segunda-feira, 19 de julho de 2010

caída do céu

sou gota de orvalho
e este é meu fado,
cair desamparada
num fio delicado.
em fio delicado
cair sobre a folha,
não em chuva agreste,
nem que tolos molha,
mas apenas em gota
que do céu cai,
e o vento empurra
sabendo onde vai.
não molho a folha
para me poupar,
meu destino é outro
que vou encontrar.
em perfeita gota,
continuo a descer,
vou até ao caule
em lento escorrer,
para a boca que espera
a altura de me ter,
no seio da flor
a quem dou de beber


(Post publicado em 16 de Dezembro de 2008)


Em fundo, Train - Drops of Jupiter

6 comentários:

Gi disse...

E eu aqui vim ter
E este post sorver
Saio refrescada
Para mais uma jornada.

annie hall disse...

Já não me recordava e vem refrescar o dia que se anuncia quente .

Filoxera disse...

Gostei do poema. Sente-se o ritmo da gota a descer...
Beijinhos.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Adequado à temperatura ambiente...
O seu comentário lá no CR também foi adequado, porque me fez recordar o "célebre" padre Pacheco. Tinha um atia que gostava muito dele.

paulofski disse...

A conta gotas sorvi as tuas palavras. Fantástico poema.

Como daqui não dá para ouvir a música de fundo, toquei outra banda sonora na minha cabeça: Raindrops keep falling on my head.

Rosa dos Ventos disse...

Dá-se de beber de muitas maneiras mas esta gota soube-me bem!

Abraço