quinta-feira, 27 de maio de 2010

há mails que dão um post # 4

MUITO IMPORTANTE

Aviso para mulheres que almoçam sozinhas

Definitivamente estes tipos não se tocam!
Queridas vizinhas, passei por uma situação muito incómoda hoje, com uma amiga minha.
Corri a contar-vos, para poderem ter cuidado, pois pode acontecer o mesmo convosco.

Estávamos sentadas a almoçar, numa mesa do restaurante que sempre frequento, e dois homens vieram sentar-se à nossa mesa.
Lançámos-lhes um olhar gélido, mas eles simplesmente ficaram ali, impávidos a olhar para nós. Ora, isto acabou com o nosso almoço.
Descaradamente, pus a mão esquerda sobre a mesa, para verem que sou casada, e a minha amiga também fez o mesmo, mostrando que não tínhamos interesse nenhum por eles.
Por sorte, eles perceberam a nossa dica e saíram, mas eu consegui, discretamente, tirar-lhes uma fotografia com o telemóvel!

Aqui vai a fotografia, como aviso - para o caso de eles tentarem o abuso de se aproximar de alguma de vós.

Ai, as coisas que me acontecem... Que aborrecido!


(recebido por mail)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

irra, o que é demais é moléstia!!


Tento estar o mais distante possível da política.

Recuso discutir isto ou aquilo, as certezas de hoje que são descaradas mentiras amanhã, as afirmações bombásticas, transformadas em negações peremptórias num piscar de olhos, as convicções partidárias batidas a punho, em peitos afinal tão volúveis e deslumbrados.

E chego a ignorar telejornais, a evitar sujar os dedos na imprensa escrita, a baixar os decibéis do volume do rádio em hora de noticiários, a desviar o olhar das gordas que gritam dos escaparates dos quiosques.

Por isso, nem sequer comento os erros desta ou daquela governação, os pactos, os pedidos de desculpa, as moções de censura, os delírios de obras públicas, os inquéritos parlamentares, os negócios e negociatas, a existência, no nosso panorama político, de esquerdas, direitas, centros, centrões, republicanos ou monárquicos. Nem quero. Cada um sabe de si, que acredite no que quiser; eu por mim já não me iludo e os rótulos tanto se põem como se tiram, à vontade do freguês.

E este post também não apresenta soluções milagrosas, não recorre à intervenção de nenhum Professor Bambo, nem tão pouco analisa economico-financeiramente as consequências da politização das decisões públicas, face aos nossos parceiros da Comunidade Europeia (acho que li isto em qualquer lado).

Este texto serve, apenas e só, para vos deixar a pergunta seguinte:

vocês sentem-se bem no papel da menina que está no cimo deste post?

domingo, 16 de maio de 2010

alguém a viu?

(clique para aumentar a imagem)

Foi vista pela última vez algures no início do ano, acompanhada pelo Tempo, pela Disponibilidade e pela Paciência.

Informações sobre o seu paradeiro, aqui, na caixa de comentários

domingo, 9 de maio de 2010

fair-play - do Porto, com amor


Já dei, pessoalmente, os parabéns aos meus amigos benfiquistas.
Merecem. Rivalidades à parte, são gente boa.
E fiquei tão contente com a conquista do campeonato, que fui comprar-lhes um presente:
Esta dúzia de saquinhos, onde podem guardar os cachecóis, a partir da próxima época: um por cada ano.
São tão lindos, não são?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

cidade da minha vida

(Castelo de Praga)

(Em Fundo - 'Across the Stars' - The City of Prague Philarmonic Orchestra)

Entrou nas nossas vidas de supetão.
Tinha-se insinuado levemente, mas à primeira oportunidade ofereceu-se toda, gritando a sua condição de mulher sábia, veneranda e sóbria; a quem poderíamos confiar cegamente a guarda do nosso bem mais precioso.
Seria?
A vetusta senhora afirmava que sim. E mostrava os seus pergaminhos, as suas rugas incrustadas em pedra polida, os seus rendilhados centenários e o brilho de dourados lustrosos, escrupulosamente mantidos com o brio de governanta ciosa.






















(Cidade velha / Mustek)

Recolhi-me numa pequena conversa íntima, coisa entre mulheres, na esperança de que o instinto inquisitivo pudesse transformar em algumas certezas as insatisfações, inseguranças e mais não sei quantas dúvidas, para as quais as vísceras, entre o umbigo e o coração nos alertam.
Em resposta, ela simplesmente abriu-me os braços, estendeu-me o colo, emudecendo-me com a fortaleza dos muros erguidos em seu redor e dando sossego às palpitações de mãe alvoroçada.

(Do Castelo, sobre a Cidade)

Serenei, portanto.
E foi com agrado que, já sem receio, pude apreciar, olhando-a nos olhos, a elegância da sua traça, a majestade da sua herança, o pulsar tranquilo da água que lhe corria nas veias.





















(Palacete da Praça do Castelo e Igreja de Tyn)




















(Igreja de S. Nicolau e Relógio Astronómico)

(Da Ponte de Charles, sobre o Rio Vltava)

(Da Ponte Mánesúv, sobre o Rio Vltava e Ponte de Charles)

Deixei-a num dia de chuva em Setembro, com o peito apertado.
Até breve, Praga, e não te esqueças de devolver aos poucos quem contigo ficou.

(Fotos minhas - Praga 2009)

Resposta ao desafio do CBO, parte II

Em tempo: Este post foi agendado antes da visita oficial do Presidente da República à República Checa. Mas fica mais rico com as fotos deslumbrantes de interiores de edifícios que o simples turista não pode visitar e que sublinham a conservação irrepreensível do seu património

segunda-feira, 12 de abril de 2010

sons da lente


... be sure to wear some flowers in your hair...




Quem quer boleia?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

inusitados de Praga

O desafio do Carlos foi o mote.
Recordar este episódio, a consequência.
Tudo começou por um 'tram' (eléctrico) apanhado na direcção oposta à devida, e à tentativa de recuperar a orientação por quem não tem nenhuma.
Ainda bem.
Pois eis que, perdidos em Praga, fomos cair no meio da produção ao vivo do novo spot televisivo da 'Rexona'...


... cujo tema central se baseava em 'Thriller' e onde os zombies, recrutados entre os transeuntes....
... se transformavam ali mesmo....

... em personagens verdadeiramente assustadoras...

... sobretudo para a actriz principal...

... cujos gritos despoletariam a presença de mais polícias-actores, também eles transformados em mortos-vivos.

O final da história? A verdade é que não ficámos para ver, tantas vezes as cenas tiveram que ser repetidas.
E talvez seja melhor assim: à falta de canais checos na Zon, para conferir o resultado, cada um dará o final que lhe apetecer, pode ser, Carlos?
O porquê de ter escolhido Praga como 'cidade da minha vida', será motivo de um próximo post

sexta-feira, 2 de abril de 2010

sexta feira santa

(foto minha - Ponte de Charles - Praga 2009)


...crucificado e ao terceiro dia ressuscitado...

Boa Páscoa, vizinhança!

segunda-feira, 29 de março de 2010

sons da lente

I feel pretty




Dou hoje início a esta parceria entre a imagem e o som.
A música vai arejando a casa, enquanto as palavras não chegam.
Do you feel pretty??

segunda-feira, 22 de março de 2010

primavera de Praga







(fotos minhas, Praga 2009)

Ó tímida lusitana, inspira-te nesta exuberância...


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

adeus, até ao meu regresso



Tomem bem conta desta casa, deste bairro e não se esqueçam de cumprir as normas para não me encherem de papelada, sim?
Eu volto, logo, logo.



Até já!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

parasimpattias # 4


Exercício: Era uma vez...

Era uma vez uma Raínha belíssima que, bordando no bastidor, junto a uma janela de ébano, se picou inadvertidamente. Três gotas do seu sangue caíram em cima da neve do beiral e ela desejou ter uma filha que fosse tão branca como esta, tão negra como a nobre madeira das portadas e tão rubra como o sangue que derramara. E assim foi. Branca de Neve nasceu com uma pele alva, cabelos de azeviche e uma boca vermelha que haveria de despertar ódios e amores profundos....

A pena caiu para a frente formando um imenso borrão de tinta, que se espalhou pelas fibras de papel de trapo. E aproveitando a sonolência do Escritor, a Protagonista escapuliu-se, deixando atrás de si pegadas minúsculas que se foram desvanecendo e encobrindo o seu rasto.
Só de madrugada deu pela sua falta. Depois de um ronco mais profundo que o despertou sobressaltado, tentou escrevê-la mas ela não apareceu, deixando-o a ele à beira de um ataque de nervos e às outras personagens num burburinho surdo de impaciência.
- Que falta de respeito! - dizia o Caçador que lhe haveria de poupar a vida
- Eu já sabia que isto ia acontecer! - sobrepunha a Madrasta-Feiticeira olhando as longas unhas - Eu é que deveria ser a protagonista e não uma criaturinha desinteressante daquelas!
- Nós nunca mais vamos conseguir terminar esta história, nunca mais... - vaticinava o Anão Resmungão, abanando a cabeça e cofiando a barba.
Irritado, o Escritor bateu com o punho na mesa e mandou-os calar. - Que mistério este! - desabafou - Precisava de a encontrar ou todo o seu esforço de criação teria sido inútil.
O Príncipe Perfeito ofereceu-se. Montado no seu alazão branco, arreado a dourados, partiria na direcção das pegadas desvanecidas, saindo pelo papel fora, num salto arriscado de várias frases, capa solta ao vento e coroa muito direita na loira cabeça.
Aterrou em cima de um livro poeirento e estacou, convencido de ter ouvido um ruído nas imediações. Decidiu segui-lo e percebeu que de lá de dentro vinham vozes alteradas, altercações, canções desafinadas, gargalhadas, palmas e assobios. Cada vez mais intrigado, embrenhou-se por uma frecha das páginas carcomidas, descobrindo, por entre casulos vazios de traças, um caminho secreto que o haveria de levar quase até à lombada. Habituado que estava a viver em palácios faiscantes, teve alguma dificuldade em se adaptar à escuridão daquele covil e, mais ainda, em acreditar naquilo que os seus olhos iam vendo.
O vinho, despejado para dentro de grosseiras canecas de barro, corria a rodos, servido por gnomos submissos vestidos apenas com aventais de carneira; no piano, de saia arregaçada até à liga e sapatinhos de cristal espalhados pelo chão, Cinderela ensaiava uns acordes com os dedos dos pés, entre duas baforadas na comprida boquilha; esvoaçando sem controlo e visivelmente alterada na sua capacidade de raciocínio, a Fada-Madrinha espalhava feitiços aleatórios pela ampla sala, onde já pululavam coelhos encartolados, grasnavam gansos de oiro e coaxavam sapos reais. Rapunzel, soltava risinhos histéricos, divertida a fazer tropeçar os gnomos que se esgueiravam por entre as mesas com louças encasteladas, laçando-os como bezerros nas suas próprias tranças; e ao canto, iluminada pelo spot-light, Branca volteava-se sensualmente no varão, de body-verniz e botas-plataforma a condizer, lançando beijos em forma de coração a uma plateia ávida de lhe provar aqueles lábios encarnudos.
Acabara de se apoiar numa coluna, para se manter em cima das trémulas pernas e evitar sucumbir ao quase desmaio, quando Branca reparou nele. Calmamente, deslizou pelo varão, recolheu as notas que lhe estendiam, escondendo-as no decote, e saiu do palco bamboleante, pelo meio dos protestos cavernosos do seu maior fã, o Gigante Fi-Fó-Fum.
Sem rodeios nem desculpas, explicou ao Príncipe a razão da sua fuga: elas, as Protagonistas e Personagens Mágicas de Boa Índole dos Contos de Fadas, estavam saturadas de serem as boazinhas, as bonitinhas, as mártires da perfeição e das moralidades; e então aquilo de viverem felizes para sempre com o mesmo ricaço, deixava-as tolhidas para enfrentarem a eternidade, compelidas a cumprir apenas os destinos alheios.
Balbuciante e pouco convincente, ele ainda lhe falou dos deveres, dos compromissos assumidos, da dependência de outras personagens, da alma criativa do Escritor, mas Branca estava irredutível: saíra daquele filme para não mais voltar.
Desesperado, o Príncipe utilizou um último argumento. E então as crianças? Como ficariam elas se a magia não existisse nas suas vidas, se o bem não vencesse sempre o mal, e a felicidade fosse tão somente algo efémero?
Branca vacilou; afinal elas eram o seu ponto fraco. Suspirando resignada, aceitou regressar, mas com uma condição: a cada doze meses exactos, todas se voltariam a reunir naquele mesmo local, para viverem, por um dia, as suas próprias fantasias.
Pois desde aí, e caso nunca tenham reparado, há sempre uma altura no ano em que os pais deitam os filhos mais cedo e os filhos adormecem mais tarde, porque as histórias simplesmente não acontecem, excepto num livro poeirento e carcomido que nunca se deixou ler por ninguém.

Eu prometi que iria sacudir sacudir o vosso imaginário.
Que terá feito a Patti para o conseguir?


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

marquem na agenda


Chega amanhã mais uma 4ª feira.

A primeira, de um mês novinho em folha, a estrear.

Nesta edição, prometemos sacudir o vosso imaginário.

Quem quiser estar presente, inscreva-se na caixa de comentários.

Plateia, balcão ou camarote?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

desabafo



Já não me bastavam as privações da outra, para me fazer sentir pecadora, gulosa desmedida, depravada compulsiva pelo sabor retemperante de um doce bem doce, com nome de playboy.
Já não me bastava o espelho acusador pelos abusos lambidos na ponta dos dedos e migalhas espalhadas sem culpa.
Já não me bastava o olhar crítico do cadeirão do escritório, a quem proibi os gemidos de aflição.
Estraçalhava eu um Twix Noir - edição limitada - quando recebi um telefonema a avisar-me: já és tia-avó, de um D. Rodrigo de 3,200 kg.

Agora digam-me: com provocações destas, quem é que resiste?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

assassina de massas


A luta foi titânica.
Enfrentando sozinha um batalhão de centenas de guerreiras armadas até aos dentes, julgou vacilar perante o inusitado confronto. Ainda por cima a uma segunda feira de manhã, meios entorpecidos que ainda estão, os sentidos e os instintos de defesa.
Num primeiro olhar, em volta do seu território, tinha reconhecido a guarda avançada das invasoras, mas desvalorizou; seriam batedores, apenas, peões enviados pelo inimigo, rapidamente esborrachados e repelidos com um estalar de dedos.
Enganou-se.
Do nada, acossadas pela chuva que lhes destruira o âmago do quartel, desataram a brotar em magotes; demonstrando a força hercúlea de levantar várias vezes o seu peso, espalharam-se por todo o lado, trepando, escarafunchando, insinuando-se nos mais recônditos locais e, credo!, obrigando a concluir que de muito pouco serviria uma agigantada figura perante tantos e minúsculos Davides.
Em pânico, sacudiu, partiu para a estalada e o murro esmagador, mas não resistiu e clamou por ajuda, quando descobriu, no centro de comunicações, um núcleo duro de guerreiras entrincheiradas, na guarda da próxima geração!
A mim!, gritou, a mim!, que as comichões já me sobressaltam!
Armado de panos molhados e químicos em pó, o socorro finalmente chegou, pelas mãos da fiel Praça de serviço, que se abateu sobre elas, com a fúria de uma explosão nuclear.
Sobre a secretária, inúmeros corpos inanimados de reticências mexeriquentas sublinharam a culpa: tinha-se tornado numa assassina de massas, mas só assim debelara a maior revolta e invasão de que o seu térreo gabinete se lembrava.
Paz às suas almas...

... de pança cheia com as migalhas dos éclairs Quinta do Paço.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

lista de fim de semana

Mantas, edredões, almofadas, pantufas, aquecimento central, banhos de imersão, sacos de água quente e pijamas fofos.
Pequeno almoço na cama, leite a escaldar, compotas e torradas com manteiga derretida.
Assado no forno, vinho bom e sobremesa doce.
Sesta no sofá, a cabecear para o ombro do lado.
Conversa de chacha, gargalhadas, mimalhices e preguiça aos montes.

Não me esqueço de nada, pois não?

Nunca mais é Sábado!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

dela o início, meu o final # 2

Era uma vez um conto que começava aqui:

E pronto. Foi esta semana. Entrei em provação alimentar.
Asneiras saborosas, excessos nutritivos e pecados calóricos serão esquecidos durante alguns meses. Deixarão assim de ter lugar no meu prato.
Mas sabem tão bem...o que me custa, sabem lá vocês.
Bom, reza a lenda das dietas, que sempre que alguém decide retomar o saudável caminho da contenção nutritiva, muitos hidratos de carbono sofrem verdadeiros percalços nas suas excessivas vidas.
Soube em tempos de um suculento bife do lombo com ovo a cavalo, ser rejeitado numa mesa durante um almoço de amigos, por se apresentar demasiado gordo. Ora acontece, que nessa mesma tarde o suculento naco, finalmente decidira pedir em casamento a mão da bela sericaia com calda de ameixas. Assim, a sua não admissão à mesa dos convivas revelou-se num real desastre amoroso.
O bife não mais admirou a sua sericaia. Os seus olhares não se trocaram. Os seus pratos nem se roçaram. E os seus aromas sequer se misturaram. Uma tragédia quase fatal, aquela refeição.
Não fora o inestimável préstimo da sua companheira e amiga de tantos anos, a batata frita caseira às rodelas, mais o tinto da casa e a airosa broa de milho, que logo se dispuseram a encontrar solução para o funesto desencontro, jamais os dois amantes se voltariam a refeiçar.
Vai daí, resolveram...

e continua assim:

Vai daí, resolveram acertar talheres e lima-limar arestas que pudessem acidular ainda mais o azedume duma Sericaia desiludida na esperança de encontrar aquele que poderia vir a ser o prato forte dos seus dias futuros.
Desde que ele faltara ao encontro, andava com os azeites; impaciente, irritada, desleixada até, na correcção da tez amarelada por retoques de pó-de-açúcar. E por mais que a tentassem mimar com banhos de hortelã e infusões de flor de amendoeira, a sua doçura inata desaparecera, dando lugar a uma aspereza citrina difícil de engolir, mesmo para aqueles que tão bem lhe queriam.
Os esforços conjuntos dos aliados esboroavam-se em migalhas e, num estado depressivo evidente, a outrora bela Sericaia, definhava e amofava-se.
Foi quando, de repente, surgiu na sua vida o Tecolameco.
Esquivo, finório, tratante e gingão, apaladava-se junto de sericaias inocentes ou encharcadas mal amadas, ganhando-lhes a confiança e fazendo-as sentir autênticos toucinhos do céu, que logo devorava sem complacência.
E ela caíra nas suas garras. Com uma paixão tórrida, caramelada e insana, possuída de gritos gemados de volúpia, sempre que era por ele tocada, ultrapassando largamente, em cada encontro escaldante, a temperatura do seu tão delicado ponto de pérola.
Se outros fossem, encolheriam os ombros e virariam a espátula.
Mas eles tinham prometido, e, assim, a BFC, o TC e a BM, que já tinham praticamente desistido de tentar reunir as vidas e os corações dos seus amigos, acharam estar na altura de proceder a uma intervenção drástica.
Sabendo do seu fraquinho por qualquer rabo de fios de ovos, combinaram com uma sinuosa Lampreia, daquelas profissionais, que se fizesse de frágil e abandonada, junto do Tecolameco, para acicatar o seu espírito volúvel.
Meu dito, meu feito.
Num forno-bar de má fama, o predador Tecolameco bloqueou logo o radar sobre a Lampreia fingida, e os seus avanços lúbricos foram imediatos e impiedosos, sem que se apercebesse minimamente, que todas as manobras do seu cerco iam sendo devidamente registadas pela última geração de câmaras espias, que o isco levava escondida num botão-cereja do vestido amarelo.
Completada a encenação, e quando o pseudo-galã estava plenamente convencido do sucesso de mais uma conquista, preparando-se já para chegar a vias de facto, eis que a Lampreia interrompe a sua exibição preliminar de bíceps, com uma sonora gargalhada e um menear de anca desprezativo, deslizando pelo quarto fora e deixando um Tecolameco seminu, perplexo e incrédulo.
Rodeada dos seus fiéis companheiros, a Sericaia viu o filme todo; quase desmaiava. E de raiva incontida, ingeriu de uma vez só 350 gramas de açúcar, que lhe devolveram finalmente a doçura tradicional.
Daí a o seu coração voltar a bater pelo bife do lombo, foi um instante, a reconhecer a sua fidelidade e firmeza de carácter, um segundo, a escrever-lhe uma mensagem apaixonada, um momento, apenas. Remoçava, renascia e concluía, ela e o seu amado eram confeitos um para o outro e nada, nem ninguém mais os impediria de se refeiçarem, ela de branco véu de claras, ele de tenro fraque, saindo da igreja a cavalo no ovo……
E assim foi, de facto. Com a bênção das freiras Clarissas.
Do Tecolameco, pouco mais se ouviu falar. De quando em vez surge, ali para os lados do Crato, todo trôpego, com um grão de bico na asa, a falar, meio entaramelado, de uma Sericaia Encantada e de uma Lampreia Embruxada que lhe ferveram o coração.
Chegam a ter pena dele, dizem, mas deixam-no ir.
'Conforme fizeres a tua cama, conforme nela te deitarás' - afiançava a minha avó.
E tinha razão.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

thank God is friday!! # 2





O rendez-vous com o Senhor do post abaixo é hoje. Quem não marcou consulta, fica a ver navios...


Bom Fim de Semana!!