segunda-feira, 12 de julho de 2010

contra-tempos



Na mais ordenada casa
surgem contratempos,
que tal como se indica,
atrasam o tempo dos tempos
que todos atribuímos
na gestão dos nossos momentos.
É deveras irritante,
esta mania de contradizer,
pondo de pernas para o ar
o que planeámos fazer.
Ora, se há horários,
se há horas a cumprir,
porque raio haverá também
um tempo de lhes fugir?
Sinceramente, não entendo
esta forma que o tempo tem
de, na vez de correr sereno,
correr como lhe convém.
Será qu'inda não percebeu
que n'altura em que desandou
passou o tempo a desfazer
o que o Tempo determinou
estar na altura de fazer?
Ai, Senhor Tempo,
meu rico Senhor Tempo,
diga lá o que fazemos
se inventa um contratempo?
Como vamos encontrar
um tempo definido
de forma a recuperar
aquele tempo já perdido?
Em boa verdade lhe digo,
a minha modesta posição
que neste ano que se inicia
tomo como resolução:
Não mais vou perder tempo
com tempo que não tenho,
e aproveitar cada momento
com o tempo que detenho.
É que só assim eu resolvo
esta luta contra o tempo,
aquele que teima em passar
mesmo contra o contratempo.


(Post publicado em 06 de Janeiro de 2009)

Em fundo, Time - Pink Floyd

8 comentários:

Pitanga Doce disse...

Queres que o tempo passe devagar? E eu que quero que voe para recuperar o que foi perdido?

E Pink Floyd é o que há! UAU!

Antonio Saramago disse...

TANTA CEBOLA E NENUM CERTO!!!

paulofski disse...

...e eu venho aqui sem tempo
mas a tempo de um passou bem
deixar ficar num contratempo
um olá e um até já também...

Rosa dos Ventos disse...

Excelente!
Eu agora tenho todo o tempo mas também alguns contratempos... :-))

Luísa disse...

Não sei, Si, se, contra o tempo
Pode sair vencedora…
Melhor seria, ao relógio,
Atirá-lo borda fora! ;-D

Carlos Albuquerque disse...

O Tempo!
Pois, sempre em contratempo.
Não foi, não, contratempo ler este texto, que a um tempo me encantou.
Sabe, Si:
Já lá vai o tempo em que o Tempo me dava tempo.
Agora, não. Já pouco me cede, e nem por empréstimo se alarga, um nico que seja, antes se encolhe.
Magoa-me, dói-me.
Para além dos padecimentos físicos, põe-se a arranjar-me outros, a ele não lhe falta o tempo para me mortificar, e passa o tempo a dissimular como um fingidor.
Ora me diz que sim, está tudo bem, abrindo-me alentos, ora me amanhece com penares e interrogações, ora me inquieta e desassossega o sono despertando-me com outros oras, roubando-me o tempo do retempero. Quer que eu caminhe sem andar, que ouça sem escutar, que veja sem enxergar, que chore sem lágrimas, que ria sem riso, que grite sem voz, que sonhe sem sonhos, que sofra com dor. Que me zangue sem ira. Que seja inútil e estéril.
Só não diz, nem disfarçando, a que tempo se irá o Tempo.
Mas, o que seria dele sem mim?
Abraço

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Apesar da falta de tempo, ainda deu para vir aqui agradecer a receita. Já a experimente uma vez, há cerca de dois anos e, não sei porquê, atacou-me de tal modo o fígado que jurei para nunca mais.
De qualquer modo, obrigado pela dica.
Espero amanhã já esta melhor...

Sunshine disse...

Lamentarmo-nos com o tempo que não temos é uma perca de tempo.
Amúsica não poderia estar mais adequada.
beijinhos com raios de sol