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sábado, 1 de janeiro de 2011

dia mundial da paz


Nunca é demais tentar.
Com um pouco mais de esforço sincero este ano?

terça-feira, 22 de junho de 2010

porque se aproxima o dia H





(Shotgun Histology for Medical Study - Duodenum)

Façam muitas figas ou deixem-me a shotgun a postos


segunda-feira, 19 de abril de 2010

cidade da minha vida

(Castelo de Praga)

(Em Fundo - 'Across the Stars' - The City of Prague Philarmonic Orchestra)

Entrou nas nossas vidas de supetão.
Tinha-se insinuado levemente, mas à primeira oportunidade ofereceu-se toda, gritando a sua condição de mulher sábia, veneranda e sóbria; a quem poderíamos confiar cegamente a guarda do nosso bem mais precioso.
Seria?
A vetusta senhora afirmava que sim. E mostrava os seus pergaminhos, as suas rugas incrustadas em pedra polida, os seus rendilhados centenários e o brilho de dourados lustrosos, escrupulosamente mantidos com o brio de governanta ciosa.






















(Cidade velha / Mustek)

Recolhi-me numa pequena conversa íntima, coisa entre mulheres, na esperança de que o instinto inquisitivo pudesse transformar em algumas certezas as insatisfações, inseguranças e mais não sei quantas dúvidas, para as quais as vísceras, entre o umbigo e o coração nos alertam.
Em resposta, ela simplesmente abriu-me os braços, estendeu-me o colo, emudecendo-me com a fortaleza dos muros erguidos em seu redor e dando sossego às palpitações de mãe alvoroçada.

(Do Castelo, sobre a Cidade)

Serenei, portanto.
E foi com agrado que, já sem receio, pude apreciar, olhando-a nos olhos, a elegância da sua traça, a majestade da sua herança, o pulsar tranquilo da água que lhe corria nas veias.





















(Palacete da Praça do Castelo e Igreja de Tyn)




















(Igreja de S. Nicolau e Relógio Astronómico)

(Da Ponte de Charles, sobre o Rio Vltava)

(Da Ponte Mánesúv, sobre o Rio Vltava e Ponte de Charles)

Deixei-a num dia de chuva em Setembro, com o peito apertado.
Até breve, Praga, e não te esqueças de devolver aos poucos quem contigo ficou.

(Fotos minhas - Praga 2009)

Resposta ao desafio do CBO, parte II

Em tempo: Este post foi agendado antes da visita oficial do Presidente da República à República Checa. Mas fica mais rico com as fotos deslumbrantes de interiores de edifícios que o simples turista não pode visitar e que sublinham a conservação irrepreensível do seu património

segunda-feira, 5 de abril de 2010

inusitados de Praga

O desafio do Carlos foi o mote.
Recordar este episódio, a consequência.
Tudo começou por um 'tram' (eléctrico) apanhado na direcção oposta à devida, e à tentativa de recuperar a orientação por quem não tem nenhuma.
Ainda bem.
Pois eis que, perdidos em Praga, fomos cair no meio da produção ao vivo do novo spot televisivo da 'Rexona'...


... cujo tema central se baseava em 'Thriller' e onde os zombies, recrutados entre os transeuntes....
... se transformavam ali mesmo....

... em personagens verdadeiramente assustadoras...

... sobretudo para a actriz principal...

... cujos gritos despoletariam a presença de mais polícias-actores, também eles transformados em mortos-vivos.

O final da história? A verdade é que não ficámos para ver, tantas vezes as cenas tiveram que ser repetidas.
E talvez seja melhor assim: à falta de canais checos na Zon, para conferir o resultado, cada um dará o final que lhe apetecer, pode ser, Carlos?
O porquê de ter escolhido Praga como 'cidade da minha vida', será motivo de um próximo post

sexta-feira, 2 de abril de 2010

sexta feira santa

(foto minha - Ponte de Charles - Praga 2009)


...crucificado e ao terceiro dia ressuscitado...

Boa Páscoa, vizinhança!

segunda-feira, 22 de março de 2010

primavera de Praga







(fotos minhas, Praga 2009)

Ó tímida lusitana, inspira-te nesta exuberância...


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

isto não é vírus, é cura

Porque este Senhor é médico.
Se duvidam, vejam o seu regresso no próximo episódio de 'E.R. - Serviço de Urgência', 6ª feira, às 21,45h, no canal AXN.
Aviso: Chiliques não são consideradas urgências no 'County Hospital' de Chicago, mas aceitam-se marcações de consultas na caixa de comentários abaixo.

Patti e Rita Ferro, perceberam?
Blue Velvet, obrigada!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

dúvida metódica

foto minha - Praga 2009

Neste cruzamento da vida, que sinal deveremos respeitar?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

venham cá buscar o que é vosso, sff!!

Ora digam lá se não sou uma AssitentA muito atenta às necessidades deste bairro, ah, pois sou, nunca me esqueço de quem me acompanha o ano inteiro, vá eu para onde for e às minhas próprias custas, não ando cá a passear de saquinhos azuis, penduradinhos no pulso, ah, pois não!
E poupadinha, ããh??
É que de recuerdos só trouxe mesmos estes postalinhos personalizados do aeroporto de Milão, tax free, para ficar mais barato, todos pagos do meu próprio bolso, ah, pois é!
E até os selos foram lambidinhos com a quantidade certa de cuspo, ah, pois foram, que eu não sou de desperdícios, mas depois não tive tempo de os meter no correio, por isso peço-vos que os venham cá buscar pessoalmente.
Então, cá vai o primeiro:

Ó Gi, leve lá o seu, fáxavor....


Grande Jóiaaaaaaa!! Este é para si!!



E este é para a Velvet, pois claro...


Mais outro para a Vera;


O da PresidentA lá tinha que ser diferente...

tal como o da Annie...


e este foi escolhido a dedo para o Carlos


Que me desculpem os outros vizinhos para quem não trouxe postalinhos, mas com o salário que a PresidentA me paga, não posso fazer milagres, ah, pois não, mas não se amofinem, eu lembrei-me de todos, ah, pois lembrei, e até fiquei triste de não arranjar nenhum Berlusconizito para o Salvo, mas que hei-de eu fazer, quem dá o que tem, a mais não é obrigado, ora não é??

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

o dedo na ferida



Quem me segue desde o início, mesmo antes de ter um blog meu, sabe que em finais de 2007, por questões profissionais, estive uma semana em Shenzhen, uma cidade do sudoeste da China, fronteiriça com Hong-Kong e povoada por 14 milhões de habitantes.
O que este vídeo revela, infelizmente, não é ficção. Assisti a cenas quase iguais, apenas com uma diferença: a idosa e a estudante que as protagonizaram não faziam qualquer tipo de triagem; sentadas sobre os calcanhares, no meio da passagem aérea em frente ao nosso Hotel, aproveitavam o crepúsculo para, com menos vergonha, inclinar o balde do lixo e de lá comer directamente.
Em ambas as situações, pedimos aos nossos anfitriões que esperassem um pouco para lhes podermos comprar comida. Recusaram educadamente, porque a polícia estaria demasiado perto. Coincidência ou não, nunca mais as vimos depois disso.
E, a este propósito, pergunto: que conclusões tirar sobre a comparação entre os hábitos dos povos chineses e portugueses, uns com uma tradição milenar de espírito de sacrifício colectivo e de trabalhadores altamente produtivos, outros com rendimentos mínimos, subsídios de desemprego e baixíssimos indíces de produtividade, perante a crise financeira que se abateu sobre o planeta?

Ah! E sugiro que, antes de responderem, se lembrem primeiro daquilo que ficou na travessa e no prato do vosso jantar de ontem...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

entre este dia e o outro

passou o que havia de passar,
depressa, o tempo, pareceu voar.
e o que falta, irá demorar?
e como se mede o que irá custar?
Não sei.
Fui. Entreguei-te.
Assim, de bandeja.
Agarra o teu futuro,
e que Deus te proteja.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

a new beginning



YES, SHE COULD!!


**obrigada a todos pelas torcidelas...

(carreguem no play, ali do lado esquerdo, sim?)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

sem ninguém ver,

eu vou ali......


e já venho!

Torçam por mim, durante os próximos 8 dias, está bem???
Obrigadinho!!


sábado, 27 de junho de 2009

há mails que dão um post...# 2


Vizinhança,
A verdadeira razão porque tenho estado tão afastada da blogosfera, é mesmo esta, que só agora pude revelar, para não estragar o brilho da apoteose da Palma de Ouro do meu discípulo Salavisa.
Para abrirem este projecto ultra secreto, cliquem no link http://www.monfestival.fr e escrevam primeiro o código de utilizador - Si - e depois a password - um blog fixe
Iniciem o vídeo.
Ficarão a saber tanto como eu.
P.S. Chhhhhhiiuuuu!! Agradeço que guardem segredo!

domingo, 8 de março de 2009

Rap que é Mulher


 


é ser gaja boa e mãe desnaturada,
avó infantário e sogra amaldiçoada.
promovida na horizontal, amante do patrão,
saco de pancada, ao murro e estaladão.
cozinheira de mão cheia, lavadora de cueiros,
desinfecta sanitas e outros tantos maus cheiros,
limpa nódoas de arrotos,
com leites bolsados,
saídos de mamilos para sempre deformados.
sai de casa, é vadia, não sai, é mesmo burra,
é um amor de menina e logo velha casmurra.
é lista farta de nomes animais,
vaca, porca, pomba e outros que tais.
a que é divorciada é alvo a abater,
mas na casada também se pode mexer:
passa a ser a outra, que irá servir,
os filhos d'outra ainda, que os há-de parir.
decotes e saias são mera provocação
toma lá, estavas mesmo a pedir violação.
marcada a ferros, esta filha que se vende,
logo à noite, compra-se filha d'outra gente.
adúltera criminosa, é apedrejada,
menina nascida, logo, é excisada,
em nome de Deus, pra sempre mutilada.
prazer carnal é coisa do Diabo,
o sexo é mesmo só pra se ser fecundado,
de pernas abertas para a satisfação,
dos deveres conjugais em promoção.
é sexo fraco, dizem com convicção:
mas aguenta-te aí com a menstruação,
com dores de parto, com a menopausa,
mudanças de humor, sem saber a causa,
alargamento de corpos em gravidezes,
que causam nojos a maior parte das vezes,
porque eras gaja boa, agora és um caco,
afirmam os eles, com humor velhaco...

não me venham com merdas,
que se isto é ser fraco,
não sei o que seja
ser forte, de facto.



sábado, 7 de março de 2009

mulher, apenas


(clicar para aumentar)

Nasci Menina,
Mulher me fiz.
Em dor pequenina,
fui Mãe feliz
de outra Menina
que se fez Mulher
e n'altura devida
gerará outro ser.
Proeza divina,
haja o que houver,
será sempre sina
de uma Mulher.

sexta-feira, 6 de março de 2009

mulheres do mundo # 4




Acabei agora de estender a roupa que lavei à mão, no lavatório da casa de banho. Tive que esfregar bem as camisolas de fato de treino da Maria, para lhe tirar as nódoas do vomitado. Desde há uns meses que é sempre assim. Não come quase nada, recusa alimentar-se em condições, apesar das minhas súplicas e da minha insistência, forço um pouco mais e de lá de dentro, em esguicho, volta a sair tudo o que lá tinha entrado. E eu limpo. E não me zango. E volto a tentar que ela coma uma colher mais.
O nosso beliche, à noite, entra em convulsões frenéticas. São os pesadelos dela, os gritos, os suores, os despertares de olhos arregalados e respirações descontroladas, o reviver de outras noites, de outros pesadelos não sonhados. E eu seguro-a. E acalmo-a. E digo-lhe que vai ficar tudo bem. E volto a tentar que ela adormeça em sossego.
Também não quer ir à escola. Levanto-a todos os dias, à mesma hora, dou-lhe banho, escovo-lhe o cabelo, ponho-lhe os seus travessões preferidos, faço um rabo de cavalo ou uma trança metida, arranjo-lhe a mochila, com os cadernos, os livros, o estojo cheio de lápis de cor que há muito tempo já não usa para colorir seja o que seja, porque agora tudo ficou cinzento e tento que tome o pequeno almoço. Vomita mais uma vez. E suja a roupa. E suja as cuecas, porque se urinou pelas pernas abaixo, quando se olhou no espelho e viu que estava pronta para sair. E eu mudo-lhe a roupa. E lavo-a de novo. E não me zango. E abraço-a. E choro com ela. E digo-lhe que ela é a minha menina. E peço-lhe perdão.
Mesmo que ela quisesse ir, não poderia ir à escola.

Não posso arriscar a que alguém encontre este nosso abrigo.




'No que diz respeito aos dados de identificação da vítima, que recorre aos serviços da APAV, a tendência mantém-se inalterável uma vez que continuam a ser, maioritariamente, as utentes do sexo feminino (87,1%) as vítimas mais visadas. [...] De forma inversamente proporcional, no que diz respeito às vítimas, os autores de crime são em mais de 85% das situações do sexo masculino.'

Dados retirados daqui

quinta-feira, 5 de março de 2009

mulheres do mundo # 3




A infantaria estava a postos, para entrar em acção logo a seguir aos archeiros, alinhados em quatro filas cerradas. Empunhavam setas de pontas afiadas e temperadas na forja do ferreiro do exército, capazes de perfurar facilmente o couro das túnicas de combate dos soldados apeados das forças inimigas, lançadas por arcos esticados com a perícia de longos anos de treino e dedicação.
Ao primeiro toque do tambor, o céu escureceu e o silêncio da manhã pouco desperta desfez-se num silvo de ares rasgados pelo voo de milhares de disparos simultâneos, seguidos por gritos e lamentações de feridos de morte, que logo se misturaram com exclamações de frémitos raivosos por actos heróicos e corridas desenfreadas em direcção à luta corpo a corpo.
Espadas, lanças, maças e tonfas, arremessavam-se à esquerda e à direita, penetrando em corpos protegidos por indefensáveis armaduras e elmos, espirrando o rubro de vidas ceifadas, espalhando-o e misturando-se com a lama calcada. O tropel dos cavalos dos carros de combate juntou-se ao magma de sons e à fúria da batalha, empurrando as fileiras de escudos e obrigando-os a recuar, esmagados pelo ímpeto da segunda vaga de guerreiros. No meio deles, numa montada vigorosa, uma voz de comando bradava ordens, impelia coragem aos seus subordinados, refazia estratégias e o corpo avançava de sabre em punho, escorraçando o inimigo. Do outro lado do campo, o repicar frenético do sino, anunciava a debandada, a retirada dos derrotados, a fuga sem glória e sem honra, a vitória, enfim, do exército de Ming Yungyen Li.
No final, contavam-se os mortos, transportavam-se os feridos até às tendas dos médicos, que se apressavam em ferver águas, ebulir folhas, juntar-lhe raízes, seguindo escrupulosamente os ensinamentos do Canôn Secreto, o pai de todos os livros da medicina chinesa, e por último, enviavam-se os batedores para reclamar os despojos de guerra, que iriam aumentar a fortuna do reino de Tsin.
De regresso à tenda, Yungyen Li desapertou e deixou cair no chão a armadura de tom castanho, presa por tiras vermelhas, a túnica e as perneiras cor de púrpura, pousou o chapéu castanho, amarrado com um laço vermelho e sentou-se a meditar, oferecendo incenso para agradecer aos Deuses a sua vida poupada e a vitória conseguida. Depois, lavou as mãos na água da bacia de madeira, deixando-a tingida de escarlate, refrescou o rosto suado e, finalmente, deixou afundar todo o corpo na tina de metal, onde já repousavam pedaços de cinabre e âmbar para relaxar os músculos.
Não era a primeira vez que Yungyen Li, filha primeira do General Ming Wang Chi, escapava à morte por um triz. Logo que nascera, a sentença de ser rapariga, que devia ter nascido filho varão, empurrou-a para um quase sacrifício nas mãos do próprio pai. Valeu-lhe a intervenção do seu grito poderoso, o mesmo que se ouvia hoje sobre todos os ruídos das ferozes batalhas, de quem se recusa a morrer, apenas por ser mulher.

quarta-feira, 4 de março de 2009

mulheres do mundo # 2



Pousou a mão sobre os olhos, defendendo-se do sol equatorial e olhou a savana para lá do horizonte, em busca de sinais de alerta para o perigo de emboscadas felinas. Colocou a alça do cesto na testa, pendurando-o atrás das costas e iniciou a caminhada até ao poço, escavado no meio da terra de ninguém.
Foi devagar. No ritmo imposto pelo peso da gravidez adiantada, dos seios nus, inchados e prontos a ser abastecidos de colostro e leite farto, o alimento mais rico que o filho iria ter ao longo de toda a sua vida e que a havia de deixar com o peito orgulhosamente espremido, alongado e caído sobre o estômago.
Sorria ao imaginá-lo.
Uma criança saudável, um filho robusto, que ela haveria de criar para se tornar guerreiro, que defenderia o gado e os cereais, para quem guardaria parte do rebanho para ele poder comprar quantas mulheres ele quisesse, três ou quatro que tomariam conta dela quando ela fosse tão velha que não pudesse ir buscar a água ou bater o polme.
No poço, lançou o cesto, deixou-o afundar-se e começou a recolhê-lo já cheio, içando a corda com vigor. Ainda ia a meio quando sentiu a primeira guinada, mas continuou; mais duas braçadas e a segunda contracção; à terceira foi obrigada a parar para respirar fundo, e o cesto subiu até à superfície com um gemido rouco.
Deitou-se na erva alta, coberta de suor, para descansar um momento.
As outras mulheres ainda não lhe tinham dito o que fazer, porque julgavam que ainda era cedo, mas as entranhas em fogo, pediam-lhe para puxar, para expulsar o ser estranho que lhe ocupava o corpo. De cócoras, arrancou as forças, juntou-as num só grito, deixou-se rasgar por dentro, enquanto o caminho se abria e uma cabeça lhe surgia pelo meio das pernas. Pegou-lhe com ambas as mãos e num esforço final, de dentes cerrados, rodou-o e tirou-o, ainda a fumegar do sangue quente do útero distendido, do cordão grosso que ainda ligava os dois, da placenta com que partilharam o alimento e o oxigénio.
No meio dos seus gritos, outro se elevou e o filho berrou pela primeira vez.
Rapidamente, meteu-lhe a mama na boca para o calar, arrastou-se pela erva, para chegar ao cesto e à agua, cortou o cordão com a pedra afiada que usava para desfiar os fetos que entrançava em cordas, lavou-o e embrulhou-o nos panos que apertava à cintura. Os restos do parto foram enterrados com as mãos, antes que as feras os cheirassem, os ouvidos e os olhos em alerta redobrado, num instinto de defesa que até aí lhe era desconhecido e que a fez correr para a segurança da cabana.
Só ali olhou para o filho, para lhe apreciar o rosto.
Só ali reparou que, afinal, era mãe de uma menina e então chorou.

Publicado na Fábrica de Letras