segunda-feira, 26 de outubro de 2009

diz-me

(clicar para aumentar)

Queres que te conte a minha história?
Então, olha-me bem fundo nestes olhos,
e perde-te nos fios da minha memória.
Lê os registos de dor, alegria e saudade,
mais os amores, as dores e outros escolhos,
escritos nas rugas, sulcos abertos da idade.
Que queres tu mais que eu te diga?
Nem me peças, adivinha tu.
Eu só olho.
Põe-me a alma a nu.

Incluído na Fábrica de Letras

18 comentários:

continuando assim... disse...

excelente!

fugidia disse...

:-)

Uma excelente semana, Si; a minha começa com este sorriso que esta imagem e as palavras provocaram...

Gi disse...

A alma dela conta trovas de um tempo passado e, tantas vezes, com ela exorciza o passado.

pedro oliveira disse...

Ás vezes é necessária essa conversa de olhares.
boa semana
festa no vf hoje

Patti disse...

Pode ver-se tudo o que quisermos, mas o que será verdadeiramente verdadeiro é aquilo que não se vê.

Rosa dos Ventos disse...

Tanto que as minhas rugas já contam!
Obrigada pela reflexão poética...

Abraço

paulofski disse...

Vejo aquilo que o tempo cuidadosamente esculpiu ao longo dos anos, a beleza do tempo vivido.

Luísa disse...

Uma imagem muito expressiva, acompanhadas de belíssimas e certeiras palavras, Si. Que mil histórias de dor, alegria e saudade se esconderão nesse olhar, que a vida parece ter endurecido um pouco? :-)

Sónia Costa disse...

Fez-me lembrar a minha avozinha......que infelizmente já cá não mora....
As rugas, o olhar, o lenço....A minha avozinha Teresa...

cristina ribeiro disse...

Há rostos que se deixam ler tão bem; como os daquelas mulheres trasmontanas desenhadas por Graça Morais. Lindo.

Filoxera disse...

Lindo, este post. Arrepiou-me: levou-me de volta ao lar onde o meu pai passou os últimos dois anos, já que a minha mãe, de tanto cuidar dele, havia sofrido um AVC.
No lar, muitas pessoas não tinham as visitas diárias que o meu pai tinha. Eu levava livros e companhia,dois dedos de conversa, mesmo após a sua morte. Só deixei de ir lá regularmente porque se tornou cada vez mais doloroso ver o meu filho querer ir ao quarto onde o avô tinha estado.
:-(
Um beijo.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E não é que me deixei mesmo perder na profundidade daqueles olhos?

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Nossa, lindo demais
A junção das palavras com a figura...
Arrepiou-me

Parabéns!

=)

Helga disse...

Arrepiante, mas muito tocante.

Beijinho

Olga disse...

Bonito o texto, bela a conjugação com a foto. Parabéns.

Brown Eyes disse...

Esta foi mais uma das participações conseguidas. Está sublime e nada como os olhos para transmitirem uma história de vida, mais que as rugas. As rugas são mais consequência do sol e pouco têm a ver com a dor de alma ou sofrimento. Esta mulher que apresentas na foto não teve uma vida fácil, o olhar dela parece-me frio o que denota muitas dificuldades e muita necessidade de desconfiança no caminho que percorreu.

Fia disse...

Ahah. Gosto. Velhice - espelho da alma!

Pedrasnuas disse...

GOSTEI DO POEMA E DA FOTO...

CUMPRIMENTOS