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terça-feira, 12 de outubro de 2010

pontos fina(iS)


Tenho-me tricotado todos os dias dos meus anos. Os pontos que, de início, me eram imperfeitos e apressados, foram-se tornando mais firmes e decididos e as voltas, alucinantes, em torneados lentamente amadurecidos, mas a que não falta o vigor da certeza com que os faço ou desfaço. Porque há enganos que é preciso corrigir e não remendar.
E assim vou vivendo, fazendo os possíveis para que a meada não se embarace em nós intrincados, se esfie ou se parta, deixando correr o fio por entre os dedos, transformando-o numa peça única, uma história só minha.
Tricotando todo o novelo a que tenho direito.


E pronto.
Dois anos depois, termina esta aventura.
Despeço-me do Blogobairro com um sorriso estampado na cara 
e a certeza de ter tido uma sorte imensa com o gabarito 
de todos e cada um dos vizinhos que nela me acompanharam
e com quem fui construindo uma amizade virtual.

À Patti, Gi, CBO, Paulofski, Pitanga, 
Rita F, Luísa, Fugi, GJ, Annie, Justine,
Rosa e Kristal, um abraço um pouquinho
  mais apertado...

Até um dia, vizinhança!!!!  

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

as coisas que tu sabes, pai!

Este era o meu problema: 


Dobradiça partida, 
écran do portátil solto do lado esquerdo,
porcas e parafusos perdidos.


 Tiram-se as medidas com o compasso de bico;


A cavilha sextavada coloca-se no torno;


A broca fura o diâmetro pretendido;


O buril de sangrar faz o acabamento;


Ajusta-se a tensão do serrote de ourives;


Corta-se a peça na espessura pretendida;


E o resultado final:
 à esquerda, a de fábrica, à direita, a acabada de sair do torno,


verificada na medida pelo paquímetro, 
o passe de rosca acertado pelo conta-fios,
  ajustada no seu lugar pela chave de cruz.

Estas são as mãos de quem nasceu há exactamente 79 anos.




Ainda hoje, as coisas que não sei, pergunto-lhe; 
esmaga-me sempre com o poder das respostas e das suas soluções.

Parabéns, Pai.


Em fundo, escolhida a preceito, a versão original de Recuerdos de Alhambra, dedilhada pelo inigualável Andre Segovia 

terça-feira, 1 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

referendo blogobairrista - apelo às urnas

(clicar para aumentar)

A verdade é só uma.
Para escrever qualquer coisinha, enfrasco-me de fotos, reais ou compostas, snifo a interpretação das imagens e as histórias que elas me contam, mergulho de cabeça numa orgia de pormenores, esmiuço os recantinhos todos e, pronto, lá vem tripe de fantasia, maluquices injectadas numa cabeça nem sempre muito atinada que é a minha.
E então?
E então, encontrei esta imagem.
E como até tem lá escrito 'The-La-dy-of-the-Red-Spi-rit', o caminho foi mesmo esse que o desvario das palavras tomou, e o nome com que gravei a foto nos meus documentos.
E de repente, o turbilhão de uma autêntica epifania fez-me estacar!
E não é que era perfeita?? Que lá estão os detalhes todos, excepto dois?
Pensem comigo: de quem será este retrato, em que o vermelho domina e as papoilas crescem por todo o lado? Quem respirará tanta energia, que até lhe sai pelas mãos fora, numa torrente de ideias luminosas, e que vigia este blogobairro como uma ave de rapina? Quem terá este ar perdido num mundo de letras, e só se dá bem com os dias nublados de Outono?

Pronto, eu dou mais uma ajuda: Ponham-lhe madeixas loiras e uns óculos escuros, está bem?

E como ela hoje até faz anos, que tal fazer deste, o seu retrato oficial no blogobairro?

O voto não é secreto, mas é universal, estejam à vontade!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

sen(Si)bilidades



Só quando encaramos as pequenas diferenças dos outros, é que damos graças pelas nossas grandes imperfeições.

E porque se comemorou ontem o Dia Internacional da Deficiência, congratulemo-nos com isto

sábado, 24 de outubro de 2009

parabéns, CBO!!!


Não podia deixar passar.
Nem podia deixar de recordar:
Há 1 ano atrás, foi assim, de ARROMBA!!


E o que a gente se divertiu, não foi, vizinhança???

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

14/10/91



Foto tirada por uma amiga

Misturam-se ingredientes exclusivos, explosivos carnais, resultantes de um acto tresloucado, pensado, amado ou violado, encontram-se células, mitocôndrias, cromossomas, genótipos e fenótipos, núcleos, membranas plasmáticas, citoplasmas, vacúolos e inclusões, provocam-se cadeias de reacções, divisões e multiplicações, rasgam-se trajectos tortuosos de teias de líquido vital, descarregam-se cargas eléctricas em impulsos mesuráveis em volts, amperes e oms, tecidos frágeis, flácidos e disformes alinhavam durezas em tutanos, medulas e cartilagens, encolhem-se caudas, arredondam-se formas, esculpem-se perfeições em detalhes mínimos, tão mínimos como uma unha do dedo mindinho, uma pestana, um fio de cabelo.

E quem diria que isto tudo amassado é uma alma?

Milagre revelado em palavreado científico, imagens a 2 e 3 dimensões, que não dizem o que sentimos por aquele ser, tenha ele o tamanho de um grão de arroz ou já não nos caiba na barriga.

Foi assim que começaste, filha, e foi aí que comecei a amar-te.

**Post publicado em 14/10/2008, e que no seu 18º aniversário ainda faz mais, mas muito mais sentido.....


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

1 ano


Escorreu por entre os dedos, esvaiu-se em sílabas, vírgulas e pontos finais, fotogramas de sentimentos, escoados e equilibrados na ténue fronteira que divide o real do imaginário, a tola alegria da apertada angústia.
Assim passou um ano.
E assim passaram as emoções que eu tive o privilégio de aqui viver:
De Si para si.

Obrigado a todos.

domingo, 8 de março de 2009

Rap que é Mulher


 


é ser gaja boa e mãe desnaturada,
avó infantário e sogra amaldiçoada.
promovida na horizontal, amante do patrão,
saco de pancada, ao murro e estaladão.
cozinheira de mão cheia, lavadora de cueiros,
desinfecta sanitas e outros tantos maus cheiros,
limpa nódoas de arrotos,
com leites bolsados,
saídos de mamilos para sempre deformados.
sai de casa, é vadia, não sai, é mesmo burra,
é um amor de menina e logo velha casmurra.
é lista farta de nomes animais,
vaca, porca, pomba e outros que tais.
a que é divorciada é alvo a abater,
mas na casada também se pode mexer:
passa a ser a outra, que irá servir,
os filhos d'outra ainda, que os há-de parir.
decotes e saias são mera provocação
toma lá, estavas mesmo a pedir violação.
marcada a ferros, esta filha que se vende,
logo à noite, compra-se filha d'outra gente.
adúltera criminosa, é apedrejada,
menina nascida, logo, é excisada,
em nome de Deus, pra sempre mutilada.
prazer carnal é coisa do Diabo,
o sexo é mesmo só pra se ser fecundado,
de pernas abertas para a satisfação,
dos deveres conjugais em promoção.
é sexo fraco, dizem com convicção:
mas aguenta-te aí com a menstruação,
com dores de parto, com a menopausa,
mudanças de humor, sem saber a causa,
alargamento de corpos em gravidezes,
que causam nojos a maior parte das vezes,
porque eras gaja boa, agora és um caco,
afirmam os eles, com humor velhaco...

não me venham com merdas,
que se isto é ser fraco,
não sei o que seja
ser forte, de facto.



sábado, 7 de março de 2009

mulher, apenas


(clicar para aumentar)

Nasci Menina,
Mulher me fiz.
Em dor pequenina,
fui Mãe feliz
de outra Menina
que se fez Mulher
e n'altura devida
gerará outro ser.
Proeza divina,
haja o que houver,
será sempre sina
de uma Mulher.

sexta-feira, 6 de março de 2009

mulheres do mundo # 4




Acabei agora de estender a roupa que lavei à mão, no lavatório da casa de banho. Tive que esfregar bem as camisolas de fato de treino da Maria, para lhe tirar as nódoas do vomitado. Desde há uns meses que é sempre assim. Não come quase nada, recusa alimentar-se em condições, apesar das minhas súplicas e da minha insistência, forço um pouco mais e de lá de dentro, em esguicho, volta a sair tudo o que lá tinha entrado. E eu limpo. E não me zango. E volto a tentar que ela coma uma colher mais.
O nosso beliche, à noite, entra em convulsões frenéticas. São os pesadelos dela, os gritos, os suores, os despertares de olhos arregalados e respirações descontroladas, o reviver de outras noites, de outros pesadelos não sonhados. E eu seguro-a. E acalmo-a. E digo-lhe que vai ficar tudo bem. E volto a tentar que ela adormeça em sossego.
Também não quer ir à escola. Levanto-a todos os dias, à mesma hora, dou-lhe banho, escovo-lhe o cabelo, ponho-lhe os seus travessões preferidos, faço um rabo de cavalo ou uma trança metida, arranjo-lhe a mochila, com os cadernos, os livros, o estojo cheio de lápis de cor que há muito tempo já não usa para colorir seja o que seja, porque agora tudo ficou cinzento e tento que tome o pequeno almoço. Vomita mais uma vez. E suja a roupa. E suja as cuecas, porque se urinou pelas pernas abaixo, quando se olhou no espelho e viu que estava pronta para sair. E eu mudo-lhe a roupa. E lavo-a de novo. E não me zango. E abraço-a. E choro com ela. E digo-lhe que ela é a minha menina. E peço-lhe perdão.
Mesmo que ela quisesse ir, não poderia ir à escola.

Não posso arriscar a que alguém encontre este nosso abrigo.




'No que diz respeito aos dados de identificação da vítima, que recorre aos serviços da APAV, a tendência mantém-se inalterável uma vez que continuam a ser, maioritariamente, as utentes do sexo feminino (87,1%) as vítimas mais visadas. [...] De forma inversamente proporcional, no que diz respeito às vítimas, os autores de crime são em mais de 85% das situações do sexo masculino.'

Dados retirados daqui

quinta-feira, 5 de março de 2009

mulheres do mundo # 3




A infantaria estava a postos, para entrar em acção logo a seguir aos archeiros, alinhados em quatro filas cerradas. Empunhavam setas de pontas afiadas e temperadas na forja do ferreiro do exército, capazes de perfurar facilmente o couro das túnicas de combate dos soldados apeados das forças inimigas, lançadas por arcos esticados com a perícia de longos anos de treino e dedicação.
Ao primeiro toque do tambor, o céu escureceu e o silêncio da manhã pouco desperta desfez-se num silvo de ares rasgados pelo voo de milhares de disparos simultâneos, seguidos por gritos e lamentações de feridos de morte, que logo se misturaram com exclamações de frémitos raivosos por actos heróicos e corridas desenfreadas em direcção à luta corpo a corpo.
Espadas, lanças, maças e tonfas, arremessavam-se à esquerda e à direita, penetrando em corpos protegidos por indefensáveis armaduras e elmos, espirrando o rubro de vidas ceifadas, espalhando-o e misturando-se com a lama calcada. O tropel dos cavalos dos carros de combate juntou-se ao magma de sons e à fúria da batalha, empurrando as fileiras de escudos e obrigando-os a recuar, esmagados pelo ímpeto da segunda vaga de guerreiros. No meio deles, numa montada vigorosa, uma voz de comando bradava ordens, impelia coragem aos seus subordinados, refazia estratégias e o corpo avançava de sabre em punho, escorraçando o inimigo. Do outro lado do campo, o repicar frenético do sino, anunciava a debandada, a retirada dos derrotados, a fuga sem glória e sem honra, a vitória, enfim, do exército de Ming Yungyen Li.
No final, contavam-se os mortos, transportavam-se os feridos até às tendas dos médicos, que se apressavam em ferver águas, ebulir folhas, juntar-lhe raízes, seguindo escrupulosamente os ensinamentos do Canôn Secreto, o pai de todos os livros da medicina chinesa, e por último, enviavam-se os batedores para reclamar os despojos de guerra, que iriam aumentar a fortuna do reino de Tsin.
De regresso à tenda, Yungyen Li desapertou e deixou cair no chão a armadura de tom castanho, presa por tiras vermelhas, a túnica e as perneiras cor de púrpura, pousou o chapéu castanho, amarrado com um laço vermelho e sentou-se a meditar, oferecendo incenso para agradecer aos Deuses a sua vida poupada e a vitória conseguida. Depois, lavou as mãos na água da bacia de madeira, deixando-a tingida de escarlate, refrescou o rosto suado e, finalmente, deixou afundar todo o corpo na tina de metal, onde já repousavam pedaços de cinabre e âmbar para relaxar os músculos.
Não era a primeira vez que Yungyen Li, filha primeira do General Ming Wang Chi, escapava à morte por um triz. Logo que nascera, a sentença de ser rapariga, que devia ter nascido filho varão, empurrou-a para um quase sacrifício nas mãos do próprio pai. Valeu-lhe a intervenção do seu grito poderoso, o mesmo que se ouvia hoje sobre todos os ruídos das ferozes batalhas, de quem se recusa a morrer, apenas por ser mulher.

quarta-feira, 4 de março de 2009

mulheres do mundo # 2



Pousou a mão sobre os olhos, defendendo-se do sol equatorial e olhou a savana para lá do horizonte, em busca de sinais de alerta para o perigo de emboscadas felinas. Colocou a alça do cesto na testa, pendurando-o atrás das costas e iniciou a caminhada até ao poço, escavado no meio da terra de ninguém.
Foi devagar. No ritmo imposto pelo peso da gravidez adiantada, dos seios nus, inchados e prontos a ser abastecidos de colostro e leite farto, o alimento mais rico que o filho iria ter ao longo de toda a sua vida e que a havia de deixar com o peito orgulhosamente espremido, alongado e caído sobre o estômago.
Sorria ao imaginá-lo.
Uma criança saudável, um filho robusto, que ela haveria de criar para se tornar guerreiro, que defenderia o gado e os cereais, para quem guardaria parte do rebanho para ele poder comprar quantas mulheres ele quisesse, três ou quatro que tomariam conta dela quando ela fosse tão velha que não pudesse ir buscar a água ou bater o polme.
No poço, lançou o cesto, deixou-o afundar-se e começou a recolhê-lo já cheio, içando a corda com vigor. Ainda ia a meio quando sentiu a primeira guinada, mas continuou; mais duas braçadas e a segunda contracção; à terceira foi obrigada a parar para respirar fundo, e o cesto subiu até à superfície com um gemido rouco.
Deitou-se na erva alta, coberta de suor, para descansar um momento.
As outras mulheres ainda não lhe tinham dito o que fazer, porque julgavam que ainda era cedo, mas as entranhas em fogo, pediam-lhe para puxar, para expulsar o ser estranho que lhe ocupava o corpo. De cócoras, arrancou as forças, juntou-as num só grito, deixou-se rasgar por dentro, enquanto o caminho se abria e uma cabeça lhe surgia pelo meio das pernas. Pegou-lhe com ambas as mãos e num esforço final, de dentes cerrados, rodou-o e tirou-o, ainda a fumegar do sangue quente do útero distendido, do cordão grosso que ainda ligava os dois, da placenta com que partilharam o alimento e o oxigénio.
No meio dos seus gritos, outro se elevou e o filho berrou pela primeira vez.
Rapidamente, meteu-lhe a mama na boca para o calar, arrastou-se pela erva, para chegar ao cesto e à agua, cortou o cordão com a pedra afiada que usava para desfiar os fetos que entrançava em cordas, lavou-o e embrulhou-o nos panos que apertava à cintura. Os restos do parto foram enterrados com as mãos, antes que as feras os cheirassem, os ouvidos e os olhos em alerta redobrado, num instinto de defesa que até aí lhe era desconhecido e que a fez correr para a segurança da cabana.
Só ali olhou para o filho, para lhe apreciar o rosto.
Só ali reparou que, afinal, era mãe de uma menina e então chorou.

Publicado na Fábrica de Letras

terça-feira, 3 de março de 2009

mulheres do mundo # 1



Uma paisagem branca, totalmente branca, imensamente branca, rodeada por um intenso azul gelado. O silêncio, a imperar nos sentidos adormecidos pelo frio, tanto que, num piscar de olhos, as pestanas congelam e colam-se. Uma aldeia perdida no branco, uma comunidade, uma família à espera do regresso dos homens, que a busca por alimento levou ao mar, na caça à baleia.
Inusiq brincava com os seus irmãos, enquanto a mãe, atiçava a fogueira para espevitar o lume e apressar o derreter do gelo e o ferver da água. Embrulhados em brincadeiras infantis, cabeças, mãos, pés e casacos felpudos, formavam uma bola que dificilmente deixava destrinçar o indivíduo correspondente a cada extremidade. Risos, corridas, bocados de neve arremessados, davam vida ao cenário inóspito, aqueciam o clima e vedavam a entrada aos ventos do isolamento.
As outras mulheres cosiam peles com agulhas de osso, retiradas de carnes que não coziam, ricas em ácidos gordos e congeladas em fossos comunitários, escavados quatro metros abaixo do solo; faziam casacos, mantas e outros agasalhos com pelo de focas, mortas segundo a tradição inuíte, a fazer enraivecer qualquer activista dos direitos dos animais, a resguardar a sobrevivência das famílias.
Inusiq parou de brincar. A mãe chamava-a. Apesar do sol estar alto, era altura de ir dormir. Pediu à mãe para lhe contar de novo a lenda da Deusa Sedna, a Raínha do Décimo Planeta e as suas aventuras com a gaivota que a enganou, o mar que a engoliu e o sangue que fez aparecer novas espécies de peixes e animais marinhos. Ela fez-lhe a vontade e no final lambeu-a com carinho.
Deixou-a adormecer.
Os homens tardavam e só deviam chegar com a Aurora Boreal, quando no céu, os espíritos dos antepassados se haviam de mostrar, numa dança de cores que mostrava o Inferno, o local gelado que as almas inquietas iram ocupar.

sábado, 17 de janeiro de 2009

100º post




























YES!!!!!




UFA!!! CHEGAR AQUI NÃO FOI FÁCIL E SEM VOCÊS NÃO CONSEGUIRIA!

OBRIGADA A TODOS OS QUE POR AQUI PASSARAM, PORQUE GOSTAR MUITO DE ESCREVER SÓ FAZ SENTIDO SE ALGUÉM NOS QUISER LER.

UM BEIJINHO PARA TODOS
E BOM FIM DE SEMANA!!


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

mãe é mãe e o resto são tretas

Antigamente, celebrava-se nesta data o Dia da Mãe.

Depois, não sei bem porquê, mudou-se para o 1º domingo de Maio.

À cautela, e porque homenagear as mães, seja em que dia fôr, nunca é demais, fica este vídeo, que demonstra na forma animal, aquilo que uma Mãe que é Mãe faz pelos filhos, mesmo que não sejam dela, e, na forma humana, um dos meus poemas preferidos, de António Gedeão.

A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis,
nem aviões, nem misséis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.

28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais
(oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)

Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maior sossego, às horas em
que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igeja.
Foi a minha mãezinha
.

Um beijinho para TODAS!!

sábado, 25 de outubro de 2008

a festa lá do bairro




Foi de arromba!!


Uma festa a rigor, com smokings práqui, visons pralá, piruetas em cima de Manolos Blahnick, limousines, jactos particulares directos para Nova York, o Waldorf Astoria por nossa conta, catering perfeito, no leva e traz de caviar Beluga, de canapés de salmão fumado da Baviera e queijo fresco com ervas finas dos Alpes, trufas negras, vinhos argentinos, chilenos, patagónios,











uma orquestra fabulosa, Frank Sinatra ao vivo (o homem até ressuscitou pra nós, vejam lá!!!!)





pas-de-deux com os convidados lindééééérrimos que a Patti trouxe, uma enoooooorrrrmme passadeira em veludo azul, a abarrotar de fotógrafos paparazzi, e o Moët et Chandon sempre a correr, delicioso, geladinho, a estalar na língua, para o brinde ao aniversariante!!















E o pessoal do bairro?? Que chiques!! E todos tão simpáticos!!!
















Ahhhhh........foi tão divertido, não foi???


Mas não digam a ninguém......


Quando acabou..........foi um ALÍVIO!!!!!!!!



sexta-feira, 24 de outubro de 2008

a rigor

Acordei bem disposta.

Hoje é 6ª feira, logo, o fim de semana está à porta.

Com a água do chuveiro a cair pela cara abaixo, revejo mentalmente os compromissos, as reuniões, os telefonemas, o vai e vem de mails, os sorrisos da praxe e os murros em cima da mesa, que de antemão se prevêem, mas que não se anotam no pda.

Quero lá saber.
É assim todos os dias, não é?
De rame rame em rame rame, ao pontapé e à lapada, como eu costumo dizer, lá vamos vivendo os 5 dias por semana, 10 a 12 horas por dia (no mínimo), em que temos que manter a rigidez da postura, do comportamento, da autoridade e de outras palermices instituídas, porque era muito mais fácil cada um fazer o trabalho que lhe compete e deixar os outros trabalhar em paz.
Olha, olha, e hoje vou-me lá chatear com isso???

Nááá.

Hoje não.

Depois do trabalho, vou despir a máscara e vou vestir-me a rigor:

Mas não vou sózinha.

A Patti, que tem madeixas, vai assim:



A Velvet, que é loura, veste este:E o Carlos, que não sabe, vai ter que colocar um postiço:













O Blogobairro está em festa....

O Padrinho faz anos!!


E para lhe dar um presente inesquecível, aqui ficam as fotos de todas AS suas amigas do blogobairro:

terça-feira, 14 de outubro de 2008

14/10/91



Foto tirada por uma amiga





Misturam-se ingredientes exclusivos, explosivos carnais, resultantes de um acto tresloucado, pensado, amado ou violado, encontram-se células, mitocôndrias, cromossomas, genótipos e fenótipos, núcleos, membranas plasmáticas, citoplasmas, vacúolos e inclusões, provocam-se cadeias de reacções, divisões e multiplicações, rasgam-se trajectos tortuosos de teias de líquido vital, descarregam-se cargas eléctricas em impulsos mesuráveis em volts, amperes e oms, tecidos frágeis, flácidos e disformes alinhavam durezas em tutanos, medulas e cartilagens, encolhem-se caudas, arredondam-se formas, esculpem-se perfeições em detalhes mínimos, tão mínimos como uma unha do dedo mindinho, uma pestana, um fio de cabelo.



E quem diria que isto tudo amassado é uma alma?



Milagre revelado em palavreado científico, imagens a 2 e 3 dimensões, que não dizem o que sentimos por aquele ser, tenha ele o tamanho de um grão de arroz ou já não nos caiba na barriga.



Foi assim que começaste, filha, e foi aí que comecei a amar-te.