sexta-feira, 31 de outubro de 2008

a educação dos nossos filhos # 1


Sinceramente, há coisas que não entendo.



Se calhar sou muito retrógrada, muito exigente ou vivo noutro planeta.



Mas não me conformo.



O futuro do nosso país está em jogo, todos os dias, a todas as horas, em cada minuto que passa e mais uma criança nasce neste jardim à beira mar plantado, que de jardim já pouco tem, pelas ervas daninhas que proliferam, se passeiam orgulhosamente e crescem desmedidamente sem que ninguém lhes atalhe as raízes com uma boa sacholada.



Olho para a esquerda e vejo grandes discursos do alto de um palanque, olho para a direita e vejo do alto de um palanque grandes discursos. Só para a frente é que me toldam a visão e o turvo desse tempo que ainda não chegou, preocupa-me. Muito.



Como mãe que sou, então, a preocupação torna-se em angústia e a angústia em pânico. E não é para menos. A educação (com letra minúscula e a outra, com letra maiúscula) dos nossos filhos, torna-me azeda e descrente na esperança do melhor que gostaria que fosse deles.



Vou ter que reflectir sobre ela e nas várias vertentes que me baralham os neurónios. Talvez daí saiam alguns posts, talvez ao escrever consiga ordenar as ideias, talvez os comentários que possam daí surgir me façam retomar a fé ou provocar o seu desabamento definitivo.



Vou dormir sobre o assunto e, quem sabe, sonhar, na cumplicidade do meu travesseiro, com aquilo que conscientemente não consigo descobrir.







12 comentários:

BlueVelvet disse...

Si,
infelizmente não sou a melhor pessoa para lhe dar esperança, já que não consigo engolir a raiva de me ter separado meu filho para ele ter um futuro melhor, do outro lado do oceano.
Oxalá não tenha que passar por isso.
Beijinhos de mim para Si

Antonio saramago disse...

Sem dúvida que nós como Pais,Mães ou Encarregados de Educação, temos de proicurar sempre o melhor para os nossos Pequenitos.
FAZEMOS DAS TRIPAS CORAÇÃO e muitas vezes inglóriamente, mas desde que saibamos de que tudo fizemos, não nos podemos julgar culpados pelos maus seguimentos daqueles que sabemos ter Educado com todo o empenho.
Um dos grandes entraves está precisamente em os jovens quando já começam a ter uma definição de futuro, terem sempre a incerteza se vão ou não conseguir os seus objectivos.
Estamos numa Época em que tudo é uma incógnita e por muito que lutemos para e por eles (filhos)nunca sabemos o que daí vai adevir.
Companhias, influências, más experimentações, etc. tudo isso nos faz andar sempre com o coração nas mãos.
Já diz um velho ditado...
É TUDO O QUE TEM DE SER!

Patti disse...

É realmente um tema que foi falado várias vezes por mim lá no Ares, a Velvet também já a ele se referiu e no Rochedo também. Acho qeu foi ai que nos conehcemos, Si!
Das opiniões e comentários que trocámos dessas diversas vezes pareceu-me sempre estarmos em sintonia, mas a maioria está noutra onde, mesmo que muitas vezes afirme o contrário.

Si disse...

Patti,
Foi aí, sim, num debate intenso consigo, a Velvet e a Fada, alojado na caixa de comentários do Rochedo.
E é por esses aspectos, mas também por outros, que entretanto, surgiram, que fico enxofrada e com a raiva a sair-me pelos poros com tanta força, que tenho que a descarregar neste bloco de apontamentos sem linhas.

Gi disse...

Ui, a educação dos nossosfilhos, Si!
É esperar que a terra seja boa e que as sementes que nós, diariamente, lançamos cresçam amparadas e dêem flor e fruto.
Por enquanto estou feliz com a Educação que dei aos meus; muita deseducação e vício de costumes grassa por aí, só espero, e vou constantemente relativando, que eles tenham os alicerces que lhes permita chegar onde querem sem pisar ninguém.

Si disse...

Gi,
As várias vertentes da educação deles estão a ser constantemente abaladas nos alicerces.
Não é um assunto novo, mas vou dedicar alguns posts a temas específicos, que definitivamente me tiram do sério, porque já ninguém leva nada a sério.
Se o entender, gostaria muito de ouvir as suas opiniões nesta caixa de comentários.
Obrigada.

Si disse...

António,
Infelizmente o tempo em que nós tínhamos a certeza de tudo ter feito pelos nossos filhos acabou. Todos os dias surgem novos desafios, novos obstáculos, novos perigos que nem nós adultos estamos preparados para enfrentar, quanto mais os mais novos.
E não pode ser "o que tem que ser": não aceito isso, não posso aceitar.
E é sobre tudo isto que vou ter que reflectir, em alguns posts que irei deixando por aqui.

P.S.Obrigado pela sua visita diária.

Si disse...

Velvet,
Conheço essa dor que tem, e, quem sabe, terei que a sentir também dentro de pouco tempo. A ver vamos.
Beijinhos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Engraçado que tenha sido à volta deste tema,tratado no Rochedo, que se tenham encontrado. Se calhar, foi aí que começou a nascer este blog...
A minha análise das questões educativas passa simplesmente pela escola e pela ligação que mantive a ela enquanto formador, numa primeira fase, e como jornalista posteriormente.
Saliento, porém, que àparte as questões surgidas em anos recentes e suscitadas pela actual ministra, a querela em volta do sistema educativo é profundamente geracional. Tenho enorme respeito por muitos professores, tenho muito pouco por aqueles que ex cathedra tomam medidas que influenciam a vida escolar dos jovens e condicionam a sua formação como adultos. Transformare a escola em cobaia, jogo de vaidades ou prepotência não me parece serio.
Como não sou pai, não arrisco a falar sobre as culpas que, em muitos casos, também lhes atribuo.

Si disse...

Carlos,
A sua opinião será sempre bem vinda e preciosa, sendou ou não pai, tendo ou não tido influência na vida de jovens, na sua condição de formador.
Para já este foi um desabafo, outros virão sobre aquilo que por mais se discuta, não consigo aceitar.
O seu lugar é cativo, como sabe...

Tretoso Mor disse...

Si,

É complicada a situação.

Mas como eu tenho normalmente um pensamento positivo, acabo por reconhecer que actualmente, embora o sistema de ensino, o ambiente e as oportunidades em Portugal se estejam a degradar, o horizonte de actuação e hoje em dia muito maior que era no meu tempo. Ou seja, há 25/30 nos atrás, estava confinado ao interior deste rectângulo à beira-mar plantado, quer no âmbito académico, quer profissional.

Hoje em dia já não é assim. Por força da minha vida profissional, tive de trabalhar em vários países e acabei por ficar com uma dimensão espacial, muito para além das nossas fronteiras.

Compreendo que não seja fácil para nós, pais, termos de nos separa dos nossos filhos. Mas eu encaro isso como normal. Até porque hoje em dia, acaba por tão caro ter de me deslocar dentro da Europa para uma visita, do que tivesse de fazer para o interior de Portugal.

Tenho uma flha que entrou este ano na faculdade e uma das coisas a que a estou já a mentalizar, é para abrir a mente e preparar-se para trabalhar e, eventualmente estudar em qualquer parte do Mundo.

Em suma, não me apoquenta o facto de terem de sair daqui para encontrar o seu poiso. Apoquenta-me sim, tal como a ti, o facto de o terem de fazer por necessidade e não por opção.

Coragem.

Tretices solidárias para ti

http://tretas-da-vida.blogs.sapo.pt/

Si disse...

Tretoso,
Como sempre, um comentário oportuno, sereno e realista.
A dor, ou melhor, a saudade que eu irei sentir no caso da minha filha sair do país para ir para a faculdade tirar o curso que gosta, não é, de facto, o que mais me enraivece.
O pior para mim é o que se está a fazer do futuro deste país, espelhado em cada lei estupidificada, em cada projecto de analfabetizar os que o vão gerir, enfim, uma série de coisas que me estão entaladas no gasganete e que irei desabafar neste meu canto.
Obrigada pelo comentário de hoje e pelos que aqui quiser deixar sobre este assunto ou outro qualquer. Volte sempre.