desconhecia por completo.

Reflexos disse...

Da minha primeira visita, fiquei fã do seu blogue.
Já está nos favoritos.
PArabéns.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Erro meu, má Fortuna? Não sou muito entendido em Pessoa Gosto da poesia dele,mas sinto-me incapaz de desestruturar um poema, de o analisar para além daquilo em que me toca.
Já li bastante sobre a vida dele, mas a sua personalidade nunca me fascinou. Espero não ser expulso do blogobairro por proferir tamanha heresia, mas é a verdade.
Será porque "o poeta é um fingidor"?

sol disse...

Por que havia de ser expulso do blogobairro? A Si é uma pessoa compreensiva e sensível.
Nem todos(as) podem gostar de Fernando Pessoa.
Actualmente está a ser o poeta muito "escrito" aqui na blogosfera.
Si gostei deste lindo post.
Tenho aqui em casa alguma poesia dele, vou arranjar um tempinho, estou na fase de correcção de testes e final de uma formação, e vou re(ler) este grande poeta.
Beijinho
cantinhodacasa